De reforma da Previdência ao fim da escala 6×1: veja propostas dos presidenciáveis para a economia
Lula defende fim da escala 6×1, enquanto Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan Santos e Zema propõem corte de gastos e ajustes fiscais na economia
Com a campanha para a Presidência da República em andamento, os candidatos já disponibilizaram seus programas de governo, nos quais apresentam as principais propostas para a economia brasileira.
O tema também vem sendo discutido em sabatinas e debates, com a alta taxa de juros aparecendo entre as questões apontadas por parte dos candidatos como um dos fatores que dificultam o crescimento do país.
Desde 2013, o Brasil enfrenta períodos de baixo crescimento e instabilidade econômica. Neste ano, a dívida pública também atingiu o maior patamar desde a pandemia, enquanto a taxa básica de juros permanece entre as mais altas do mundo.
Diante desse cenário, os candidatos à Presidência com maior intenção de voto nas pesquisas apresentam diferentes estratégias para equilibrar as contas públicas e estimular a economia. Os programas, no entanto, não detalham como as medidas propostas seriam implementadas ou como os resultados esperados seriam alcançados.
Enquanto Lula combina responsabilidade fiscal com valorização do salário mínimo, proteção social e direitos trabalhistas, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema defendem, em diferentes graus, maior contenção de despesas, redução do peso do Estado e revisão de programas e benefícios.
As propostas envolvem redução de gastos, revisão de benefícios e subsídios, mudanças na estrutura tributária e reformas administrativas e previdenciárias. Também há medidas voltadas à ampliação dos investimentos, ao aumento da produtividade e à redução dos juros.
Lula defende valorização do salário mínimo e fim da escala 6×1
Para o eixo econômico, o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva prevê a continuidade do arcabouço fiscal e um novo processo de ajuste das contas públicas, com redução gradual do déficit por meio do controle das despesas, aumento da arrecadação e revisão de benefícios e privilégios.
Lula busca reeleição à Presidência em 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Miguel Schincariol)
A proposta também aposta na retomada do crescimento e na melhoria da eficiência do gasto público como caminhos para o equilíbrio fiscal, além de defender uma política de juros que não comprometa a atividade econômica e a distribuição de renda.
Entre as medidas voltadas à renda e ao mercado de trabalho, o programa promete manter a política de valorização real do salário mínimo, associada à redução da pobreza e à distribuição de renda.
Também propõe combater formas consideradas fraudulentas de “pejotização”, com maior fiscalização e equiparação de responsabilidades trabalhistas e previdenciárias. Na área trabalhista, Lula pretende ainda apoiar no Senado a redução da jornada para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, sem redução salarial.
Flávio propõe reduzir ministérios e fortalecer agropecuária e indústria
Em contrapartida, Flávio Bolsonaro propõe um ajuste fiscal rígido, com redução de despesas e uma reformulação das regras de controle das contas públicas, buscando diminuir a dívida, gerar superávits primários e restringir o crédito subsidiado com recursos do Tesouro, além de estabelecer limites para os gastos discricionários dos três Poderes.
Flávio Bolsonaro em campanha eleitoral para a Presidência (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Mauro Pimentel)
O candidato também promete diminuir a carga tributária sobre energia e combustíveis e revisar mudanças promovidas pela atual reforma tributária, com redução do IVA e garantia de que não haja cobrança cumulativa de impostos.
Em sua proposta de governo, Flávio visa elevar o crescimento médio do país para 4% ao ano na próxima década, através de investimentos privados e pelo aumento da competitividade de setores como agropecuária, indústria e serviços.
Na área social, o programa prevê manter os benefícios existentes, mas com mudanças na gestão, combate a fraudes e criação de mecanismos de qualificação e inserção no mercado de trabalho para beneficiários.
Já para a administração pública, Flávio propõe dar continuidade à reforma administrativa, reduzir ao menos dez ministérios e diminuir cargos comissionados, além de combater super salários e benefícios.
