Fama de “bom moço” de Ed Sheeran acaba no centro da maior crise de sua carreira
Quatro artistas abandonaram a turnê em solidariedade ao rapper. Críticos questionam por que o cantor não enfrentou os donos dos estádios
Ed Sheeran enfrenta uma crise de repercussão em sua turnê pelos Estados Unidos após Macklemore ser retirado da programação por manifestações de apoio à Palestina. A decisão ocorreu depois que donos de estádios, entre eles o bilionário Robert Kraft, teriam sinalizado que não receberiam os shows caso o rapper permanecesse entre as atrações. Sheeran afirmou que a retirada não partiu dele, mas da promotora responsável pela excursão.
A situação provocou uma reação em cadeia no setor musical. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram a saída da turnê, citando a retirada de Macklemore e questões relacionadas à liberdade de expressão. O cantor britânico, que historicamente evita transformar seus shows em espaços de disputa política, passou a ser criticado justamente por sua postura diante do episódio.
Como começou a polêmica com Macklemore
Macklemore havia sido escalado para abrir parte da turnê de Sheeran nos Estados Unidos. Durante uma apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o rapper declarou apoio à Palestina e pediu que o público gritasse “Free Palestine”. Ele também apresentou a música “Hind’s Hall”, acompanhada por imagens relacionadas à guerra em Gaza.
Após novas manifestações do artista no dia seguinte, a situação ganhou dimensão maior. Segundo relatos publicados pela imprensa americana e britânica, proprietários de estádios passaram a pressionar para que Macklemore não participasse das apresentações seguintes. Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e do Gillette Stadium, foi apontado como um dos empresários envolvidos nas conversas.
Em 15 de setembro, Sheeran publicou um comunicado nas redes sociais para explicar sua versão dos acontecimentos. O cantor afirmou estar “indignado” com o conflito entre Israel e Palestina e classificou o sofrimento provocado pela guerra como uma tragédia humana.
Segundo Sheeran, ele tentou intermediar conversas entre a equipe da turnê, os proprietários dos locais e pessoas dos dois lados do debate. No entanto, afirmou que a decisão final foi tomada pela promotora.
“Macklemore saindo da turnê foi uma decisão da promotora, não minha”, declarou o cantor.
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Ed Sheeran acaba no centro da maior crise de sua carreira (Foto: reprodução/Instagram/@teddysphotos)
A postura política de Ed Sheeran
A controvérsia ganhou força porque Sheeran construiu ao longo da carreira uma imagem de artista acessível e pouco envolvido em disputas políticas. O cantor já afirmou que prefere utilizar sua música para aproximar pessoas de diferentes origens e vê seus shows como espaços de segurança e convivência.
Apesar disso, Sheeran já se manifestou anteriormente sobre algumas questões públicas. Em 2017, por exemplo, declarou apoio ao então líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn. Também participou de iniciativas relacionadas à Ucrânia e utilizou sua plataforma em campanhas envolvendo direitos autorais e outras questões da indústria musical.
A diferença, segundo o próprio artista, está em não transformar sua atuação profissional em uma plataforma de posicionamento político. Em sua declaração sobre Macklemore, Sheeran afirmou que seus shows recebem pessoas de diferentes origens, incluindo crianças, e que prefere preservar esse ambiente como um espaço de união.
A postura, porém, passou a ser questionada por artistas que deixaram a turnê. Aaron Rowe, Finneas, Lukas Graham e Beoga anunciaram suas respectivas saídas depois da retirada de Macklemore. Finneas afirmou que artistas não deveriam ser silenciados ao falar em defesa de pessoas que consideram oprimidas.
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Ed Sheeran acaba no centro da maior crise de sua carreira (Vídeo: reprodução/Instagram/@teddysphotos)
Saída de artistas aumenta pressão sobre a turnê
A sequência de desistências deixou a agenda norte-americana de Sheeran sem as atrações de abertura que estavam previstas. Finneas, que participaria de parte da excursão posteriormente, também deixou o projeto, enquanto Rowe, Lukas Graham e Beoga comunicaram suas decisões em manifestações públicas.
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Ed Sheeran acaba no centro da maior crise de sua carreira (Vídeo: reprodução/Instagram/@teddysphotos)
A controvérsia chega a um momento importante para Sheeran: neste sábado (19), o cantor volta aos palcos na Filadélfia para uma apresentação no Lincoln Financial Field. O show será o primeiro desde que a retirada de Macklemore e as desistências dos demais artistas transformaram a turnê em uma das principais discussões do mercado musical nas últimas semanas.
A discussão também ultrapassou a relação entre os músicos e passou a envolver temas como liberdade de expressão, posicionamento político de artistas, influência de proprietários de grandes arenas e os limites entre neutralidade e responsabilidade pública. Sheeran mantém a posição de que tentou preservar a turnê sem transformar os shows em espaços de disputa política, enquanto os artistas que deixaram a programação apresentaram outra interpretação sobre as consequências da retirada de Macklemore.
