EUA lança jogos que simulam caça e deportação de imigrantes

Os jogos foram criticados por ONGs de direitos humanos nos EUA; iniciativa ocorre em meio a ampliação de políticas de deportação de imigrantes

04 set, 2026
Casa Branca | reprodução/Pexels/Simon Gagner
Casa Branca | reprodução/Pexels/Simon Gagner

Os EUA passaram a disponibilizar, na quinta-feira, 3, jogos digitais que simulam a perseguição, prisão e deportação de imigrantes. Publicados no site oficial da Casa Branca, os games adotam estética retrô e fazem referência a títulos conhecidos, como Tetris e Snake, popularmente chamado de jogo da cobrinha no Brasil.

Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos usam a linguagem gamer para promover políticas. Em março deste ano, eles publicaram um vídeo no X que relacionava bombardeios ao Irã às cenas do jogo Call of Duty. Além disso, eles também já usaram músicas de jogos populares, como Pokémon.


Tela do Arcade, site de jogos dos EUA (Foto: reprodução/X/@Metropoles)


A divulgação ocorre em meio ao endurecimento das ações do governo norte-americano contra imigrantes, com o aumento de operações de detenção e deportação. A estratégia foi alvo de críticas de organizações que atuam na defesa dos direitos humanos.

Para Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, do Texas, a iniciativa banaliza a situação enfrentada pelos imigrantes. “Isso me dá nojo […] Quem o criou perdeu de vista o que significa ser humano e se importar com os outros”, afirmou à agência de notícias AFP após a divulgação dos jogos pela administração norte-americana.

Casa Branca defende iniciativa

Em resposta à repercussão, a Casa Branca justificou a publicação dos jogos em declaração enviada à AFP. De acordo com o governo, os conteúdos serviriam para reforçar a diferença entre uma cultura considerada “divertida” e “de sucesso” e aquilo que a administração descreve como a “visão socialista sombria” defendida pelos democratas nos Estados Unidos.


Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Foto: reprodução/AFP/Brendan Smialowski/Getty Images Embed)


A iniciativa ocorre após outras ações dos EUA que também utilizaram recursos audiovisuais para divulgar operações contra imigrantes. Recentemente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) publicou imagens de haitianos algemados durante um processo de deportação.

As pessoas mostradas no vídeo haviam perdido um status migratório que anteriormente permitia sua permanência legal no país. A gravação, que utilizava música de fundo, provocou reações de adversários de Trump, que consideraram o material degradante e racista.

Comunicação aposta em conteúdo provocativo

O DHS informou ainda ter realizado quase 51 mil prisões de imigrantes sem documentos durante agosto deste ano. Conforme apurado pelo g1, segundo o departamento estadunidense, o número representa um recorde.

A divulgação de jogos e vídeos sobre as operações migratórias integra uma estratégia mais ampla de comunicação adotada pela Casa Branca. O governo tem recorrido ao chamado “trolling” nas redes sociais, prática que consiste na publicação deliberada de conteúdos provocativos com o objetivo de estimular reações, controvérsias e, consequentemente, ampliar o engajamento.

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