Avalanche no Himalaia deixa mortos e centenas de desaparecidos entre Nepal e Tibete; entenda

Desastre foi provocado por uma avalanche de gelo, neve e rochas que atingiu o Rio Trishuli e desencadeou uma enxurrada de lama e água

26 ago, 2026
Representação da avalanche no Himalaia | Reprodução/Unsplash/Sadiq Nafee
Representação da avalanche no Himalaia | Reprodução/Unsplash/Sadiq Nafee

Uma avalanche repentina na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete deixou dezenas de mortos e centenas de pessoas desaparecidas nesta quarta-feira (26). Imagens registradas no local mostram uma grande quantidade de lama e água descendo pelos vales, arrastando estruturas, cobrindo prédios e atingindo vilarejos em uma das áreas turísticas do Himalaia.

Ao menos 95 corpos foram recuperados após as fortes inundações registradas na região. Do lado chinês, autoridades confirmaram três mortes e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra. Quase 400 pessoas, entre elas centenas de estrangeiros, também foram dadas como desaparecidas.

A tragédia ocorre em uma das regiões montanhosas mais extremas do planeta, marcada por grandes altitudes, vales estreitos e extensas áreas glaciais.

O que provocou a avalanche

A causa exata do desastre ainda está sendo investigada. A Agência Nacional de Desastres informou que ocorreu uma avalanche envolvendo neve e rochas.

Horas antes da enxurrada, um terremoto de magnitude 4,4 foi registrado na região, com profundidade estimada em 10 quilômetros. Ainda não há confirmação de que o tremor tenha provocado a avalanche ou contribuído diretamente para o desastre.

Os especialistas, portanto, tratam essa possível relação com cautela, enquanto as autoridades analisam a sequência dos acontecimentos.


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Inundações repentinas na fronteira Nepal-China (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Anadolu)


Geleira pode ter contribuído para a tragédia

A região atingida reúne montanhas, vales estreitos e geleiras. Apesar da aparência predominantemente congelada, esses sistemas podem armazenar água líquida em diferentes camadas.

Outro fator considerado pelos especialistas é o período de monções, marcado pelo aumento das chuvas na região. Segundo as informações disponíveis, houve precipitação persistente nos dez dias anteriores ao desastre, além de chuvas de intensidade moderada a forte no sul do Tibete.

Esse acúmulo de água pode ter contribuído para aumentar o volume presente na bacia do Rio Trishuli antes da avalanche. No entanto, a combinação entre água armazenada e chuva acumulada não significa, por si só, que esses fatores tenham causado o deslizamento. Eles ajudam a explicar as condições ambientais existentes no momento da tragédia.

A sequência do desastre pode ter começado quando uma grande massa de gelo, neve e rochas desceu pela encosta e atingiu o Rio Trishuli.

Com a quantidade de sedimentos e blocos transportados pelo movimento, o curso do rio teria sido parcialmente ou totalmente bloqueado, criando uma espécie de barragem natural.

A água começou então a se acumular atrás dessa barreira. Com o aumento do volume e da pressão, a estrutura acabou sendo superada, provocando uma enxurrada repentina.

A força da água misturada com lama e sedimentos atingiu as áreas localizadas rio abaixo, dificultando a reação de moradores e turistas.

“Isso causa uma cheia repentina, sem que ninguém pudesse se preparar para esse volume de água”, explicou Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de riscos.


Momento em que a avalanche é registrada (Vídeo: reprodução/X/@AnaliseGeopol)


Região não registrou o risco com antecedência

Autoridades do Nepal e do Tibete afirmaram que o desastre não foi identificado previamente pelos sistemas de monitoramento de risco disponíveis na região.

A característica repentina do fenômeno é um dos fatores que dificultaram a retirada das pessoas. Uma eventual ruptura de uma barreira natural formada por gelo, rochas e sedimentos pode provocar uma inundação em poucos minutos, deixando pouco tempo para uma resposta.

O número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as equipes de emergência avançam pelas áreas atingidas e localizam pessoas desaparecidas.

Terremoto pode ter relação com o desastre

O terremoto registrado horas antes também passou a ser analisado pelos especialistas. O tremor teve magnitude 4,4 e ocorreu a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade.

Por enquanto, porém, não é possível afirmar que o terremoto tenha provocado a avalanche ou a ruptura da possível barragem natural.

A relação entre os dois acontecimentos continua sendo investigada. A definição da causa dependerá de análises das imagens de satélite, das condições da encosta e dos registros sísmicos e meteorológicos da região.

A tragédia chama atenção para os riscos existentes em áreas glaciais do Himalaia, onde mudanças repentinas nas condições das montanhas podem desencadear avalanches, deslizamentos e inundações de grande proporção.

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