Avalanche no Nepal e no Tibete deixa 362 mortos e quase 1.500 desaparecidos
Colapso de geleira na montanha Langtang Lirung provocou avalanche que destruiu casas, pontes e estradas na fronteira entre Nepal e Tibete
Enchentes e deslizamentos na fronteira entre Nepal e Tibete (China) deixaram 362 mortos e 1.468 desaparecidos até quinta-feira (27). O desastre ocorreu na última quarta-feira (26) após colapso de geleira na montanha Langtang Lirung, que provocou avalanche de gelo, rochas e água. A enxurrada destruiu casas, pontes e estradas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi.
Avalanche no Nepal deixa mais de 700 estrangeiros desaparecidos
A avalanche desceu pela parte mais alta da montanha Langtang Lirung, arrastando rochas, gelo e água de reservatórios naturais. O fluxo chegou ao canal do rio Lhende Khola e avançou sobre áreas densamente povoadas na região fronteiriça. A velocidade e o volume do material provocaram destruição em cadeia nas encostas e vales.
A tragédia destruiu habitações, pontes e trechos de estradas que conectam comunidades locais. Instalações de energia foram danificadas, deixando parte da região sem eletricidade. No Nepal, os rios Trishuli e Bhote Koshi transbordaram. No lado do Tibete, a região de Gyirong foi atingida com força.
A área fica no coração da Cordilheira do Himalaia, cercada por picos acima de 7 mil metros. A região é porta de entrada para rotas comerciais e turísticas entre Nepal e China, conectando diversas cidades e vilas. O local abriga usinas hidrelétricas e um porto fronteiriço de importância estratégica.
O posto fronteiriço é a principal porta de entrada e saída entre Nepal e China. Imagens mostram o local sendo engolido pela avalanche de lama. Câmeras de segurança registraram o momento em que a enxurrada avançou sobre a região, documentando a velocidade e a força da avalanche.
Entre os desaparecidos no Nepal estão cidadãos de várias nacionalidades:
- 178 indianos desaparecidos
- 65 americanos desaparecidos
- 53 ucranianos desaparecidos
- 51 malaios desaparecidos
- 35 australianos desaparecidos
- 33 britânicos desaparecidos
- 25 canadenses desaparecidos
Mais de 700 estrangeiros desaparecidos foram contabilizados no Nepal, segundo autoridades locais.
Avalanche no Nepal (Foto: reprodução/NurPhoto/ Getty Images Embed)
Avalanche no Nepal: resgates enfrentam risco de nova inundação
Muitos dos desaparecidos estavam na região como turistas ou em peregrinações religiosas. A área é conhecida por rotas de trekking que atraem alpinistas e montanhistas do mundo todo. Uma das principais peregrinações hindus segue para Kailash Mansarovar, passando pela região afetada. A combinação de turismo de aventura e peregrinações religiosas explica a concentração de estrangeiros no local no momento do desastre.
Equipes de resgate avançam com dificuldade pela lama e escombros que cobrem a região. O Exército nepalês realizou sobrevoos para mapear as áreas mais críticas e localizou dezenas de pessoas para resgate. Moradores receberam ordens para deixar casas em áreas consideradas de risco elevado. As operações enfrentam limitações pela topografia acidentada e pelas condições climáticas instáveis.
Avalanche no Nepal (Foto: reprodução/NurPhoto/ Getty Images Embed)
Ainda há um bloqueio de detritos na parte alta do rio fronteiriço entre Nepal e China. Autoridades alertam para o risco de uma segunda inundação caso esse bloqueio ceda. Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), explicou o perigo:
“Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação”.
Chuvas de monção ocorrem entre junho e setembro no sul da Ásia, provocando inundações e deslizamentos frequentes na região. O aquecimento global pode aumentar a frequência e intensidade desses fenômenos nos próximos anos, segundo especialistas climáticos.
Governos locais investigam as causas exatas da tragédia. A principal hipótese é o colapso de geleira na montanha Langtang Lirung, que possui mais de 7 mil metros de altura. A investigação busca determinar os fatores que contribuíram para o colapso em um momento específico.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou inicialmente um evento sísmico de magnitude 5,2 na região. O órgão posteriormente esclareceu que o tremor foi provocado pelo colapso da geleira, não o contrário. Essa confusão inicial levou a interpretações equivocadas sobre as causas do desastre.
Os Estados Unidos anunciaram US$ 500 mil em ajuda humanitária, equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões, destinados às operações de emergência e resgate. A ajuda se integra aos esforços coordenados por organizações internacionais presentes na região.
O presidente chinês Xi Jinping afirmou que a prioridade imediata é encontrar e resgatar os desaparecidos. Autoridades de ambos os países trabalham em coordenação para ampliar as operações.
Os números de mortos e desaparecidos podem variar entre órgãos responsáveis. Essas diferenças decorrem da forma e do momento de coleta de dados, além de falhas ocasionais de coordenação entre equipes de busca e consolidação de listas. O balanço atualizado até esta quinta-feira (27) registra 359 mortos no Nepal e 3 no Tibete, com 910 desaparecidos no Nepal e 558 no Tibete.
