Zélia Duncan fala sobre câncer de tireoide e revela que doença quase tirou sua voz

Durante entrevista ao videocast do Globo, a cantora detalha o diagnóstico de 2017, a cirurgia e o processo de recuperação vocal que marcou sua vida

25 ago, 2026
Zélia Duncan I Reprodução/Instagram/@zeliaduncan
Zélia Duncan I Reprodução/Instagram/@zeliaduncan

Zélia Duncan revelou em entrevista ao videocast Conversa vai, conversa vem do Jornal Globo que descobriu um câncer de tireoide em setembro de 2017, aos 50 anos. A cantora descreveu a experiência como seu maior medo: perder a voz, seu principal instrumento artístico. Operada em dezembro daquele ano, conseguiu se recuperar e hoje segue sua carreira.

“Pior que morrer”. Essa foi a sensação de Zélia Duncan diante do risco de perder o principal instrumento de sua arte: a voz.

No período entre o diagnóstico e a cirurgia, a cantora viveu intensamente o impacto emocional da descoberta. De setembro a dezembro, Zélia cantava como se estivesse se despedindo da cena. No camarim, chorava diante da incerteza. A fonoaudióloga que a acompanhava tentava fazê-la enxergar a situação de outra forma e disse: “Para de se despedir”. Havia muitos compromissos profissionais agendados, então Zélia pediu ao médico para adiar a cirurgia até depois do último show. Como não era urgente, o médico concordou.

O diagnóstico que abalou

Zélia vivenciava seu melhor momento profissional quando recebeu o diagnóstico. Havia um ano estava com Flavia, sentia-se forte e saudável. Além disso, passava pela menopausa, o que deixava a situação ainda mais delicada. A parada da reposição hormonal precisaria ser feita antes da cirurgia.

Sua relação com o próprio corpo sempre foi particular. Na juventude, era tão protetora da voz que não deixava tocarem seu pescoço e carregava sempre um casaco. Tinha o apelido de “florzinha de estufa” dentro do grupo em que trabalhou. Era a careta: não fumava, não bebia, cuidava de si mesma com rigor.

O diagnóstico desferiu um tombo emocional muito forte. Até hoje Zélia sente-se em um processo de adaptação. Andou muito, se curou no palco, como ela mesma relata. Mas o medo foi companheiro constante durante meses.


 

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Zélia Duncan revela que quase perdeu a voz durante tratamento contra câncer de tireoide (Vídeo: reprodução/Instagram/@jornaloglobo)


A cirurgia e o primeiro teste

Ao acordar da cirurgia, Zélia estava muda e apavorada. O médico pediu que ela falasse algo. Sua primeira frase foi: “Um dois três testando”.

Esse momento marca o ponto de virada. Apesar do medo que ainda pairava sobre ela, a voz continuava ali. A situação com a idade e a menopausa poderia ter agravado ainda mais uma voz grave, mas Zélia recebeu uma grata surpresa na recuperação.

O processo pós-operatório exigiu exercícios específicos e trabalho intenso com a fonoaudióloga. O projeto mais desafiador veio depois: trabalhar com o violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum. A voz e o violoncelo juntos demandavam muito; era como botasse uma lente de aumento sobre cada imperfeição. O esforço emocional foi considerável.

O mais doloroso, porém, era precisar pensar antes de cantar. Cantar sempre havia sido a coisa mais natural do mundo para ela. Agora tinha que calcular onde respirar, como respirar, a intensidade de cada nota. Tudo que antes era instinto virou técnica. Zélia teve que se adaptar a esse novo jeito de existir através da música.

A recuperação e o ressignificado

A recuperação emocional acontecia a cada apresentação. Chorava muito antes de entrar em cena, lavava o rosto, se maquiava e ia para o palco. Assim, aos poucos, foi se refazendo. Hoje Zélia se sente bem, embora guarde uma cautela: mantém sempre um lugar de “gato escaldado”. Não tem medo do microfone. Não tem medo do palco.

Essa trajetória ganhou novo significado com o disco Agudo grave, seu 21º álbum. A faixa Voz, parceria com Maria Beraldo, encerra com um verso que resume toda essa jornada:

“E as cicatrizes todas cantam por mim”.

O álbum, desenvolvido com a ajuda de Maria Beraldo e Tó Brandileone, questiona o que foi recuperado, quem é a nova Zélia para cantar, como está a voz agora. Não é apenas um disco; é uma ressignificação de tudo que viveu. As cicatrizes, tanto a do pescoço quanto as emocionais, transformaram-se em parte de sua arte.

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