Meta fecha acordo de US$ 16 bilhões após processo de vícios de crianças em redes sociais

A empresa promete adotar novas medidas nos Estados Unidos, evitando que menores de idade tenham danos ao utilizar seus serviços, incluindo controle parental

26 ago, 2026
Logo do Instagram, aplicativo da Meta | Reprodução/Pixels/ready made
Logo do Instagram, aplicativo da Meta | Reprodução/Pixels/ready made

Estados norte-americanos moveram um processo contra a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Whatsapp, após alegarem que as redes sociais estavam causando dependência em crianças e adolescentes. A meta aceitou fechar um acordo judicial e pagar US$16 bilhões (cerca de R$87 bilhões). O acordo colocou um ponto final em ações movidas por 29 estados. Segundo a agência Reuters, esse julgamento federal foi considerado um dos maiores testes de acusações de que redes sociais prejudicam jovens

Segundo documentos judiciais a empresa ainda concordou com novas adoções de medidas para menores de idade, incluindo o limite de tempo de tela e bloqueios durante a madrugada.

As ações judiciais iniciadas em 2023 resultaram no julgamento que ocorreu em 12 de agosto. A meta aceitou o acordo mas não admitiu qualquer erro.

Acusação de vícios

O processo movido acusa a big tech de alimentar e promover ansiedade, depressão e suicídio através das plataformas, além de enganar os usuários. Documentos internos e depoimentos de ex-funcionários expõem que a empresa estava ciente dos riscos relacionados a saúde mental e mesmo assim preferiu continuar adotando a mesma postura. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, testemunhou sobre o caso nesta terça-feira (25) e negou as acusações.


Logo do Instagram, uma das maiores empresas do grupo Meta (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Anadolu)


O diretor de design de produtos do Instagram, Francesco Fogu, deu um depoimento sobre uma apresentação criada pela sua equipe em 2023 para a liderança da rede social. Ao ser questionado, Fogu assumiu ter apagado slides sobre usuários do Instagram adolescentes que viam 1,5 vezes mais conteúdos relacionados ao ódio do que um usuário adulto. A empresa afirmou que não tem pesquisas internas que afirmem o caso e nega qualquer acusação.

Acordos e mudanças

Em documentos divulgados antes do julgamento, a empresa de Mark Zuckerberg afirmou que estados como a Califórnia, Illinois, Novo México e Washington, D.C. buscavam multas de até US$1,4 trilhões, relacionados ao escândalo Cambridge Analytica. O caso que envolveu o vazamento de dados pessoais de milhares de usuários do Facebook. Ao fim do processo esses estados foram indenizados com  US$459,3 milhões.


Mark Zuckerberg dono da Meta (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)


De acordo com a Reuters, nas ações envolvendo crianças e adolescentes, a empresa foi acusada de desenvolver recursos que aumentam o tempo de tela e causam dependências que acarretam em problemas para a saúde mental. Mesmo com o pagamento de US$16 bilhões, o acordo prevê medidas a serem tomadas em na conta de usuários menores de 18 anos: 

  • Bloqueio de notificação no celular de menores de idade de 22h ás 7h e durante o horário escolar;
  • Que a Meta responda no mínimo 90% dos relatos de adolescentes sobre conteúdo potencialmente prejudicial em até 6 horas;
  • Adicione medidas para identificar e remover crianças menores de 13 anos de suas plataformas;
  • Que usuários menores de 18 anos tenham a opção de usar um feed não personalizado;
  • Limite diário padrão de 2 horas para usuários menores de 18 anos, com possibilidade de alteração apenas pelos pais;
  • Que a Meta mantenha, revise e melhore as medidas existentes de segurança de conteúdo para adolescentes;
  • Inclui bloqueio noturno padrão entre meia-noite e 6h para usuários menores de 18 anos, que pode ser removido pelos pais

O acordo não obriga a Meta a abdicar das recomendações personalizadas ou dos anúncios direcionados.

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