Sabrina Sato revela que perdeu a virgindade quando já era “praticamente famosa”

Em palestra sobre o transtorno, apresentadora contou como o diagnóstico explica sua dedicação extrema à carreira desde a adolescência

01 set, 2026
Sabrina Sato | Reprodução/Instagram/@sabrinasato
Sabrina Sato | Reprodução/Instagram/@sabrinasato

Sabrina Sato, de 45 anos, revelou em palestra sobre TDAH no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo que perdeu a virgindade e começou a namorar quando já era praticamente famosa na televisão. A apresentadora atribui a demora em se envolver romanticamente ao hiperfoco no trabalho, característica do transtorno que diagnosticou na adolescência.

“Eu não namorei até eu começar [na televisão]. Eu não namorava porque eu achava que isso ia me atrapalhar, que eu ia me apaixonar, que eles iam me tirar do caminho. Então eu fui perder a virgindade e comecei a namorar quando eu já era praticamente famosa”, contou Sabrina, durante o evento.

O hiperfoco na carreira

Desde criança, Sabrina sabia que queria trabalhar na televisão. Esse objetivo era tão claro que orientava todas as suas escolhas: balé, teatro e aulas de história eram atividades que a interessavam profundamente, características que ela relaciona ao hiperfoco, um sintoma do TDAH que a mantinha fixada em um único objetivo.

“Eu sempre tive essa história do hiperfoco. (…) Desde criança eu já sabia que eu queria trabalhar na televisão”, afirmou.

Sabrina começou na televisão como bailarina do Domingão do Faustão em 2000, aos 19 anos. Em 2003, participou do Big Brother Brasil 3 e ganhou projeção nacional. Após o reality, integrou o programa Pânico por cerca de dez anos antes de seguir sua carreira como apresentadora.


@sitefamosando

#sabrinasato #sato #famosa #tdah virgindade

♬ som original – Famosando

Sabrina Sato fala sobre TDAH e virgindade durante palestra (Vídeo: reprodução/TikTok/@sitefamosando)


Descoberta do diagnóstico

Sabrina foi diagnosticada com TDAH ainda na adolescência, aos 16 anos, ao ler um livro sobre o transtorno. Ao reconhecer os sintomas nas páginas, começou a se lembrar de situações da infância que, até então, pareciam isoladas.

Compreendeu por que era expulsa da sala de aula todos os dias. Era uma criança hiperativa, com mil pensamentos ao mesmo tempo, e não conseguia prestar atenção nas aulas. Os sinais estavam ali, mas ninguém havia dado um nome para o que vivia.

Os pais de Sabrina são psicólogos, segundo ela revelou durante a palestra. Apesar dessa formação, o TDAH não era discutido em sua infância. Havia um psiquiatra que trabalhava com seus pais, mas não juntos, de forma que o diagnóstico tardou em chegar.

Os rótulos da infância

Ao longo dos anos, Sabrina recebeu etiquetas que a marcaram: era chamada de bagunceira, inquieta, burra, esquecida, desorganizada e atrasada. Esses rótulos interferem na vida das pessoas de maneiras que vão muito além do momento em que são proferidos.

“As pessoas demoram anos para tirar esses rótulos da cabeça”, observou Sabrina. O impacto dessas palavras persegue a infância e reverberá na adolescência e vida adulta, moldando a forma como a pessoa se enxerga e interage com o mundo.

TDAH na gravidez

Sabrina está grávida de Nicolas Prattes, de 29 anos. A gestação trouxe uma dimensão nova aos sintomas do TDAH: a combinação da condição com os hormônios da gravidez intensificou esquecimento e desatenção de forma muito mais severa.

“E agora na gravidez eu tô péssima, tá, gente? (…) Eu não lembro de nada, eu lembro que… Tem hora que eu não lembro onde eu tô. Eu falo: gente, como que minha cabeça tá tão doida assim?”, disse Sabrina durante a palestra.

A culpa se mistura ao cansaço. Sabrina relata se sentir muito desligada e relaciona o momento às responsabilidades que se acumulam: cuidar do bebê, cuidar de tudo, dar conta de tudo simultaneamente.

“Juntou tudo. Juntou mamãe se sentindo culpada porque tem que dar conta agora. (…) Tem que cuidar do bebê, cuidar de tudo e dar conta de tudo. E, ao mesmo tempo, eu tô muito desligada, tô muito pior”, afirmou.

Sabrina brinca com a própria dificuldade em manter o raciocínio coerente durante conversas. Começa a falar de um assunto e muda para outro. Inicia uma frase e esquece o que estava dizendo. A leveza do tom não apaga a frustração real de quem vive isso diariamente.

Conscientização e embaixadora

Sabrina é embaixadora da campanha TDAH Levado a Sério, promovida pela Apsen. A iniciativa busca ampliar a compreensão sobre o transtorno e seus impactos reais na vida das pessoas, reduzindo preconceitos associados ao diagnóstico.

Ao compartilhar sua experiência pessoal em eventos como a palestra no Museu da Língua Portuguesa, Sabrina abre espaço para que outras pessoas se reconheçam nos relatos e busquem ajuda. O conhecimento sobre TDAH ainda é fragmentado na população, e histórias como a dela ajudam a preencher essa lacuna.

Mais notícias