Flamengo mira estratégia de desfalcar rivais brasileiros na temporada

Clube rubro-negro ataca mercado nacional e vai atrás dos destaques da última temporada de rivais, estratégia semelhante a usada na Bundesliga

09 jan, 2026
Presidente do Flamengo, "Bap" | Reprodução/Instagram/@flamengo
Presidente do Flamengo, "Bap" | Reprodução/Instagram/@flamengo

Os quatro nomes que entraram no radar do Flamengo neste início de 2026 — Gabriel Brazão, Vitão, Marcos Antônio e Kaio Jorge — todos têm algo em comum: foram protagonistas em seus clubes na última temporada. Mais do que reforçar o elenco, a estratégia rubro-negra nesta janela de transferências passa por enviar um recado claro ao mercado nacional — o clube quer se fortalecer e, ao mesmo tempo, enfraquecer concorrentes diretos na briga por títulos em 2026.

O movimento representa uma mudança de abordagem em relação à última janela. No meio de 2025, o Flamengo concentrou suas investidas no mercado europeu, em uma ação igualmente simbólica de poder financeiro e esportivo. Jorginho (Arsenal), Saúl e Samuel Lino (Atlético de Madrid), Emerson Royal (Milan) e Carrascal (Dínamo Moscou) chegaram ao clube em uma janela que custou cerca de R$ 300 milhões, a mais agressiva da história rubro-negra.

Foco no mercado nacional não significa economia

A opção por mirar destaques do futebol brasileiro não indica contenção de gastos. Pelo contrário: os alvos mapeados pelo Flamengo estão valorizados e têm contratos robustos. A negociação por Vitão, único reforço confirmado até o momento, ilustra esse cenário. O zagueiro custou cerca de 10 milhões de euros (R$ 65 milhões), valor que inclui o perdão da dívida de aproximadamente 5 milhões de euros do Internacional referente à compra do volante Thiago Maia.

As demais negociações esbarraram na resistência dos clubes envolvidos. O Santos considera o goleiro Gabriel Brazão inegociável e estipulou multa rescisória de R$ 370 milhões para o mercado nacional. O São Paulo, recém-adquirente de Marcos Antônio por 4,2 milhões de euros (R$ 26,3 milhões), só aceita discutir uma venda por valores superiores. Já o Cruzeiro recusou três propostas do Flamengo pelo atacante Kaio Jorge — a última, de 30 milhões de euros (R$ 188 milhões), a maior já feita pelo clube por um jogador.


 Kaio Jorge era principal alvo na janela (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Pedro Vilela)


Uma lógica à la Bayern de Munique

Em dezembro, o CEO do Grêmio, Alex Leitão, sintetizou bem o incômodo de parte do futebol brasileiro com essa postura rubro-negra. Ao comentar a disputa interna da Libra — judicializada ao longo do ano —, o dirigente afirmou que o Flamengo tenta “transformar o futebol brasileiro na Bundesliga” e assumir o papel de Bayern de Munique. A crítica mirava, sobretudo, os clubes que não conseguiram se estruturar para rivalizar com o poder financeiro e organizacional do Rubro-Negro.

A comparação não é fortuita. Historicamente, o Bayern construiu hegemonia na Alemanha ao reforçar seu elenco com os principais destaques dos rivais nacionais. Casos emblemáticos incluem Michael Ballack (Bayer Leverkusen, 2002), além de Lewandowski (2014), Götze (2013) e Hummels (2016 e 2019), todos vindos do Borussia Dortmund. Outros exemplos passam por Neuer (Schalke, 2011), Goretzka (Schalke, 2018), Gnabry (Werder Bremen, 2017) e até Sadio Mané, contratado do Liverpool em 2022.


 Bayern de Munique contrata jogadores de rivais para enfraquecê-los (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Jasmin Walter)


Planejamento esportivo e visão de mercado

Internamente, o Flamengo reconhece que, apesar do poder financeiro, ainda enfrenta dificuldades para atrair protagonistas de grandes clubes europeus, sobretudo pela menor visibilidade do futebol sul-americano nesses centros. Nesse contexto, investir pesado em jogadores consolidados no mercado nacional surge como alternativa mais viável — esportivamente segura e estrategicamente agressiva.


Marcos Antônio esteve na mira do Flamengo antes de permanecer no São Paulo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Marco Galvao)


A diretoria trabalha com o objetivo de montar um elenco capaz de sustentar dois times competitivos, com atletas habituados à titularidade. Por isso, a prioridade recai sobre jogadores que já são protagonistas em suas equipes. Mesmo diante das negativas, o clube entende que o recado ao mercado foi dado: o Flamengo está disposto a investir alto para não precisar “escolher competições” em 2026 e sustentar ambições em todas as frentes.

Mais notícias