Clássico dos Gigantes: por que Fluminense e Vasco vivem uma rivalidade em nova intensidade
Rivalidade entre Fluminense e Vasco cresce por disputas no Maracanã, provocações nas redes e equilíbrio recente em campo, acirrando o clássico
O duelo entre Fluminense e Vasco deixou de ser apenas mais um clássico carioca para ganhar contornos mais acirrados e complexos nos últimos anos. A semifinal da Copa do Brasil de 2025, com os dois clubes frente a frente novamente, é emblemática de uma rivalidade que cresceu em campo, nas redes sociais, na disputa por símbolos e até fora do gramado.
A disputa pelo Maracanã e batalhas simbólicas
Um dos fatores recentes que alimentou a tensão entre as diretorias e as torcidas foi a longa disputa pelo lado direito do Maracanã, setor tradicionalmente reservado para uma das torcidas nas partidas entre os dois clubes. Desde a reabertura do estádio em 2013, quando o Fluminense passou a ocupar o setor pela nova administração do estádio, o debate sobre quem teria direito ao espaço virou motivo de embates, provocações e batalhas jurídicas. Embora um acordo recente tenha amenizado o conflito formal, a memória dessa disputa persiste entre os setores mais fanáticos de cada torcida.
O ambiente digital tornou-se uma nova arena para alimentar o clássico. Em 2023, uma provocação do Vasco após um clássico com a frase “sensação sensacional” foi interpretada por parte da torcida e da direção do Fluminense como insensível e gerou forte repercussão, aprofundando o mal-estar entre os clubes. A resposta tricolor, por sua vez, muitas vezes resgata episódios históricos antigos para provocar o rival, inclusive referências ao passado vascaíno na Série C de 1999.
Essa escalada de provocações transforma a rivalidade esportiva em algo mais amplo, envolvendo debates de identidade e interpretação cultural que ultrapassam a simples discussão futebolística.
Vasco é o maior vencedor do clássico, com 156 vitórias (Foto: reprodução/Wagner Meier/Getty Images Embed)
Simbolismo de uniformes e identidade
Outro elemento que aqueceu a rivalidade foi a discussão sobre a faixa diagonal no uniforme, tradicional símbolo do Vasco. Quando o Fluminense relançou sua versão da faixa, setores da torcida vascaína acusaram o rival de “cópia”, enquanto o clube tricolor argumentou que a utilização da faixa remonta a momentos históricos diferentes no futebol brasileiro. Esse tipo de debate pode parecer anedótico para observadores casuais, mas nos nichos das torcidas serve como combustível para rivalidades que parecem não se esgotar apenas nos resultados esportivos.
A história recente também é pontuada por episódios de jogadores que passaram de um clube ao outro, como Germán Cano, ídolo vascaíno que se tornou figura de destaque no Fluminense, e isso ampliou narrativas de “traição” ou confronto direto de lealdades, sentimentos que reverberam com intensidade nas arquibancadas e nas redes.
Dentro de campo, os confrontos entre Fluminense e Vasco também seguem marcados pela competitividade. Os resultados recentes trazem equilíbrio e momentos dramáticos em campeonatos nacionais, com vitórias expressivas de ambos os lados e provocações imediatas depois dos clássicos. Esse clima de “tira-teima” alimenta a noção de que cada jogo não é apenas pela tabela, mas pela supremacia simbólica entre os dois clubes.
Cano trocou cruz-maltino pelo tricolor carioca em 2022 (Foto: reprodução/MAURO PIMENTEL/Getty Images Embed)
Copa do Brasil 2025: novo episódio de um clássico renovado
Neste fim de 2025, com os dois clubes disputando uma vaga na final da Copa do Brasil, a tensão é um reflexo dessa rivalidade ampliada. Não se trata apenas de uma vaga em uma final nacional, mas de afirmar identidades e superioridade diante de um adversário histórico, em um contexto onde as redes sociais, gestões administrativas de estádios e confrontos simbólicos compõem tanto o enredo quanto os 90 minutos de jogo.
