Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita a Israel

Projeto prevê participação de empresas americanas e enriquecimento de urânio; falta de salvaguardas amplia receio de proliferação nuclear no Oriente Médio

26 ago, 2026
Donald Trump e príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman | Reprodução/Instagram/@prince.alyami2030
Donald Trump e príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed Bin Salman | Reprodução/Instagram/@prince.alyami2030

Donald Trump mandou para o Congresso dos Estados Unidos um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita, mas um funcionário do governo americano ouvido pela Reuters afirma que o avanço do pacto está condicionado à adesão do país árabe aos Acordos de Abraão. O tratado tem previsão de validade de 30 anos e permite a colaboração entre as duas nações no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e traz oportunidades para a participação de empresas americanas no projeto.

Pacto amplia cooperação

O acordo cria uma base legal para a parceria nuclear entre Washington e Riad. Algumas das possibilidades previstas são a construção de uma instalação para enriquecimento de urânio no território saudita, ainda que o texto não determine que os Estados Unidos encaminhem essa tecnologia de maneira imediata ou construam uma usina desse formato.

A proposta também garante priorizar companhias americanas na disputa por contratos que envolvem o programa nuclear. Para Washington, a medida é uma oportunidade econômica e estratégica, pois mantém a presença das empresas dos EUA no projeto e diminui o espaço para concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul.


Trump impõe condição para o acordo (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)


A legislação americana determina que acordos dessa magnitude sejam enviados ao Congresso para revisão. Os parlamentares terão 90 dias para analisar e votar a proposta. Se Trump decidisse vetar uma eventual rejeição, seria necessária uma maioria de dois terços nas duas Casas para anular o veto presidencial.

A Arábia Saudita afirma que pretende usar a energia nuclear para ampliar sua matriz energética, reservar emissões de carbono e preservar petróleo e gás para outros objetivos. O país também quer utilizar a eletricidade gerada para atividades como dessalinização da água do mar e climatização.

Enriquecimento gera preocupação

A possibilidade de os sauditas enriquecerem urânio é uma das principais preocupações sobre o pacto. Especialistas e parlamentares americanos afirmam que a tecnologia têm aspectos civis, mas também pode permitir a fabricação de material utilizado em armas nucleares.

O texto não contém a cláusula de “padrão ouro”, que impediria o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de combustível nuclear usado. Também não consta o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica, mecanismo que aumenta a capacidade de fiscalização dos inspetores internacionais.

As preocupações aumentam com a rivalidade entre Arábia Saudita e Irã. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já disse que seu país produziria uma arma nuclear se os iranianos conseguissem uma. Críticos avaliam que permitir o enriquecimento saudita pode enfraquecer os Estados Unidos contra o programa nuclear iraniano e influenciar outros países do Oriente Médio a buscar capacidades semelhantes.

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