Trump pode perder força após vitória expressiva dos democratas nas eleições dos EUA
Controle das comissões e da pauta permite investigar o governo, mas o Senado e o veto presidencial restringem o que a oposição consegue aprovar
Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos EUA nas eleições de meio de mandato e passam a ter instrumentos para enfrentar o presidente Donald Trump. Com o controle da Casa, o partido pode abrir investigações, convocar autoridades a depor e travar projetos do governo sem precisar negociar com os republicanos. O alcance dessas medidas, no entanto, depende do Senado e de um eventual veto presidencial, segundo O Globo.
A derrota do partido do presidente segue um padrão. Desde 1936, os republicanos ou democratas que ocupam a Casa Branca perderam espaço nessas eleições em 20 de 22 disputas. Na prática, a nova maioria pode impedir que projetos republicanos tramitem na Câmara e paralisar a pauta do governo antes de qualquer negociação.
O que a maioria democrata pode fazer
O comando das comissões parlamentares troca de lado, e é por elas que passa boa parte do poder da Câmara. Quem preside uma comissão pode convocar autoridades, exigir documentos e abrir investigações. A bancada democrata pretende priorizar os conflitos de interesses da família Trump, os contratos públicos e a atuação de integrantes do governo, de acordo com O Globo.
Há ainda o caso de Jeffrey Epstein. O Departamento de Justiça divulgou cerca de 3,5 milhões de páginas de documentos, mas seguem em aberto as dúvidas sobre o material que não foi publicado e sobre a exposição de vítimas nos arquivos já liberados. Os democratas dizem que vão continuar cobrando esclarecimentos, informou O Globo.
A agenda das primeiras 100 horas ficará a cargo de Hakeem Jeffries, que deve assumir a Presidência da Câmara. O pacote reúne propostas sobre subsídios de saúde, Medicaid, tarifas e a guerra no Irã. Na Câmara, cada texto precisa só de maioria simples. Depois, segue para o Senado e, se for vetado, só vira lei se obtiver dois terços dos votos nas duas Casas.
É no Senado que a oposição encontra o principal freio. A Casa confirma ministros, embaixadores, juízes e integrantes da Suprema Corte. Para obstruir a pauta, os democratas precisariam de 60 votos, ou seja, de 13 cadeiras a mais, hipótese tida como improvável, segundo O Globo.
Donald Trump (Foto: reprodução/ Chip Somodevilla/ Getty Images Embed)
Guerra no Irã, tarifas e orçamento
O conflito com o Irã é um dos pontos de maior atrito. Pela média das pesquisas citada pelo jornal, cerca de 63% dos americanos rejeitam a guerra. Os democratas querem exigir o fim das operações ou, no mínimo, uma autorização formal do Congresso. O senador Schatz resumiu a posição do partido:
“Ela está custando caro demais aos americanos comuns, não está funcionando e não está nos tornando mais seguros. Todos sabem disso.”
Schatz também fixou a meta da bancada: “O primeiro objetivo é pôr fim a esta guerra”. Sem recursos adicionais e com o desgaste dos arsenais americanos, o governo teria mais dificuldade para estender as operações militares, de acordo com O Globo.
O orçamento também entra na disputa. Os projetos de financiamento e a verba de US$ 1,5 trilhão para o Pentágono podem encontrar resistência na Câmara. Sobre as tarifas, a Constituição reserva ao Congresso a autoridade sobre o tema, mas o Executivo ampliou seus instrumentos com o passar dos anos. Um deles é a Seção 301, alternativa legal à qual Trump pode recorrer, segundo O Globo.
O impeachment surge no horizonte, mas com obstáculos pesados. Mais de 70 parlamentares já pediram o afastamento do presidente ou a aplicação da 25ª Emenda. Uma condenação no Senado exigiria 67 votos. Em 2018, depois de duas tentativas, o processo terminou em absolvição.
A pauta democrata ainda abrange salário mínimo, ações de parlamentares, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), licença médica e familiar e férias remuneradas. Ao comentar o ritmo das votações, Greg Casar declarou: “Quero que estejamos aprovando o máximo possível de medidas.” O partido também quer usar essa agenda para definir os temas da campanha de 2028, informou O Globo.
