Daniel Vorcaro e PF avaliam nova proposta de delação

Após recusar dados insuficientes que tentavam blindar aliados, PF aceita analisar nova delação de Daniel Vorcaro, que envolve milícias e fraudes milionárias

28 maio, 2026
Banco Master | Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil
Banco Master | Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma semana após rejeitar a primeira oferta de colaboração de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Polícia Federal (PF) se mostra disposta a analisar uma nova proposta. A sinalização foi formalizada pelos investigadores por meio de um ofício enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do caso. De acordo com o documento, caso a defesa do banqueiro apresente novos termos, o material será discutido pelas autoridades.

A legislação brasileira garante que não há um prazo limite para esse tipo de negociação. Apresentar uma proposta de colaboração premiada é um direito assegurado ao investigado, cabendo à polícia o dever legal de avaliá-la. Até o momento, as tratativas vinham ocorrendo de forma conjunta entre a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o órgão ministerial ainda não se manifestou publicamente sobre o andamento atual das conversas.


Negociação da delação entre Vorcaro e a PF (Vídeo: reprodução/YouTube/@UOL)


Motivos para a rejeição inicial

Na semana passada, a Polícia Federal recusou formalmente o primeiro acordo oferecido por Vorcaro por considerar as informações insuficientes para o avanço das investigações. Segundo fontes ligadas ao caso, os agentes e delegados vinham reclamando que os dados trazidos pela defesa acrescentavam muito pouco ao que já havia sido descoberto pela própria inteligência policial.

Além da falta de novidades substanciais, os investigadores apontaram um entrave estratégico: a nítida impressão de que Vorcaro omitia fatos relevantes para proteger pessoas de seu círculo próximo. Diante da negativa da PF, o banqueiro sinalizou o desejo de dar continuidade às discussões diretamente com a PGR, na tentativa de convencer o Ministério Público a aceitar os termos da colaboração.

Perícia revela crimes complexos

O cerco contra o empresário se intensificou após a apreensão de mais de oito celulares em operações recentes. A perícia inicial realizada em apenas uma parte desses aparelhos telefônicos revelou elementos que surpreenderam o corpo técnico da Polícia Federal, indicando que a organização atuava em frentes muito mais graves do que as fraudes financeiras inicialmente suspeitadas.

Os relatórios preliminares apontam indícios contundentes de corrupção ativa e passiva, além da formação de uma organização criminosa estruturada. O ponto mais alarmante das descobertas, contudo, envolve o suposto uso de uma milícia privada. De acordo com os dados extraídos dos telefones de envolvidos no caso, essa estrutura armada era utilizada pelo grupo para atacar adversários comerciais e obter acesso ilegal a dados sigilosos, elevando o patamar das investigações e aumentando a pressão sobre a defesa do banqueiro.


Ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, tinha envolvimento com Vorcaro (Vídeo: reprodução/YouTube/@tvbrasil)


Conexões políticas na Operação Compliance Zero

Enquanto a negociação da delação continua em aberto, relatórios da Operação Compliance Zero revelam detalhes da estreita relação entre Daniel Vorcaro e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Mensagens obtidas pela Polícia Federal descrevem uma rotina de proximidade e alto luxo, citando degustações de uísques milionários, jantares sofisticados em Nova York e encontros informais durante o Carnaval fluminense.

Para além do convívio social, as investigações apontam desdobramentos financeiros de grande impacto público, como aportes bilionários realizados pelo RioPrevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais, no Banco Master. Segundo a PF, essas transferências de capital ocorreram mesmo diante de expressivos alertas de risco emitidos por técnicos do setor. Questionada sobre os indícios encontrados, a defesa de Cláudio Castro negou veementemente qualquer envolvimento em irregularidades.

Em contrapartida, o Banco Master afirmou formalmente que todas as suas captações e operações financeiras seguiram critérios estritamente técnicos e legais. O aprofundamento das investigações da Operação Compliance Zero coloca o Banco Master sob intensa pressão do Judiciário. Diante de novas provas e de ramificações que alcançam a cúpula política fluminense, a aceitação de uma nova proposta de delação premiada surge como o caminho mais viável para que Daniel Vorcaro tente mitigar as graves acusações de corrupção que enfrenta.

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