Raízen pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida bilionária

Empresa do setor de energia e biocombustíveis busca reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e ganhar tempo para negociar com credores

11 mar, 2026
Empresa Raízen | 
Reprodução/Instagram/@bastidoresdopoder_
Empresa Raízen | Reprodução/Instagram/@bastidoresdopoder_

A empresa de energia e biocombustíveis Raízen protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A medida busca criar um ambiente jurídico mais seguro para reorganizar o passivo da companhia e negociar novas condições de pagamento com credores, enquanto tenta preservar o caixa e manter suas operações.

Pedido envolve renegociação de bilhões

No pedido apresentado à Justiça, a Raízen incluiu cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, que fazem parte do processo de reestruturação do grupo. A empresa informou que a negociação foi estruturada com apoio de parte relevante dos credores, que representam mais de 40% do total das dívidas incluídas no plano.

Com a solicitação, a companhia pretende ganhar tempo para negociar um acordo mais amplo com os credores e reorganizar sua estrutura financeira.


Empresa Raízen e Shell (Foto: reprodução/Instagram/@bastidoresdopoder_)


A recuperação extrajudicial é um mecanismo em que a empresa negocia diretamente com parte dos credores e, posteriormente, pede a homologação do acordo pela Justiça. Diferentemente da recuperação judicial, o processo envolve apenas determinadas dívidas selecionadas para renegociação.

Prazo para aprovação do plano

Após protocolar o pedido, a Raízen terá até 90 dias para ampliar o apoio dos credores e alcançar o percentual necessário para aprovação do plano definitivo de recuperação. Durante esse período, a empresa busca negociar novas condições de pagamento e reorganizar suas obrigações financeiras.

A companhia afirmou que o processo envolve apenas dívidas financeiras e não afeta pagamentos a fornecedores, clientes ou parceiros comerciais, que continuarão sendo realizados normalmente.

Pressão financeira e alto endividamento

Nos últimos anos, a situação financeira da empresa foi pressionada pelo aumento do endividamento e por investimentos elevados realizados pelo grupo. Além disso, fatores como condições climáticas adversas e dificuldades no setor agrícola também afetaram os resultados da companhia.

A empresa também busca evitar que cláusulas contratuais acionem um efeito em cadeia que poderia antecipar o vencimento de grande parte das dívidas, pressionando ainda mais o caixa.

Entre as alternativas discutidas pela companhia estão aporte de capital pelos acionistas, conversão de parte da dívida em ações, alongamento de prazos de pagamento e venda de ativos. A Raízen é uma das maiores empresas do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis do Brasil e tem controle compartilhado entre os grupos Cosan e Shell.

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