Ebola avança no Congo e Quênia confirma oitavo caso da doença

Autoridades reforçam medidas sanitárias diante da expansão geográfica do vírus; falta de tratamento aprovado dificulta o combate à epidemia na região

19 out, 2026
Medidas sanitárias tentam conter o vírus | Reprodução/Instagram/@metropoles
Medidas sanitárias tentam conter o vírus | Reprodução/Instagram/@metropoles

O surto de ebola na África Central ganhou novas informações neste domingo (18), com mais uma infecção confirmada no Quênia e o registro de mais casos em uma nova província da República Democrática do Congo (RDC). O paciente queniano, um homem de 49 anos, teve resultado positivo depos de um possível contato com o vírus durante o acompanhamento de outro infectado. No território congolês, dois casos foram confirmados em Ubangi do Norte, onde uma das pessoas morreu.

Casos ampliam área de risco

O homem infectado no Quênia teve febre, dor de cabeça e dores musculares. Patrick Amoth, diretor-geral de Saúde do país, afirmou que ele fazia funções de acompanhante para um paciente e era responsável por higienizar utensílios e roupas de cama, situações que podem ter causado a contaminação. O novo caso tem associação com a primeira infecção detectada no território queniano neste surto, confirmada no início de outubro.

O paciente inicial tinha viajado da República Democrática do Congo para Nairóbi, capital do Quênia, e faleceu em um hospital no dia 5 de outubro. Quando os sintomas apareceram no sábado, o homem de 49 anos foi isolado das outras pessoas em quarentena e realizou exames. O resultado positivo foi confirmado no dia seguinte. Amoth disse que 38 pessoas fizeram testes naquele domingo, e uma delas recebeu diagnóstico positivo.


Número de casos de Ebola aumenta na RD Congo (Foto: reprodução/X/@JovemPanNews)


Na RDC, os dois pacientes identificados em Ubangi do Norte eram homens de 20 e poucos anos e viviam na região de Wapinda, próxima a Bas-Uele, onde a doença já estava presente. A confirmação mostra que o surto alcançou a oitava província congolesa, aumentando a preocupação com a chance de disseminação para áreas vizinhas. Ubangi do Norte faz fronteira com a República Centro-Africana, e as informações divulgadas apontam que a região ainda não havia confirmado casos.

Medidas tentam conter transmissão

O balanço mais recente mencionado pelas autoridades indica 9.415 casos e 4.536 mortes na República Democrática do Congo. O surto foi declarado em maio e é considerado o mais mortal já registrado no país. Embora alguns focos apresentem diminuição, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a doença continua se espalhando por novas áreas.

Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da OMS para a África, destacou que convencer pessoas infectadas a buscar ajuda é um dos principais obstáculos. Parte das mortes ocorre dentro das próprias casas, antes que os pacientes consigam procurar serviços de saúde a tempo.

Para tentar barrar a circulação do vírus, autoridades de Kivu do Norte acionaram restrições temporárias à entrada de pessoas vindas de Ituri, previstas antes para começar na segunda-feira (19) e durar uma semana. As medidas também incluem limitações ao transporte de passageiros em motocicletas e carros, e suspensão de grandes aglomerações, eventos esportivos, presença em casas noturnas e manifestações políticas.

A epidemia é provocada pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola que não possui vacina ou tratamento aprovados. Outros fatores que prejudicam mais a resposta à emergência são a mobilidade da população, a violência de grupos rebeldes, a desconfiança em relação às autoridades e as condições difíceis enfrentadas pelas equipes de saúde.

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