Flamengo lida com pior crise sob comando de Filipe Luís
Trabalho no clube ainda é respaldado por departamento, mas Bap aumentou cobrança nos últimos dias e deve ter nova reunião com a comissão técnica
A derrota por 3 a 2 para o Lanús, na última quinta-feira (26), marcou o momento mais delicado da trajetória de Filipe Luís no comando do Flamengo. Desde que assumiu o time principal como interino, em outubro de 2024, o treinador não havia enfrentado um ambiente de cobrança tão intenso. Pela primeira vez, o Maracanã subiu o tom — e os protestos vieram direto das arquibancadas.
Após perder a Supercopa do Brasil para o Corinthians, o Flamengo também ficou com outro vice, o da Recopa Sul-Americana, acumulando dois tropeços relevantes logo no início da temporada.
Respaldo interno, pressão externa
Apesar da insatisfação crescente da torcida, Filipe Luís ainda conta com respaldo da diretoria. Internamente, a avaliação é de que a troca de comando não resolveria os problemas estruturais do time neste momento. O entendimento é que há tempo para recuperação — mas a margem de erro diminuiu.
O desgaste, no entanto, não começou agora. Durante o processo de renovação contratual, houve tensão nos bastidores. A demora no acerto incomodou o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que chegou a discutir alternativas no mercado. No fim, houve concessões dos dois lados, e o clube atendeu a pedidos do treinador no planejamento do elenco.
Com a manutenção de pilares do grupo e a chegada de reforços de peso, como Lucas Paquetá, a cobrança por desempenho subiu naturalmente. O investimento elevou a expectativa — e a tolerância com resultados negativos diminuiu.
Coletiva de Filipe Luís no pós-jogo (Vídeo: reprodução/Youtube/ESPN Brasil)
Presidente mais presente
Nos últimos dias, Bap intensificou a sua presença no Ninho do Urubu e elevou o tom das cobranças após a derrota no jogo de ida contra o Lanús. Uma nova reunião com o departamento de futebol não está descartada. O presidente quer respostas rápidas, sobretudo após um 2025 vitorioso, que terminou com os títulos da Libertadores e do Brasileirão.
Agora, Filipe Luís enfrenta um desafio diferente daquele que superou como técnico em ascensão: a de gestão de crise. Há ruídos com parte do elenco, insatisfações pontuais com escolhas táticas e, principalmente, o início de um distanciamento com a torcida rubro-negra. Após a derrota no fim do jogo de ontem, o técnico foi vaiado pela primeira vez, e ainda, em pleno Maracanã.
O Lanús venceu seu primeiro título de Recopa Sul-Americana (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Mauro Pimentel)
O jogo que ampliou a crise
Em campo, o roteiro da decisão escancarou as fragilidades do Flamengo. O Lanús adotou postura reativa no primeiro tempo, aguardando o erro rubro-negro, e ele veio. Após sobra de bola em cobrança de falta ofensiva do Flamengo, um recuo mal executado terminou com escorregão de Rossi e gol de Rodrigo Castillo, ampliando a vantagem argentina no agregado.
A reação foi imediata. Cinco minutos depois, pênalti convertido por Giorgian De Arrascaeta recolocou o Flamengo no confronto. No segundo tempo, novo pênalti, novamente convertido, levou a decisão para a prorrogação.
Quando a disputa por pênaltis parecia inevitável, José María Canale marcou de cabeça após escanteio. Nos minutos finais, com o Flamengo totalmente no ataque e exposto defensivamente, Dylan Aquino fechou o placar e confirmou o título para os argentinos.
Divisor de águas
O cenário impõe urgência. O Campeonato Carioca surge como possível ponto de inflexão: a conquista pode reequilibrar o ambiente; uma nova frustração pode acelerar decisões. Além do treinador, o próprio departamento de futebol está sob análise da presidência.
Filipe Luís, ídolo recente como jogador, agora precisa provar capacidade de reinvenção como técnico. A crise não é apenas de resultados — é de confiança. E, no Flamengo, confiança é moeda volátil. Na próxima segunda-feira (02), enfrenta o Madureira, às 21:00, pela volta da semifinal do Carioca.
