Carney promete retaliação após EUA elevar tarifas sobre o Canadá

As novas tarifas entram em vigor após o fracasso das negociações, e o primeiro-ministro canadense Mark Carney promete reagir às medidas dos EUA

22 ago, 2026
Donald Trump | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump
Donald Trump | Reprodução/Instagram/@realdonaldtrump

Neste sábado (22), Os EUA voltaram a cobrar tarifas de 50% sobre produtos importados do Canadá. Isso aconteceu depois que as conversas para um novo acordo comercial não deram certo. Segundo a Reuters, o governo de Donald Trump disse que o problema foi a recusa do Canadá em aceitar a proposta apresentada.

As tarifas começaram a valer às 0h01 no horário de Washington. Em Brasília, foi à 1h01. Elas atingem cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. O primeiro-ministro Mark Carney suspendeu as negociações. Ele disse que o Canadá vai responder às novas medidas com tarifas do mesmo valor.

O representante comercial americano Jamieson Greer disse que o Canadá ainda mantém medidas contra produtos dos EUA. Outro membro do governo Trump, porém, não espera uma nova resposta do Canadá às tarifas. Washington também diz que a proposta tinha vantagens para a venda de carros canadenses no mercado americano, mas Ottawa queria mudanças nas tarifas da chamada Seção 232.

Para o governo Trump, as medidas buscam manter empregos, reforçar as cadeias de fornecimento e trazer fábricas para os Estados Unidos. A proposta em debate também incluía tratar das tarifas que o Canadá aplicou antes, em resposta às ações dos Estados Unidos.

Canadá suspende negociações e promete resposta às tarifas

O primeiro-ministro Mark Carney decidiu parar as conversas comerciais com os Estados Unidos. Ele acha que os resultados até agora não atendem aos interesses do Canadá. Com as tarifas de 50% entrando em vigor, ele diz que o país vai responder com medidas iguais, calculadas “dólar por dólar”. O objetivo é proteger empresas e trabalhadores.



Coletiva de impresa de Carney sobre tarifas dos EUA.(vídeo;reprodução/Youtube/CNBC-TV18)


A decisão é diferente da avaliação do governo Trump, que via as negociações próximas de um acordo. Segundo um representante americano, as conversas entre as duas delegações foram diretas. Mesmo assim, não chegaram a um tom hostil. As novas tarifas foram aplicadas com base na Seção 338 da legislação comercial dos Estados Unidos.

Disputa comercial já afetava diferentes setores

Os dois países já tinham impostos sobre produtos como aço, alumínio, cobre e madeira serrada. O setor de carros também está no centro do conflito. Existem regras diferentes para veículos e peças que passam pelas fronteiras. No Canadá, as medidas de resposta afetam alguns produtos dos Estados Unidos, como veículos e metais.

Isso preocupa empresas dos dois países. A produção industrial é muito conectada e depende do envio de peças entre Canadá, Estados Unidos e México. A indústria automotiva mostra bem essa dependência. Peças e veículos cruzam as fronteiras em várias fases da fabricação. Isso pode aumentar os custos para as empresas. Também pode afetar uma cadeia de produção que os três países compartilham.

Laticínios e bebidas aumentam tensão entre governos

A disputa também envolve o mercado de laticínios e outros produtos derivados do leite. Os Estados Unidos criticam o sistema canadense que limita a entrada de produtos estrangeiros. Produtos que passam dos limites estabelecidos podem receber cobranças acima de 300%. Outro ponto de atrito é o boicote a bebidas alcoólicas americanas. A maioria das províncias canadenses adotou essa medida.

Os governos locais dizem que podem cancelar o boicote se Washington suspender as restrições impostas a setores considerados estratégicos. As diferenças mostram que o impasse não está só na área comercial. Automóveis, alimentos e bebidas estão entre os principais pontos de conflito. Representantes dos dois países pressionam por uma solução que evite novas medidas de retaliação.

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