Brasil e EUA seguem sem acordo comercial um ano após Tarifaço
Mudanças nas medidas comerciais e novas investigações mantêm indefinidas as próximas etapas das relações econômicas entre os dois países
Um ano depois do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, a relação comercial entre os dois países segue sem ter um acordo comercial definido. O governo brasileiro e membros do setor privado mantêm negociações para diminuir os impactos de uma possível nova onda de tarifas proposta pela administração norte-americana.
Enquanto as conversas avançam, a expectativa está voltada para a decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), prevista para 15 de julho.
Tarifaço marca relações
O cenário começou em 9 de julho de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras. O governo americano justificou a adoção dessas medidas com críticas às políticas brasileiras e ao ambiente institucional do país. No decreto que confirmou a decisão, Trump afirmou que o governo brasileiro estava envolvido em práticas que afetavam empresas e interesses norte-americanos.
Mesmo com o anúncio, parte dos produtos exportados pelo Brasil não foi incluída às tarifas. Itens considerados importantes para o mercado dos Estados Unidos, como petróleo, suco de laranja, aviões, peças aeronáuticas e celulose, continuaram sujeitos apenas à alíquota de 10%.
Conforme os meses iam passando, as negociações iam progredindo devagar. O governo federal tentou separar as discussões comerciais das discordâncias políticas e teve o apoio do setor privado para aumentar o diálogo com autoridades norte-americanas. Do outro lado, foram anunciadas ações de apoio aos exportadores brasileiros para minimizar os efeitos da nova política tarifária.
Análise: Tarifaço completa um ano e Brasil depende menos dos EUA https://t.co/guIwdOGXXx
— CNN Economia (@CNNEconomia) July 9, 2026
Tarifas de Donald Trump completam um ano (Foto: reprodução/X/@CNNEconomia)
Algumas das restrições foram reduzidas no final de 2025. O governo dos Estados Unidos suspendeu tarifas adicionais sobre mais de 200 produtos brasileiros, como carne bovina, café, frutas e petróleo. Pouco tempo depois, a Suprema Corte norte-americana decidiu que a imposição unilateral das tarifas globais infringia a legislação federal, derrubando parte da estratégia comercial usada pelo governo Trump.
Negociações seguem abertas
Mesmo com os avanços no fim de 2025, a situação teve novos desdobramentos neste ano. Em junho, o USTR propôs uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e sugeriu novas tarifas de 25% sobre importações brasileiras, argumentando que o Brasil tinha práticas comerciais que desfavoreciam os interesses norte-americanos.
As críticas feitas pelos Estados Unidos incluem temas como comércio digital, patentes, combate à corrupção, etanol, pirataria e desmatamento ilegal. Como resposta, o governo brasileiro contestou as alegações tecnicamente e estendeu programas de apoio às empresas que podem ser atingidas por novas medidas comerciais.
Representantes do setor privado também estiveram presentes nas audiências promovidas pelo USTR em Washington. Durante os encontros, entidades brasileiras defenderam que as economias dos dois países se completam e destacaram a importância da parceria comercial construída ao longo dos anos. Integrantes das delegações relataram que os diálogos ocorreram em tom mais técnico e destacaram a chance de aumento de produtos isentos caso novas tarifas sejam aprovadas.
Apesar desse cenário, interlocutores presentes nas negociações avaliam que parte das alíquotas poderá ser aplicada. A expectativa está concentrada na decisão final das autoridades norte-americanas, que deverá definir os próximos passos da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
