Câncer de pulmão em estágio inicial tem alta chance de cura; veja o caso do Papa

Tumor foi descoberto em exame de rotina e removido com sucesso em procedimento de 90 minutos

14 out, 2026
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@jornal_opopular
Papa Leão XIV | Reprodução/Instagram/@jornal_opopular

O Papa Leão XIV, aos 71 anos, foi diagnosticado com câncer pulmão Papa Leão e submetido a cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, na última terça-feira (13). Os cirurgiões removeram o lobo inferior do pulmão direito em procedimento de 90 minutos. Sem complicações, o pontífice acordou normalmente e deve permanecer internado por uma semana.

O adenocarcinoma surge nas células que revestem as vias respiratórias e produzem muco, formando-se tipicamente na parte periférica do pulmão. Segundo o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, este tipo representa cerca de 40% dos cânceres de pulmão. O fato de o tumor ter sido descoberto em exame de rotina, e não por sintomas, aumenta significativamente as chances de cura. Como afirmou o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas: descobertas dessa forma elevam a taxa de sucesso do tratamento.

O adenocarcinoma de pulmão é o tipo com maior probabilidade de surgir também em pessoas que nunca fumaram. Quando aparecem sintomas, eles incluem tosse que não alivia, falta de ar desproporcional ao que o paciente está acostumado, infecções de repetição e perda de peso sem motivo. O cigarro continua sendo a maior causa: a fumaça contém mais de 7 mil substâncias, ao menos 50 delas cancerígenas. Poluição, gás radônio e amianto também figuram como fatores de risco.

Como foi a cirurgia

O pulmão direito possui três lobos, enquanto o esquerdo tem dois. A cirurgia videoassistida é uma técnica minimamente invasiva em que:

  • Câmera e instrumentos cirúrgicos entram por pequenos orifícios na parede do tórax
  • Pinças e instrumentos separam o lobo dos tecidos adjacentes, fechando vasos e brônquios
  • O lobo é colocado em saco reforçado e retirado por um orifício maior
  • A peça sai inteira para permitir análise completa do patologista e reduzir chances de recidiva
  • Antes de operar, a equipe confirma se o paciente possui reserva de pulmão suficiente

Segundo Ricardo Terra, professor de Cirurgia Torácica da Universidade de São Paulo: “A retirada do lobo inferior direito, como no caso do Papa, não é uma cirurgia pequena, mas deixa o paciente com a maior parte do órgão funcionando”. A remoção integral do lobo segue um princípio fundamental da oncologia: “retirar o tumor com uma margem adequada de tecido saudável ao redor reduz as chances de a doença voltar”.


Papa Leão XIV (Foto: reprodução/ Vatican Pool / Getty Images Embed)


O que falta saber

O Vaticano não divulgou o estágio do tumor nem suas mutações genéticas. Essas são as informações que determinarão o prognóstico real e o caminho do tratamento. O estágio é definido por três medidas: tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos e presença de metástase. Já as mutações indicam se existem remédios feitos sob medida para o caso específico e se será necessário tratamento complementar.

“O adenocarcinoma de pulmão, tipo de câncer diagnosticado no Papa Leão XIV, tem sobrevida de 90% a 92% em cinco anos quando é descoberto no estágio mais inicial, o 1A1”, segundo dados da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC).

A sobrevida cai conforme o tumor avança: 52% a 65% no estágio 2, 12% a 41% no estágio 3 e máximo 15% no estágio 4. Os percentuais são aproximados e variam conforme a edição do sistema de classificação TNM e a população estudada. Vale destacar que esses números não incorporam plenamente os avanços recentes em imunoterapia e terapias direcionadas.

Próximos passos

A pesquisa de mutações é obrigatória em todo paciente diagnosticado com adenocarcinoma e costuma ocorrer enquanto o paciente se recupera da operação. A cirurgia é a principal estratégia contra a doença localizada. A análise do material cirúrgico junto com o estágio determinará a necessidade de tratamentos sistêmicos: remédios direcionados às mutações específicas, imunoterapia ou quimioterapia. A radioterapia desempenha papel mais restrito, reduzindo risco de recidiva local ou aliviando sintomas.

O acompanhamento pós-tratamento é longo. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda exames de imagem a cada 3 meses nos 2 primeiros anos, depois a cada 6 meses até o 5º ano. Esse período concentra a maior parte das recidivas. Após cinco anos, recomenda-se tomografia anual, pois o risco de novo tumor persiste ao longo da vida.

Os percentuais de cura refletem o conhecimento médico atual e tendem a melhorar com o avanço dos tratamentos. Não devem ser interpretados como previsão para um paciente em particular.

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