Caiado quer aumentar produtividade e combater fraudes em benefícios
Ronaldo Caiado também coloca o equilíbrio das contas públicas como base para o crescimento econômico, propondo reorganizar a máquina estatal para reduzir desperdícios, rever privilégios e avaliar a efetividade de subsídios e benefícios tributários.
Ronaldo Caiado participa de debate presidencial na TV Bandeirantes (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Sérgio Lima)
Com isso, ele busca conter o avanço das despesas obrigatórias sem recorrer a aumentos sucessivos de impostos ou a cortes generalizados, além de estabelecer revisões periódicas de programas e políticas públicas.
A proposta também busca ampliar os investimentos no país, elevando a taxa total, atualmente cerca de 17% para aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB), com participação do poder público em áreas de interesse social nas quais o setor privado não teria retorno suficiente.
O plano relaciona a expansão dos investimentos à necessidade de aumentar a produtividade, apontada como fator central para sustentar o crescimento e elevar a renda no longo prazo.
Na área social, Caiado defende aperfeiçoar a gestão dos benefícios por meio da integração de bases de dados, atualização de cadastros e correção de pagamentos indevidos. O combate a fraudes, segundo o programa, deve ocorrer sem criar obstáculos para a população que tem direito aos benefícios.
Renan propõe reforma da Previdência e mudança no Bolsa Família
Renan Santos, do Missão, propõe ajuste fiscal de grande alcance por meio de uma PEC do Equilíbrio Fiscal. O plano prevê mudanças na forma de correção e vinculação de despesas públicas, uma nova reforma da Previdência, redução de renúncias fiscais e alterações nos pisos constitucionais de saúde e educação. A campanha estima uma economia de R$1,1 trilhão até 2031 com as medidas.
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Renan Santos em campanha eleitoral para a Presidência (Foto: reprodução/Instagram/@renansantosmbl)
Entre as propostas está a atualização de benefícios previdenciários e assistenciais apenas pela inflação, sem vinculá-los aos reajustes do salário mínimo, além de rever o abono salarial, reduzir gastos tributários e modificar as regras de financiamento de saúde e educação.
Para impulsionar o crescimento, o candidato propõe identificar os principais entraves à produtividade brasileira e atuar sobre áreas como tributação, legislação trabalhista, regulação financeira e governança.
Na administração pública, defende o fim dos supersalários, mudanças nas emendas parlamentares e uma nova legislação para disciplinar as finanças da União. Por fim, na assistência social, a ideia é substituir o Bolsa Família por um sistema de frentes de trabalho, no qual beneficiários participariam de projetos voltados ao interesse público.
Zema quer privatizar de estatais e aumentar idade mínima para aposentadoria
Em uma linha semelhante à de Renan Santos, Romeu Zema também coloca o ajuste das contas públicas no centro de sua proposta econômica, mas aposta em uma redução mais ampla da estrutura e das despesas do Estado.
Romeu Zema é candidato à Presidência nas eleições de 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)
O candidato do Novo defende um “choque fiscal” baseado no corte de gastos, na revisão de despesas obrigatórias e de mecanismos que ampliam automaticamente o orçamento, incluindo as emendas parlamentares, para abrir espaço para investimentos e reduzir a pressão dos juros sobre a economia.
Na Previdência, Zema propõe mudanças que alcancem União, estados e municípios, além dos regimes rural e militar. O plano prevê ainda que a idade mínima para aposentadoria seja reajustada de acordo com o aumento da expectativa de vida e com a sustentabilidade financeira do sistema.
O candidato também defende a privatização das empresas estatais e a venda de imóveis e ativos públicos considerados não essenciais. Para enxugar a máquina pública, propõe reduzir ministérios e cargos comissionados e revisar a estrutura de autarquias e fundações.
Na área social, pretende unificar programas de transferência de renda e aprimorar o Cadastro Único, com integração de dados para combater fraudes e evitar a duplicidade de benefícios.
