EUA devem anunciar tarifas de até 12,5% para Brasil e 59 países sobre trabalhos forçados
Representante comercial americano confirma que decisão sobre alíquotas sairá esta semana, com Brasil podendo enfrentar taxa adicional de 12,5%
Os Estados Unidos anunciarão nos próximos dias novas tarifas para aproximadamente 60 países, incluindo o Brasil, com alíquotas entre 10% e 12,5%. A medida, baseada em investigação sobre trabalho forçado, visa substituir tarifas temporárias de 10% impostas após a Suprema Corte derrubar as sobretaxas no ano passado. Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, confirmou a informação em entrevista à CNBC.
O Brasil está incluso na lista de países investigados e pode ser taxado em 12,5%. As tarifas variam entre 10% e 12,5% para os 60 países, conforme informação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo brasileiro ainda aguarda a definição se a alíquota de 12,5% será cumulativa à tarifa de 25% já imposta, antes de avaliar próximos passos nas negociações.
Investigação sobre trabalho forçado
Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. Segundo Jamieson Greer:
“Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato.”
A investigação teve início em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano realizou audiências públicas sobre as propostas e os resultados são esperados para esta semana. Um segundo processo em andamento investiga excesso de capacidade industrial envolvendo União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.
Anúncio sobre novas tarifas (Vídeo: reprodução/ YouTube/ @redetvt)
Posição brasileira
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que a tarifa de 12,5% deverá ser anunciada na sexta-feira (24 de julho). Equipes técnicas e de alto nível dos dois países se reuniram pela quinta vez para discutir a investigação. O governo brasileiro trabalha com cenário de confirmação das novas tarifas e aposta que o governo americano determine um processo de implementação da decisão e uma lista de exceções.
Há distância considerável entre as posições de Brasil e Estados Unidos nas negociações, conforme afirmou Greer em entrevista à Fox Business Network. O prazo legal para decisão é 15 de julho, quando Trump deve decidir sobre a tarifa de 25% ao Brasil. Elias Rosa citou também 29 de julho como outro momento decisivo, quando entram em vigor os 25% para bens em trânsito.
Pressão política interna
Autoridades de alto escalão têm aconselhado Trump a preservar a estabilidade nas relações com parceiros comerciais e respeitar acordos firmados para reduzir tarifas em 2025. O preço da gasolina subiu para mais de US$ 4 por galão nesta semana. Pesquisa Focaldata para o Financial Times, realizada no início de julho, mostrou que mais de dois terços dos eleitores desaprovavam a forma como Trump lidava com o custo de vida.
Michael Smart, diretor-gerente da Rock Creek Global Advisors, analisa o cenário político:
“Acredito que a principal influência sobre as alíquotas tarifárias seja o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump de ampliar as medidas.”
Autoridades americanas amenizaram parte das tarifas mais duras propostas inicialmente por Trump. Concederam isenções para produtos importantes ao consumidor, como carne bovina e café, e reduziram algumas taxas sobre itens feitos de aço e alumínio. Após duas investigações comerciais recentes sobre minerais críticos e peças de aeronaves, autoridades recomendaram que os EUA negociasse com seus parceiros comerciais em vez de avançar com novas tarifas.
A guerra comercial lançada por Trump coincide com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, pressiona os mercados de energia e aumenta o risco de um conflito regional. Isso tem gerado custos econômicos nos EUA no momento em que a preocupação com o custo de vida ganha peso político.
