Brasil prepara resposta aos EUA após visto de embaixadora ser revogado
Governo brasileiro avalia resposta diplomática após medida americana; decisão deve definir se haverá novas restrições ou outra ação equivalente
Depois que o governo Trump revogou o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, a embaixadora brasileira em Washington, o governo brasileiro decidiu adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. A decisão americana foi anunciada na terça-feira (4), e o Departamento de Estado afirma que a medida ocorreu devido à demora do Brasil em dar o consentimento diplomático para Daniel Perez assumir a representação americana em Brasília. Viotti poderá se manter nos Estados Unidos, desde que peça um novo visto caso deixe o território americano e queira retornar.
O governo Lula acredita que uma resposta formal seja obrigatória para a situação e avalia qual será a forma mais adequada de agir. As discussões devem ser feitas em uma reunião desta quarta-feira (5), e as possibilidades incluem uma reação também na área de vistos ou outra iniciativa considerada equivalente em termos diplomáticos.
Brasil avalia resposta
A resposta brasileira será decidida em um cenário particular, pois os Estados Unidos estão sem um embaixador efetivo no Brasil. A encarregada de negócios interina Kimberly Kelly está representando o governo americano em Brasília atualmente, mas ela não tem o status de embaixadora.
Por isso, o governo analisa se a reciprocidade deve atingir o campo dos vistos ou se deve adotar uma outra medida. O princípio determina que um país pode responder de forma equivalente quando recebe uma ação semelhante de outro.
Malu Gaspar diz que o governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade em resposta à crise com os EUA.
“O episódio também tem impacto eleitoral, pois a campanha de Lula vai usar o caso para acusar aliados de Bolsonaro de atuarem contra os interesses do Brasil.” pic.twitter.com/huWq0Wmgbo
— Pri (@Pri_usabr1) August 5, 2026
Brasil avalia medidas após ação americana (Vídeo: reprodução/X/@Pri_usabr1)
Fontes do governo brasileiro avaliam que a decisão americana tem indícios eleitorais e afirmam que o episódio não deve ficar sem reação. O Itamaraty divulgou um comunicado classificando as justificativas dos Estados Unidos como falsas e afirmando que a medida tem motivações ideológicas.
O governo brasileiro também declarou que o pedido para aprovação de Daniel Perez está em análise e destacou que não existe prazo determinado pelo direito internacional para conceder o aval diplomático. O Itamaraty afirma que a indicação foi anunciada publicamente pelos Estados Unidos antes do pedido ser encaminhado às autoridades brasileiras.
Crise diplomática cresce
Dez dias depois de o Brasil negar autorização de entrada a dois diplomatas do Departamento de Estado americano, os vistos foram revogados. Eles foram citados em uma reportagem do The Washington Post que falava sobre uma estratégia relacionada ao sistema eleitoral brasileiro. Os Estados Unidos negaram que os funcionários queriam interferir nas eleições.
Daniel Perez, indicado por Trump para representar os Estados Unidos no Brasil, foi anunciado pela Casa Branca em junho. O nome foi aprovado por uma comissão do Senado americano, mas ainda depende da análise do plenário. O governo brasileiro se mostrou incomodado, pois a indicação foi divulgada antes da consulta reservada ao país anfitrião.
A relação entre Brasília e Washington já vinha passando por turbulências, como as tarifas aplicadas a produtos brasileiros, novas medidas comerciais anunciadas em julho e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Com a retirada do visto de Viotti, agora, o governo brasileiro se esforça para definir uma resposta proporcional à decisão americana. Nesta quarta-feira, as ações devem ser discutidas pelas autoridades enquanto a questão da representação diplomática dos dois países permanece em aberto.
