Artistas cancelam abertura dos shows de Ed Sheeran após expulsão de rapper por falas pró-Palestina
Finneas, que faria apresentações em São Paulo em dezembro, foi o último a anunciar a saída em apoio ao rapper retirado por suas manifestações sobre Gaza
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram nesta terça-feira (15) que não vão mais abrir shows de Ed Sheeran. A decisão vem um dia após Macklemore ser retirado da turnê por seu discurso pró-Palestina, deixando o cantor britânico sem artistas de abertura para datas até 11 de dezembro, segundo o g1.
Finneas abriria os eventos de Sheeran em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro, como parte de uma sequência de seis shows na América Latina. Com seu anúncio, o produtor se tornou o último dos artistas de abertura a formalizar a saída.
A banda Beoga, além de abrir apresentações, também tocava com Sheeran em trechos das apresentações que incorporavam elementos da música irlandesa. Sua saída deixa a turnê sem suporte artístico adicional confirmado.
Finneas declarou apoio ao povo palestino em seu Instagram. Em sua mensagem, o produtor afirmou que: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”.
Lukas Graham também se posicionou. O dinamarquês argumentou: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer seja sua bandeira”
Aaron Rowe, como músico irlandês, trouxe seu próprio contexto. Segundo nota divulgada, ele citou conhecimento direto de genocídio, fome forçada e ocupação violenta. Beoga se identificou como membro fundador do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina.
A banda de Ed Sheeran também anunciou que está fora da turnê após o cantor expulsar o rapper Macklemore por gritar “Palestina Livre” em um dos shows. pic.twitter.com/cG9KFcXsbS
— poponze (@poponze) September 15, 2026
Ed Sheeran (Foto: reprodução/X/@poponze)
Como começou
A sequência de saídas começou com Macklemore. O rapper foi expulso da turnê após pressão de diversos locais onde aconteceriam apresentações de Sheeran nos Estados Unidos. No dia 4 de setembro, durante show no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Macklemore gritou “Palestina Livre” do palco e afirmou que queria que pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.
Uma petição do Conselho Israelense-Americano pediu a retirada do rapper. A pressão sobre os locais de apresentação resultou em sua saída confirmada.
Macklemore divulgou comunicado no Instagram reafirmando sua posição. Ele deixou claro que não se considera vítima do processo: “As vítimas são o povo palestino”
Ed Sheeran respondeu às críticas sobre a expulsão delegando a decisão. O cantor afirmou que a promotora da turnê, Messina Touring Group, foi responsável pela retirada de Macklemore. Ele declarou: “Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador”
Sheeran deixou claro que escolhe não falar publicamente sobre o assunto, mas a decisão operacional coube à promotora.
Os números do conflito contextualizam a mobilização dos artistas. De acordo com relatório da comissão da ONU, cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças, pouco mais de 20 mil em números absolutos. Esse dado aparecia nas justificativas de Macklemore e dos demais artistas que deixaram a turnê.
A organização da turnê de Ed Sheeran agora enfrenta o desafio de reorganizar as apresentações restantes até 11 de dezembro sem artistas de abertura confirmados. A promotora não informou se haverá substituições ou mudanças nas datas.
