Fórmula 1 considera cancelamento das demais corridas do Oriente Médio

Com Oriente Médio ainda em conflito, a Fórmula 1 se vê sem opções para evitar o cancelamento das etapas em Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi

21 jul, 2026
Abu Dhabi foi uma das etapas descartadas para 2026 | Reprodução/Instagram/@f1
Abu Dhabi foi uma das etapas descartadas para 2026 | Reprodução/Instagram/@f1

A escalada dos conflitos no Oriente Médio está cada vez mais próxima de provocar uma mudança definitiva no calendário da Fórmula 1 em 2026. Após o adiamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, a tendência é que todas as corridas previstas para a região sejam canceladas nesta temporada.

Segundo apuração do portal GRANDE PRÊMIO, a Fórmula 1 trabalha com o cenário de retirar definitivamente do calendário os GPs de Bahrein, Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi, diante da continuidade das ações militares e da falta de garantias para a realização dos eventos.

Bahrein está fora dos planos

A Fórmula 1 já comunicou às equipes que o GP do Bahrein não será disputado em 2026. A decisão foi informada durante o fim de semana do GP da Bélgica e representa mais do que a retirada de uma etapa do calendário. A Formula One Management (FOM) entende que não há condições de garantir a segurança de pilotos, equipes e milhares de profissionais envolvidos na operação do campeonato.

A prova estava inicialmente prevista para o primeiro fim de semana de outubro, período em que se esperava uma redução das tensões na região. Com a retomada dos confrontos, porém, a categoria abandonou definitivamente esse planejamento.

Além da preocupação com a segurança, pesou a complexidade logística. O transporte de carros, equipamentos e estruturas precisa começar semanas antes de cada corrida, envolvendo voos fretados, transporte marítimo, desembaraço alfandegário e reservas de hospedagem. Com o risco de agravamento do cenário durante esse processo, a FOM optou por não assumir a operação.


 Palco dos testes de pré-temporada, GP do Bahrein foi cancelado devido instabilidade na região (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Alessio Morgese)


Catar e Abu Dhabi também devem sair

A decisão em relação ao Bahrein praticamente inviabiliza o encerramento da temporada no Oriente Médio. Com isso, os GPs do Catar, marcado para 29 de novembro, e de Abu Dhabi, tradicional última etapa do campeonato, também caminham para o cancelamento. Somados às provas de Bahrein e Arábia Saudita, seriam quatro corridas retiradas do calendário.

A Fórmula 1 ainda discute se substituirá essas etapas ou se reduzirá o campeonato de 24 para 20 provas. Uma das possibilidades analisadas é transformar o GP de Las Vegas, programado entre 20 e 22 de novembro, na etapa final da temporada. Caso isso aconteça, o GP de São Paulo passaria a ser a penúltima corrida do ano. Até o momento, porém, nenhuma decisão foi oficializada.

Alternativas estão em estudo

Inicialmente, a expectativa era de que a FIA anunciasse apenas o cancelamento das etapas de Bahrein e Arábia Saudita.

No comunicado oficial, no entanto, a entidade adotou um discurso cauteloso e deixou aberta a possibilidade de remanejar essas provas caso o cenário geopolítico melhorasse — hipótese que acabou perdendo força nas últimas semanas.

Com a manutenção dos conflitos, a tendência é que Catar e Abu Dhabi também sejam excluídos do calendário. A definição deve ocorrer durante as férias de verão da categoria.

Entre as alternativas avaliadas pela FOM, o circuito de Portimão, em Portugal, aparece como um dos favoritos para receber uma etapa substituta. O autódromo possui homologação FIA Grau 1 e já sediou corridas da Fórmula 1 recentemente.

Outra opção considerada é a realização de um segundo GP do Azerbaijão, em Baku, solução que reduziria custos e facilitaria a logística das equipes.


 Azerbaijão pode receber duas provas no traçado de Baku (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Clive Mason)


Impacto esportivo e financeiro

Apesar das alternativas, a prioridade da Fórmula 1 continua sendo preservar as etapas no Oriente Médio. Bahrein, Catar e Abu Dhabi estão entre os contratos mais valiosos da categoria com promotores locais e representam receitas importantes provenientes de taxas de promoção, hospitalidade, patrocínios e acordos comerciais.

Caso o cancelamento das quatro corridas seja confirmado, a categoria sofrerá não apenas uma mudança significativa em seu calendário esportivo, mas também um impacto financeiro relevante em uma das regiões mais estratégicas para o campeonato.

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