Dark Horse’: investigadores apuram suspeitas de corrupção e lavagem nos negócios de Flávio Bolsonaro com filme

Candidato a Presidência insiste que repasse de 61 milhões de reais é patrocínio privado, mas investigadores questionam origem e destino do dinheiro

29 ago, 2026
Flávio Bolsonaro, Renata Vasconcellos e César Tralli I Reprodução/Instagram/@jornalnacional
Flávio Bolsonaro, Renata Vasconcellos e César Tralli I Reprodução/Instagram/@jornalnacional

A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos negócios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o filme ‘Dark Horse’, financiado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com valor não divulgado. Flávio afirma tratar-se de patrocínio privado sem irregularidades, mas investigadores rechaçam essa versão, segundo informações ao G1.

A defesa de Flávio

Em entrevista concedida na última sexta-feira (28) a Renata Vasconcellos e César Tralli, Flávio Bolsonaro afirmou não haver “absolutamente nada de errado” em buscar financiamento para o filme. O senador negou transferências diretas para si próprio e reiterou que pediu patrocínio privado a Vorcaro.

“Esse foi um patrocínio, não teve nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”, afirmou o candidato. Também negou ter buscado recursos da Lei Rouanet, programa estatal de incentivo à cultura. Para Flávio, o contrato não cabe a ele: sua responsabilidade limitou-se a autorizar o uso da imagem e captar investidores. A prestação de contas, segundo ele, ficaria a cargo da produtora.

No entanto, o senador não cumpriu a promessa feita em maio, quando o Intercept Brasil revelou as mensagens. Na ocasião, comprometeu-se a prestar contas em 30 dias. Questionado novamente sobre o tema, afirmou que as informações já foram apresentadas, conforme apurado pelo G1.


 

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Flávio Bolsonaro em entrevista ao Jornal Nacional (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


A investigação da Polícia Federal

Os investigadores têm ponto central distinto: buscam esclarecer se houve vantagem indevida recebida ou solicitada por Flávio em razão da função pública. Para tanto, querem responder questões sobre origem, entrega, circulação e destino final dos valor não divulgado, segundo informações obtidas pelo G1.

Na avaliação de investigadores, não basta apresentar a operação como relação puramente privada. Há perguntas a serem respondidas porque um senador da República participou da negociação. “Dark Horse é caso de polícia”, rejeitam investigadores a versão defendida por Flávio.

Segundo o Código Penal, a corrupção passiva ocorre quando alguém “solicita ou recebe, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida” (Art. 317). Um detalhe técnico importa à investigação: não é necessário apontar um ato de ofício específico como contrapartida para caracterizar o crime. A presença da vantagem indevida ligada à função pública já configura a suspeita, conforme interpretam os investigadores ouvidos pelo G1.

Os valores em questão

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil em maio identificaram transferências de Vorcaro de pelo menos 10,6 milhões de dólares, equivalente a aproximadamente valor não divulgado. A perícia sobre as contas, encomendada pela produtora GoUp, foi concluída em junho e faz parte do inquérito criminal em andamento.

Os investigadores apontam que uma perícia do material de produção do filme indica que cerca de 70% dos gastos ocorreram nos Estados Unidos, mas os detalhes completos sobre o destino específico do dinheiro não foram divulgados publicamente. Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que financiou a produção, está preso e é ex-dono do Banco Master.

A PF prossegue na apuração enquanto Flávio mantém que não há irregularidades nos negócios com ‘Dark Horse’. Ambos os lados seguem com interpretações divergentes sobre o caráter da operação.

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