Ana Elisa, deputada mais jovem eleita em MG, denuncia ameaças de morte e estupro
Com 524.216 votos, ela também se tornou a mulher mais votada da história de Minas para a Câmara dos Deputados
Ana Elisa Santos Silva, 21 anos, foi eleita deputada federal mais jovem por Minas Gerais. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu 524.216 votos e ficou em segundo lugar entre os candidatos mais votados no Estado, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL). Durante a campanha, recebeu ameaças de morte, estupro e ataques racistas por e-mail, que foram denunciadas à Polícia Civil.
Quem é Ana Elisa
Nascida em 31 de agosto de 2005 em Divinópolis, Ana Elisa é filha de uma professora que criou sozinha e estuda Direito. Antes de concorrer, trabalhou como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), onde recebia valor não divulgadoSua trajetória política começou tardiamente: filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) em março de 2026, apenas alguns meses antes das eleições, em sua primeira disputa eleitoral.

Ana Elisa (Foto: Ana Elisa/Reprodução Redes Sociais)
O convite para concorrer surgiu no mesmo mês da filiação. Sua campanha se concentrou nas redes sociais, onde ganhou projeção ao abordar temas como racismo e feminismo. Chegou a 1,9 milhão de seguidores no Instagram durante a campanha, e após a eleição esse número cresceu para quase 3 milhões.
Com a votação histórica, tornou-se também a mulher mais votada da história de Minas para a Câmara dos Deputados. Sua eleição marca a entrada no Congresso Nacional de uma geração que construiu carreira política nas redes sociais.

Deputada Ana Elisa divulgou partes da mensagem nas redes sociais (Foto: Rede sociais/Reprodução)
Ameaças durante a campanha
Ana Elisa recebeu um e-mail de ameaça em 5 de setembro, durante a campanha. O autor se identificou como integrante de um grupo supremacista branco e mencionou dados pessoais de Ana Elisa e sua família.
O conteúdo das mensagens expressava ódio explícito contra mulheres negras. Em um trecho, o autor escreveu:
“Nós não apenas toleramos mulheres pretas que acham que podem representar ‘o povo’ vestindo aqueles ternos ridículos e falando em tom alto sobre justiça social. Nós os desprezamos. E especificamente, nós desprezamos você.”
Outro trecho continha ameaças diretas de morte e violência sexual:
“Estou escrevendo isso porque decidi que você merece o fim mais humilhante da sua carreira política antes de eu pôr um fim na sua miserável vida inteira.”
Ana Elisa divulgou partes do e-mail nas redes sociais. Sua equipe informou que providências policiais e judiciais foram adotadas, incluindo ações para identificação da autoria.
Em comunicado, a equipe afirmou:
“A internet não é território de impunidade. Registros técnicos podem permitir a identificação de quem utiliza o anonimato para ameaçar, perseguir ou intimidar. Esta candidatura não aceitará que racismo, ameaça, violência sexual ou violência política de gênero sejam tratados como parte normal da vida pública.”
Investigação em andamento
O caso foi denunciado à Polícia Civil, que informou que a investigação está em andamento. A corporação comunicou que mais informações serão divulgadas oportunamente. A equipe de Ana Elisa afirmou que a tentativa de intimidação será respondida com denúncia, investigação e responsabilização.
Durante a campanha, Ana Elisa defendeu pautas como:
- Passe livre universitário intermunicipal
- Cotas raciais
- Combate ao racismo
- Fortalecimento do ensino público
- Políticas para primeiro emprego
Com a eleição, Ana Elisa chega a Brasília enfrentando o desafio de transformar sua força nas redes sociais em atuação parlamentar. Integra uma geração que faz das redes seu principal instrumento político e que agora atua em um dos ambientes mais tradicionais da política brasileira.
Sobre sua vitória, Ana Elisa declarou:
“Eu devo este resultado nas urnas ao meu esforço, à minha persistência. Mesmo com tantos impasses e com tantas pessoas que me prejudicaram no espectro político, eu continuei ativa. Persisti muito e devo isso à minha construção nas redes sociais.”
Ela frequentemente afirma que redes sociais elegem. Durante a campanha, fez críticas ao PT pela falta de renovação e defendeu maior presença de jovens e negros nos espaços de poder, além de criticar a comunicação do partido com a geração Z.
Sua posse na Câmara dos Deputados está prevista para 1º de fevereiro de 2027.
