Petrobras planeja perfurar 15 poços na Margem Equatorial até 2030
Projeto da Petrobras enfrenta questões ambientais e aguarda nova análise do Ibama, após abertura de recurso do MPF por vazamento de fluido
O Plano de Negócios de 2026-2030 da Petrobras prevê investimentos de cerca de 12,8 bilhões de reais, na perfuração de 15 poços de petróleo na Margem Equatorial, região litoral dos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
De acordo com o g1, a estatal já protocolou o pedido de licença ambiental para a perfuração de três poços na bacia da Foz do Amazonas, na região da costa do Amapá, e aguarda liberação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para seguir.
Pressão ambiental e impactos nos territórios
Organizações ambientalistas, entre elas Greenpeace e WWF-Brasil, chamam atenção para possíveis danos ao Grande Sistema de Recifes da Amazônia, formado por corais e esponjas, e aos manguezais que se estendem pelo litoral do Amapá.
Além dos impactos sobre a biodiversidade, existe preocupação com as populações que vivem nos territórios costeiros e utilizam os recursos naturais para sua subsistência. Segundo lideranças locais e ambientalistas, uma eventual ocorrência de vazamento poderia prejudicar atividades como a pesca artesanal.
O trânsito e a operação de embarcações também podem gerar ruídos capazes de interferir na dinâmica desses territórios. Os possíveis efeitos alcançam ainda comunidades quilombolas e povos indígenas que vivem na faixa costeira.
A região é considerada estratégica para os planos brasileiros de expansão da produção de petróleo e para a segurança energética nacional. Ao mesmo tempo, a possibilidade de exploração coloca em discussão os limites entre a busca por novas reservas e a necessidade de preservar ambientes de alta relevância ecológica e garantir a proteção das populações que dependem deles.
Suspensão do projeto foi solicitada pelo Ministério Público
O projeto de exploração de petróleo da Petrobras na Margem Equatorial segue sob análise ambiental e judicial. Em 12 de maio de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) contra a autorização concedida à empresa para realizar perfurações no bloco FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas.

Imagem mostra onde Petrobras planeja perfurar poços (Foto: reprodução/Site Oficial Petrobras)
A iniciativa do MPF ocorreu após a Justiça Federal no Amapá decidir manter a autorização, mesmo depois de um incidente registrado no início do ano, quando mais de 18 mil litros de fluido sintético vazaram. Para o órgão, o processo apresenta deficiências técnicas e não contemplou adequadamente determinados riscos ambientais.
O MPF também questionou a falta de participação de comunidades tradicionais nas discussões e afirmou que fatores ligados às mudanças climáticas e à preparação para possíveis emergências não foram devidamente incorporados à análise.
Petrobras aguarda autorização do Ibama para iniciar perfurações
A exploração de petróleo na costa amazônica também é alvo de preocupação por causa da sensibilidade dos ecossistemas existentes na região. A complexidade ambiental do território levou o Ibama a solicitar análises adicionais antes de autorizar novas etapas do projeto.
A autorização para novas perfurações na Margem Equatorial ainda depende da conclusão da avaliação feita pelo Ibama. Em 14 de agosto de 2026, a Petrobras entregou ao órgão uma nova série de informações solicitadas durante o processo, que agora passam por análise técnica.
Estão incluídas no material apresentado pela estatal as modificações em estratégias destinadas à proteção da vida marinha, procedimentos para atuação em situações de emergência e levantamentos sobre efeitos que podem se acumular com a realização das atividades de exploração.
Em entrevista ao g1 em 17 de agosto, durante agenda no Centro de Reabilitação e Recuperação da Fauna, em Oiapoque, a presidente da Petrobas, Magda Chambriard afirmou que “tudo está sendo feito dentro do mais alto padrão técnico” e que a estatal está “seguindo rigorosamente o processo de licenciamento ambiental”, respeitando a flora, a fauna e o meio ambiente.
Magda Chambriard (Foto: reprodução/Getty Images Embed/AFP/Douglas Magno)
Agora resta ao Ibama verificar se as respostas e os estudos apresentados são suficientes para atender aos requisitos ambientais e de segurança antes de decidir pela emissão da licença. Enquanto essa etapa não for encerrada, os novos poços não podem começar a ser perfurados.
