Melhorias na Ferrari podem ajudar Hamilton a retomar protagonismo em 2026
Bom rendimento da equipe nos testes de pré-temporada aumentam expectativa para grande desempenho e piloto britânico demonstra confiança
A união entre o maior vencedor da história da Fórmula 1 e a equipe mais tradicional do grid parecia roteiro pronto para um renascimento esportivo. Quando Lewis Hamilton foi anunciado pela Scuderia Ferrari, o impacto foi imediato: em Melbourne, na abertura de 2025, o box vermelho era o epicentro das atenções — mas o que começou como euforia rapidamente se transformou em frustração.
Sem pódios nas corridas principais ao longo de 2025 — o melhor resultado foi a vitória na sprint da China — Hamilton viveu sua temporada mais discreta em anos. A ponto de verbalizar um raro desânimo, sugerindo que “talvez a Ferrari devesse procurar outro piloto”. Declaração forte para quem igualou os sete títulos de Michael Schumacher e redefiniu padrões de excelência na categoria.
2026: o ano zero
Agora, a Fórmula 1 entra em uma nova era técnica. As mudanças profundas promovidas pelo novo regulamento da FIA em aerodinâmica e unidades de potência, com maior participação do motor elétrico, criaram uma ruptura comparável à de 2014 ou 2022. Em tese, todos começam do zero — e é exatamente nesse contexto que a Ferrari surge como protagonista da pré-temporada.
Nos testes do Bahrein, a equipe italiana chamou atenção pelo melhor tempo geral, marcado pelo monegasco Charles Leclerc, e por soluções técnicas ousadas — como a asa traseira apelidada de “Macarena”, que gira em rotação de 180 graus e é capaz de ampliar significativamente a sua abertura em retas para reduzir arrasto e maximizar velocidade final. Mais do que números, o que impressionou foi a consistência em stints longos e o equilíbrio do carro nas simulações de corrida.
Ferrari foi a segunda melhor equipe geral da pré-temporada (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Alessio Morgese)
Técnica e adaptação: o ponto-chave
Há, no entanto, um alerta histórico: a Ferrari já brilhou em pré-temporadas recentes sem converter promessa em domínio real nas primeiras corridas. Além disso, os testes ocorreram em condições específicas — inverno europeu em Barcelona e asfalto abrasivo no Bahrein — que não replicam completamente o cenário de pistas como Melbourne.
Ainda assim, há um fator novo que pode ser decisivo para Hamilton: o fim do efeito de “quicar” (porpoising), característico dos carros de 2022 a 2025. Coincidentemente, foi nesse período que seu rendimento caiu em relação ao seu auge na Mercedes.
O modelo de 2026 apresenta comportamento mais estável em curvas de alta e frenagens fortes — características que favorecem o estilo agressivo e preciso do britânico. Hamilton chegou a dizer que os carros atuais “exigem um diploma” para serem pilotados, mas demonstrou alívio com a dirigibilidade do novo projeto da Ferrari.
Abertura do campeonato, GP da Austrália será neste domingo (8) (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Sam Bagnall)
A pergunta que paira sobre o paddock é simples: veremos o Hamilton dominante de 2014 a 2021 ou o piloto pragmático das últimas temporadas?
A resposta pode depender menos do talento — que permanece inquestionável — e mais da sintonia fina entre carro, regulamento e confiança. Em um cenário no qual quase metade da potência passa a vir do sistema híbrido, o gerenciamento de energia e a eficiência aerodinâmica serão determinantes. E a Ferrari parece ter entendido rapidamente essa nova lógica.
Volta por cima da Rossa
Quando deixou a estabilidade da Mercedes para apostar em Maranello, Hamilton sabia que 2026 era o verdadeiro alvo. O britânico trocou a segurança por legado. Vencer de vermelho não seria apenas mais um título — seria um capítulo simbólico, capaz de eternizar ainda mais sua trajetória.
Os recordes ele já possui. O que está em jogo agora é narrativa: provar que ainda é capaz de liderar um projeto técnico complexo e transformá-lo em vitórias.
O GP da Austrália, em Melbourne, abre a temporada e servirá como primeiro termômetro real. Se a Ferrari confirmar o que insinuou nos testes, 2026 pode marcar não apenas uma nova era da Fórmula 1 — mas também o renascimento competitivo de Lewis Hamilton. E, no imaginário da categoria, poucas histórias seriam tão poderosas quanto ver o heptacampeão reescrever sua própria lenda vestindo vermelho. A corrida terá início à 1h da manhã (de Brasília) do domingo (8), com transmissão ao vivo no canal da TV Globo, no sportv3 e na plataforma do Globoplay.
