FIA acompanha escalada do conflito no Oriente Médio e avalia impactos no calendário da F1

O presidente da Federação Internacional de Automobilismo anunciou em post nas redes sociais que a segurança e o bem-estar dos envolvido será prioridade nas tomadas de decisões

02 mar, 2026
Largada no autódromo de Melbourne | Reprodução/X/@F1
Largada no autódromo de Melbourne | Reprodução/X/@F1

Após o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã no último sábado (28), a Federação Internacional do Automobilismo (FIA), nesta segunda-feira, anunciou que monitora os possíveis impactos da escalada do conflito sobre o início da temporada 2026 da Fórmula 1. A categoria abre o calendário no próximo domingo (8), com o Grande Prêmio de Melbourne, na Austrália, enquanto duas etapas estão previstas para a região do Golfo Pérsico já em abril.

Na F1, o agravamento da crise bélica no Oriente Médio impactou diretamente na logística para o GP da Austrália. Segundo o jornal inglês “The Guardian”, os ataques forçaram mudanças logísticas significativas do pessoal envolvido no Mundial, com uma estimativa de mil pessoas que trabalham na modalidade foram afetadas. Isso porque o Catar e os Emirados Árabes Unidos, países que são pontos de voos e escalas para a Oceania e a Ásia, foram alvo de retaliações do Irã. Apesar disso, os organizadores do GP australiano asseguram que a etapa será realizada.

Ataques próximos aos circuitos ampliam apreensão no calendário

Além de Doha e Dubai, Abu Dhabi sofreu com um ataque de drones em seu aeroporto, que deixou uma pessoa morta e outras sete feridas. As capitais são palcos do circuito da Fórmula 1, no entanto, recebem corridas apenas em novembro e dezembro, respectivamente.

Já as provas no Circuito de Sakhir, em Bahrein, e no Circuito de Jeddah, na Arábia Saudita, marcadas para o próximo mês, são motivos de preocupação para o mundo automobilístico. Sobretudo porque um míssil iraniano atingiu uma base da Marinha dos Estados Unidos a apenas 30km da pista baremita. O The Guardian detalha que os carros e equipamentos foram levados do Bahrein para a Austrália no dia 20 de fevereiro, no fim da pré-temporada da categoria. Dessa forma, os 22 carros já estão no Circuito de Melbourne.


Pronunciamento de Mohammed ben Sulayem presidente da FIA

Em comunicado oficial, o presidente da entidade, Mohammed ben Sulayem, lamentou as perdas humanas e destacou que a segurança será o principal critério para qualquer decisão futura.

Como presidente da FIA, meus pensamentos estão com todos os afetados pelos recentes acontecimentos no Oriente Médio. Estamos profundamente entristecidos com a perda de vidas e nos solidarizamos com as famílias e comunidades impactadas. Neste momento de incerteza, esperamos por calma, segurança e um rápido retorno à estabilidade. O diálogo e a proteção dos civis devem permanecer como prioridades. Estamos em contato próximo com nossos Clubes-membros, promotores dos campeonatos, equipes e colegas no local enquanto monitoramos os desdobramentos com cuidado e responsabilidade. A segurança e o bem-estar guiarão nossas decisões enquanto avaliamos os próximos eventos programados na região para o Campeonato Mundial de Endurance da FIA e o Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA. Nossa organização é construída sobre unidade e propósito compartilhado. Essa unidade importa agora mais do que nunca.”

A fala indica que, embora não haja cancelamentos confirmados até o momento, a entidade trabalha com cautela. A preocupação envolve tanto as provas programadas para o Oriente Médio quanto o impacto indireto em outras etapas, especialmente devido às rotas aéreas afetadas.


Nota da FIA sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio (Foto: reprodução/Instagram/@mohammed.ben.sulayem)


Provas mantidas, mas com plano B

A abertura do campeonato será no tradicional circuito de Albert Park, palco do GP da Austrália. Apesar de os organizadores locais garantirem que o evento está mantido, veículos britânicos relatam mudanças significativas na operação das equipes.

De acordo com o jornal The Guardian, cerca de mil pessoas ligadas à Fórmula 1 foram impactadas pelas restrições e riscos na região. Catar e Emirados Árabes Unidos, importantes hubs de conexão aérea entre Europa, Ásia e Oceania, foram alvos de retaliações iranianas, o que alterou rotas e cronogramas de voos.

Doha teria registrado a queda de um míssil, enquanto um hotel de luxo em Dubai foi atingido. Já o aeroporto de Abu Dhabi sofreu um ataque com drones, deixando um morto e sete feridos. A situação gera apreensão adicional porque Catar e Abu Dhabi integram o calendário da categoria na segunda metade do ano.

No curto prazo, a tensão recai sobre as corridas previstas para abril no Oriente Médio: o GP do Bahrein, no Circuito de Sakhir, marcado para 12/4, e a etapa da Arábia Saudita, no Circuito de Jeddah, em 19/4. Um míssil iraniano atingiu uma base da Marinha dos EUA a cerca de 30 quilômetros de Sakhir, fato que levou ao cancelamento de testes de pneus com as equipes McLaren e Mercedes.

Por outro lado, a decisão de enviar os carros e equipamentos do Bahrein para Melbourne logo após a pré-temporada, encerrada em 20 de fevereiro, evitou transtornos maiores. Todos os 22 monopostos já se encontram na Austrália.

Segundo o jornal Daily Mail, a Fórmula 1 mantém, por ora, os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita no calendário de 2026, mas dispõe de planos de contingência caso a crise avance. Em meio à instabilidade geopolítica, o automobilismo internacional inicia sua temporada sob vigilância redobrada e com a segurança como palavra-chave.

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