Cíntia Chagas celebra nova fase e revela: “Nunca quis ser casada”
Influenciadora muda posicionamento conservador e lança livros que a distanciam da submissão feminina que antes defendia
Cíntia Chagas, 43, diz estar em uma renovação e afirma que nunca quis ser casada. A influenciadora, que antes adotava posição conservadora, agora fala sobre independência feminina e busca libertar outras mulheres com seu conteúdo nas redes sociais, onde tem mais de sete milhões de seguidores.
A mudança de posicionamento coloca Cíntia em contato com uma dimensão que ela mesma reconhece ter negligenciado. “Nunca quis ser casada. Existe uma mulher como eu, ansiosa para ouvir o que eu tenho a dizer. Se eu tivesse entrado em contato com mulheres do meu tipo lá atrás, eu não teria me forçado a me casar”, declarou à UOL.
“Esse sonho nunca foi genuinamente meu. Eu sempre quis ser rica e famosa. Esses eram os meus sonhos: viajar, conhecer o mundo.”
Para Cíntia, a libertação passa por nomear o que ela chama de desconstrução. Ela explica que se deixou levar por um sonho do imaginário coletivo, não individual. A visibilidade que conquistou nas redes sociais agora serve a outro propósito: mostrar a outras mulheres que a independência é possível.
“É libertador, não só por mim, mas também e sobretudo pelo fato de existirem muitas mulheres como eu”, afirmou Cíntia.
Libertação e Desconstrução
O novo discurso de Cíntia aparece em suas publicações recentes. Ela publicou que “a mulher sábia nem marido tem” e afirmou não ter vocação para ter “homem em casa”. Também relatou ter se sentido como uma “vaca marcada” após adotar o sobrenome dos ex-maridos. Quando questionada sobre não ter filhos, rebate críticas com a mesma firmeza com que apresenta sua nova perspectiva.
Seu público, composto por pessoas que a acompanham há anos, continua fiel mesmo quando discorda de suas posições. Há também quem se revolte com suas declarações atuais. A dinâmica, porém, não a detém. Cíntia mantém que quem não se contradiz tem pensamento plano e raso, e que ela nunca foi uma pessoa plana ou morna.
Virada de Posicionamento
O ponto de inflexão ocorreu em outubro de 2024, quando Cíntia acusou o ex-marido, deputado Lucas Bove, de agressão. Bove nega as acusações. Na ocasião, Cíntia prometeu usar suas redes para promover autonomia financeira das mulheres e se desculpou por falas anteriores nas quais defendia submissão feminina.
Essa promessa ganhou forma concreta em 2026. Cíntia lançou “Sexo, Amor e Hipérboles”, descrito como livro autobiográfico que promete deixar “a moral e os bons costumes da porta para fora”. O volume traz contos sobre sexo e relacionamentos, histórias inspiradas em situações vividas por ela ou por pessoas próximas. Um dos mais pessoais, segundo Cíntia, é “O Banana”, no qual ela foi protagonista de uma narrativa sobre uma adolescente que provoca um professor.
No mesmo ano, lançou “A dor comum” em parceria com Manuela d’Ávila. O projeto nasceu de um debate entre as duas na GloboNews e busca demonstrar que “a força da união é maior do que a da divisão”. Ambas debatem dores enfrentadas por mulheres, conectando vivências pessoais a reflexões coletivas.
Quando perguntada se os livros fazem parte de uma estratégia de reposicionamento, Cíntia nega. Para ela, são expressão de quem ela é. Segundo sua avaliação, cansou das nomeações e categorizações que pesaram contra ela ao longo dos anos.
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Cíntia Chagas celebra nova fase (Vídeo: reprodução/Instagram/@splash_uol)
Recusa de Rótulos
Cíntia se vê como pessoa em construção e desconstrução contínua. Rejeita o rótulo de feminista, acreditando que isso limitaria seu diálogo com seguidores de posições conservadoras. Sua intenção não é passar de um extremo para outro, mas manter ponte com diferentes grupos. Parte da sociedade, ela observa, tem visão estereotipada do feminismo, e ela prefere não se enquadrar em categorias que possam afastar seu público.
Vida Pessoal
Sobre sua vida pessoal, Cíntia mantém o mistério. Foi fotografada deixando a peça “O Céu da Língua”, estrelada pelo ator Murilo Benício, em maio de 2026. Quando questionada sobre possível romance, fez referência a Cazuza e à cobertura midiática: “Cazuza dizia que adorava um amor inventado, e a mídia também adora um amor inventado. Quando se tratar de um amor sólido e real, vocês saberão”.
Na televisão, Cíntia apresenta o quadro “Calma, que eu explico” no Domingo Espetacular da RecordTV, focado na importância da língua portuguesa. Sempre quis estar na TV, ressalta, nunca desejou ser influenciadora ou “influencer”. Um programa próprio permanece como sonho, condicionado a contratos, números e acertos comerciais. Ela vê a tarefa de levar a relevância da língua portuguesa para o brasileiro via TV aberta como conquista significativa, considerando a língua ferramenta de ascensão social, econômica e profissional.
