Verstappen elogia conversas da F1 com equipes, mas cobra mudanças
Descontente com novo regulamento, Verstappen considera deixar categoria por erros nos fundamentos das regras, mas valorizou conversas da entidade com times
Um dos pilotos mais críticos ao novo regulamento da Fórmula 1, Max Verstappen voltou a se posicionar sobre o tema durante um evento realizado no Teatro Amsterdã, na Holanda.
O tetracampeão mundial, que já admitiu considerar deixar a categoria ao fim desta temporada ou da próxima, demonstrou reconhecer os esforços da F1 em dialogar com as equipes, mas reforçou que mudanças estruturais ainda são necessárias. Para o piloto da Red Bull, “algo precisa mudar”.
Críticas ao gerenciamento de energia
A principal insatisfação de Verstappen — compartilhada por outros pilotos — está ligada ao papel cada vez maior do gerenciamento de bateria nas unidades de potência previstas para 2026. Os carros têm enfrentado dificuldades para recuperar energia de forma eficiente, o que reduz a potência em determinados momentos e obriga os pilotos a recorrerem a soluções como o superclipping — quando o carro passa a recarregar no fim das retas, sacrificando velocidade.
Embora esse cenário tenha aumentado o número de ultrapassagens, há críticas dentro do paddock de que as disputas se tornaram artificiais e, em alguns casos, menos seguras. Diante da pressão, a Fórmula 1 e a FIA têm reuniões programadas com as equipes durante a pausa de abril, na tentativa de ajustar o regulamento.
Verstappen vê com bons olhos a abertura para diálogo, mas acredita que o problema é mais profundo:
“O fato de que estamos conversando já é um progresso. O problema é que, apesar de você poder ajustar um pouco esses regulamentos, fundamentalmente há algo errado. Nem todos vão admitir isso publicamente, mas é verdade”, afirmou ao jornal De Telegraaf.
Verstappen tem sido um dos mais vocais em críticas ao regulamento de 2026 (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Gongora)
Futuro em aberto na categoria
Com contrato com a Red Bull até 2028, Verstappen mantém incertezas sobre sua permanência na Fórmula 1 a longo prazo. O holandês voltou a defender uma mudança mais radical na filosofia dos motores, sugerindo um retorno aos V8 ou V10 aspirados, em contraste com os atuais V6 turbo híbridos, onde metade da potência vem da parte elétrica, e a outra metade do motor a combustão.
Paralelamente, cresce seu interesse por outras categorias, especialmente provas de longa duração, como o FIA World Endurance Championship (WEC) e competições de GT. Inclusive, durante a etapa de abertura da temporada do WEC, as 6 Horas de Ímola, o nome do tetracampeão voltou a circular com força sempre associado a elogios e expectativas. “Estou apenas tentando melhorar isso. Mesmo que eu saia em alguns anos, quero que o esporte continue sendo algo decente”, disse.
Max Verstappen e Giampiero Lambiase durante o GP do Japão (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Mark Thompson)
Mudanças na Red Bull
Verstappen também comentou a respeito da saída de seu engenheiro de pista, Gianpiero Lambiase, que deixará a Red Bull ao fim de seu contrato, em 2028, para se juntar à McLaren. Lambiase atua como engenheiro de corrida do holandês desde 2016, quando Verstappen chegou à equipe. Desde então, ambos construíram uma relação extremamente sólida dentro e fora das pistas. Como resultado, colecionaram títulos e performances dominantes.
Parceiro direto do piloto nos quatro títulos mundiais, Lambiase recebeu apoio total de Verstappen para aceitar a proposta:
“Ele me falou o tipo de oferta que recebeu. Eu disse: ‘Você seria estúpido de não aceitar’. Nós já conquistamos tudo juntos. É uma grande oportunidade, também pensando na família e na segurança que isso oferece.”
O engenheiro ítalo-britânico é mais um nome de peso a deixar a equipe austríaca desde a última temporada. A lista inclui figuras centrais no ciclo vitorioso do time das latinhas de energéticos, como Christian Horner, Adrian Newey, Jonathan Wheatley e Helmut Marko.
