Caixa negocia com o Corinthians quitação da dívida da Neo Química Arena
As negociações avançaram após a assinatura de um termo de confidencialidade permitindo que as partes discutam alternativas para saldar o débito
A Caixa Econômica Federal e o Corinthians, assinaram nesta sexta-feira, 16, em Brasília, DF, um termo de confidencialidade para avançar nas negociações da dívida pelo financiamento da Neo Química Arena, atualmente estimada em R$ 642 milhões.
Segundo informações apuradas pelo ge, o Corinthians quer quitar a dívida de R$ 630 milhões pela construção da Neo Química Arena oferecendo naming rights do estádio e outros produtos comerciais.
Situação da dívida da Neo Química Arena
Em uma nota divulgada em conjunto com o clube, a Caixa Econômica Federal admitiu pela primeira vez nesta sexta (16) que está em negociação com o Corinthians. Após a reunião com o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, o diretor júrídico Pedro Soares, o diretor cultural Rafael Castilho, lideranças da torcida organizada Gaviões da Fiel e de representantes da Caixa, o banco e o clube se manifestaram através de uma nota que houve a assinatura de um termo de confidencialidade para a continuidade das conversas.
O financiamento da Neo Química Arena é o principal fator do endividamento do clube. Desde a inauguração em 2014, o Corinthians já pagou cerca de R$ 600 milhões, mas, com correção monetária pelo CDI + 2%, o valor atualizado chega a R$ 1,246 bilhão.
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Arena Corinthians foi palco da final feminina entre o Timão e São Paulo (Foto: reprodução/Instagram/@neoquimicaarena)
Segundo o ge, o último balanço das contas do Timão trouxe a informação de que o clube pagou R$ 224,426 milhões em 2025 e 2024 e cerca de R$ 85 milhões em 2023. Com as doações de R$ 40,9 milhões da vaquinha capitaneada pela torcida organizada Gaviões da Fiel, seriam R$ 350,3 milhões pagos nos últimos três anos.
Em 2026, o clube paulista pagou as duas primeiras parcelas trimestrais, totalizando R$ 56 milhões, conforme apurado pelo ge. Faltam ainda R$ 56 milhões para serem pagos nas duas próximas prestações deste ano. Foram depositados ainda R$ 27 milhões na conta de reserva.
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Clarence Seedorf é apresentado como novo treinador do Corinthians (Vídeo: reprodução/Instagram/@clarenceseedorf/@corinthians)
O presidente Osmar Stabile cita a dívida pela Arena como principal motivador da grave crise financeira do clube, que tem endividamento total de R$ 2,723 bilhões, conforme o balanço de 2025. Ele, inclusive, mencionou a informação de que o clube pagou mais de R$ 1 bilhão em valores corrigidos.
Informações sobre as negociações
O clube propõe que a Caixa assuma o nome do estádio, que atualmente pertence a Hypera Pharma. A diretoria do considera que os naming rights (direitos de nomeação) estão valendo aproximadamente R$ 70 milhões por temporada, bem acima dos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que Hypera paga desde a assinatura do contrato, em 2020.
Segundo informações o valor dos naming rights pactuado entre ambas as partes seria possível dar a dívida como quitada, já que o banco teria o direito de explorar comercialmente o nome da Arena por determinado período. Em informações apuradas, o projeto envolve outros ativos, como lançamento de títulos de capitalização, transferência de toda a operação financeira do clube (contas e pagamentos de salários) para a Caixa e até cartões para o programa Fiel Torcedor.
Em meio as negociações a Caixa suspendeu temporariamente uma obrigação do Corinthians relacionada ao fundo de reserva do financiamento. O objetivo alivia momentaneamente os cofres da instituição, que enfrenta uma elevada crise financeira com grande parte concentrada na Arena e em passivos estruturais.
Confira a nota conjunta entre a Caixa e o Corinthians
A CAIXA e o Sport Club Corinthians Paulista informam que avançaram nas conversas voltadas à avaliação de alternativas para o aprimoramento da relação entre as partes.
Nesta sexta-feira (16), representantes das duas instituições se reuniram, em Brasília, em encontro que contou com a presença do ministro Guilherme Boulos, de dirigentes do banco, do presidente e de diretores do clube, além de integrantes da Gaviões da Fiel.
Durante a reunião, a CAIXA e o Corinthians formalizaram a assinatura de um termo de confidencialidade.
As tratativas permanecem em curso e as conversas seguem em um ambiente de cooperação, responsabilidade legal e transparência.
