Rússia engana pessoas vulneráveis para lutarem na Ucrânia, diz Anistia Internacional
Denúncia diz que a Rússia estaria praticando tráfico humano para recrutar soldados para a guerra contra a Ucrânia, incluindo brasileiros e Colombianos
Nesta quinta-feira (10), o grupo Anistia Internacional denunciou que a Rússia estaria traficando turistas de países como Brasil, Colômbia, Cuba, Sri Lanka e África do Sul para fazê-los lutar na guerra contra a Ucrânia. O grupo teria ouvido prisioneiros que afirmaram que foram obrigados a assinar contratos militares após chegarem em Moscou.
Suposta estratégia da Rússia
Segundo a Anistia Internacional, grupo que atua pela defesa dos direitos humanos, algumas das vítimas foram atraídas até o país com propostas de emprego falsas. Após chegarem ao país, as vítimas seriam obrigadas a assinar um contrato militar para participar da guerra na Ucrânia. Em junho deste ano, uma investigação da AFP (Agence France-Presse) concluiu que quenianos também estariam sendo atraídos à Rússia com promessas de empregos bem remunerados no setor civil.
“O sofrimento ligado… à internacionalização da guerra está afetando comunidades e indivíduos altamente vulneráveis em todo o mundo”, disse a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, em entrevista à AFP.
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Vídeo mostra ataques russos na Ucrânia, incluindo ataque de drone em shopping (Vídeo: reprodução/Instagram/@ukraine_defence)
Segundo a secretária-geral da Anistia Internacional, a Rússia mira homens com menos de 40 anos, de países mais pobres, e os atrai com falsas promessas de empregos bem remunerados. Quando a vítima chega na Rússia, todos os seus documentos e objetos são apreendidos e, então, começa uma coerção.
Agnes Callamard faz apelo
A Anistia Internacional conseguiu essas informações ao conversar com soldados da Rússia que foram presos pela Ucrânia. O grupo afirmou que não obteve permissão para fazer o contrário, ou seja, entrevistar soldados da Ucrânia presos na Rússia, para verificar se o país também comete tráfico humano.
Ativista francesa Agnes Callamard em conferência internacional (Foto: reprodução/John Macdougall/Getty Image Embed)
Agnes Callamard solicitou que a Ucrânia e líderes de países cujos cidadãos foram vítimas desse tráfico humano forneçam provas. A intenção é processar os responsáveis visando coibir que hajam novos casos pelo mundo.
“Depois vem a coerção. Os passaportes deles são confiscados. Eles são obrigados a assinar documentos que não entendem. Recebem treinamento que não compreendem”. As vítimas têm sido utilizados como “bucha de canhão”, disse Callamard.
Também foi relatado que as vítimas foram obrigadas a assinar contratos que não entendiam, que estavam mal equipados e que a barreira de idiomas dificultava a comunicação com seus superiores.
