Infantino se aproxima de quarto mandato na FIFA após apoio dos Asiáticos

Apoio da confederação asiática isola a UEFA e deixa a eleição de março sem um rival competitivo, enquanto Infantino reconstrói alianças após abandonar o FFE

24 out, 2026
Gianni Infantino| Foto: reprodução/Instagram/@gianni_infantino

Gianni Infantino pode ser reeleito ao cargo de presidente da FIFA, após a Confederação Asiática de Futebol (AFC) declarar apoio ao dirigente. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, na sexta-feira (23), durante congresso extraordinário em Tóquio.

Cada federação tem um voto, e o peso político está na soma dos blocos. A Ásia tem 46 votantes e a África, 54, já alinhada a Infantino. A Conmebol, com dez votos, não aderiu aos pedidos de renúncia, e a maioria da Oceania deve ficar com ele. Já a Concacaf se dividiu, e o México está entre os apoiadores. Os endossos das confederações não obrigam ninguém a votar de determinada forma, mas desenham um cenário dominante que visam garantir a reeleição do mandatário ao cargo da entidade máxima do futebol.

Da crise à reconciliação

Sheikh Salman havia se juntado ao presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, e ao da Concacaf, Victor Montagliani, nas críticas ao FIFA Forward Enterprise (FFE). O projeto previa capital privado em uma nova entidade que administraria direitos comerciais de grandes torneios, como a Copa do Mundo. Dois meses atrás, a AFC chegou a falar em “violação fundamental da confiança”.

Infantino recuou e abandonou a proposta e pediu desculpas ao Conselho da FIFA, em reunião fechada em Zurique, na semana passada. Os europeus não se convenceram, mas Salman disse em Tóquio que os dois chegaram a um entendimento e que é hora de seguir em frente. Ajudou a promessa de pagar US$ 25 milhões a cada uma das 211 associações, valor que era de US$ 1 milhão no início da gestão.


Gianni Infantivo com o troféu da Copa do Mundo (Foto: reprodução: Chris Brunskill/Getty Image Embed)


A oposição pública ao projeto, seguida de pedidos para que Infantino deixasse o cargo, levantou dúvidas sobre uma possível rachadura na base de apoio até então sólida do presidente. Dois meses antes do congresso. Em Tóquio, o tom foi outro: Salman afirmou que a Ásia está unida em torno de Infantino.

UEFA sem candidato

Sobra a UEFA, que reúne 55 associações. Mesmo que todos os europeus fechassem com um único concorrente, o bloco representaria pouco mais de um quarto do eleitorado. A entidade mantém as críticas, continua cobrando explicações sobre o FFE, hoje abandonado, e questiona outros aspectos da governança da FIFA.

O problema é que a Europa ainda não apresentou um nome considerado competitivo e fica cada vez mais isolada. A força política de Infantino sempre esteve ligada à capacidade de construir alianças além dos centros tradicionais do futebol, e é justamente nesse terreno que a oposição encontra mais dificuldade.


UEFA se vê enfraquecida em disputa política na FIFA  (Foto: reprodução: Harold Cunningham/Getty Image Embed)


O prazo para apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro, e a eleição está prevista para março. Até lá, a UEFA precisa decidir se lança um candidato capaz de conquistar apoio fora da Europa. Sem isso, a votação tende a deixar de ser um debate sobre a liderança de Infantino e a se tornar uma demonstração da sua capacidade de manter o controle do eleitorado.

 

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