Demissão de Filipe Luís evidencia racha entre Boto e elenco do Flamengo
Diretor de Futebol tem relacionamento conturbado nos corredores do clube e com jogadores e seu trabalho tem sido alvo de constantes questionamentos
A demissão de Filipe Luís feita por José Boto após a coletiva de imprensa na partida entre Flamengo e Madureira, no Maracanã, chocou não apenas quem estava no local, mas também torcedores e a mídia nacional e internacional. Mesmo que o time tenha perdido duas finais importantes no início de 2026 (Supercopa do Brasil para o Corinthians e a Recopa Sul-Americana para o Lanús), o técnico ainda tinha prestígio dentro do clube, já que em 2025 ganhou títulos importantes e foi vice-campeão mundial, após perder para o PSG. A notícia desagradou o elenco e funcionários do clube, expondo o relacionamento conturbado do português dentro do Flamengo.
Demissão no vestiário do Maracanã
A saída inesperada de Filipe Luís do comando do time profissional do Flamengo após a goleada de 8 a 0 contra o Madureira pelo Campeonato Carioca na última segunda-feira (02) explanou a relação conturbada de José Boto com o elenco rubro-negro. O consenso de que o dirigente “deu um tiro no próprio pé” é quase unanimidade por quem acompanha o mundo do futebol.
A demissão, ainda no vestiário do Maracanã, durou aproximadamente um minuto, deixando os presentes perplexos. No dia seguinte, antes do treino do time principal, Boto foi ao local e se reuniu com os jogadores e comissão técnica. O português afirmou que a saída de Filipe Luís, em parte, era culpa do elenco, que priorizou suas vaidades pessoais acima do compromisso com o clube. Os jogadores se mostraram incomodados com a fala e se retiraram sem ao menos interagir com o português.
José Boto recebe premiação da Recopa (Foto: reprodução/Wagner Meier/Getty Images Embed)
Relacionamento conturbado nos bastidores
Não é de hoje que se comenta que a relação de José Boto com os jogadores é superficial e muitas vezes, inexistente. Além de não estar presente em vários momentos importantes para o time, seja na vitória ou na derrota, o dirigente não demonstra esforço para melhorar a situação. Uma destas situações foi sua ausência na corrente pós-jogo contra o próprio Madureira.
A chegada de José Boto ao Flamengo aconteceu no início de 2025. Indicado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, seu trabalho não demorou a ser questionado. A principal queixa é relacionada às contratações, que não se mostraram tão boas. Uma delas foi Juninho, anunciado em janeiro de 2025 e que já se transferiu para o Pumas, do México, um ano após a sua chegada ao rubro-negro. Outros jogadores contratados neste mesmo período ainda não são titulares do time principal.
Outros problemas com Filipe Luís também podem ter minado a relação entre dirigente e treinador. A demora na renovação do contrato alguns meses atrás, com o martelo batido às vésperas do Ano Novo, incomodou José Boto, que nos bastidores já sondava Leonardo Jardim, anunciado no comando do time nesta terça-feira (3) e com contrato até dezembro de 2027.
Filipe Luís conquistou títulos importantes no Flamengo (Foto: reprodução/Rodrigo Valle/Getty Images Embed)
O planejamento para 2026 desandou logo nos primeiros jogos oficiais, quando o time Sub-20 perdeu as partidas iniciais do Campeonato Carioca, irritando Boto, que exigiu que parte do time principal retornasse para dar continuidade no torneio regional. Ao nível de competições mais importantes, o Flamengo foi derrotado pelo Corinthians e pelo Lanús, perdendo títulos importantes para o início da temporada. Boto passou a pressionar ainda mais Filipe Luís por bons resultados, tendo em vista o alto investimento em contratações.
Mesmo goleando o Madureira e garantindo uma vaga na final do Carioca contra o Fluminense, Boto e a diretoria rubro-negra optaram por finalizar a caminhada vitoriosa do treinador. Filipe Luís teve, durante a sua trajetória, 101 jogos comandando a equipe. Foram 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas, com apenas 68 gols sofridos e 183 marcados, com o saldo positivo de 115 gols.
