Golpes com deepfake usam imagem e voz de pessoas para enganar vítimas

Tecnologia permite criminosos manipularem imagens, vídeos e vozes de pessoas para criar conteúdos falsos e enganar vítimas na internet

18 ago, 2026
Aumenta o numero de golpes com deepfake | Reprodução/Agencia Brasil/Freepick
Aumenta o numero de golpes com deepfake | Reprodução/Agencia Brasil/Freepick

O que parece ser um vídeo comum pode, na verdade, ser uma armadilha. Com o avanço da inteligência artificial, imagens, vídeos e áudios podem ser manipulados para reproduzir, com grande precisão, a aparência e a voz de uma pessoa. A técnica, conhecida como deepfake, tem sido utilizada em golpes que colocam vítimas e figuras públicas diante de um novo risco: ter a própria identidade utilizada para enganar outras pessoas.

Alerta de golpe

Em uma reportagem publicada pela revista Quem, foi apresentado um caso recente de tentativa de golpe envolvendo o uso de inteligência artificial. Neste episódio, o médico Drauzio Varella, conhecido pela divulgação de informações de interesse público relacionadas à saúde e ao bem-estar, teve sua imagem utilizada de forma indevida.

Drauzio Varella é médico, escritor e um dos principais divulgadores de informações sobre saúde e ciência do país. Ele iniciou sua carreira na década de 1960 e se especializou em oncologia.

O golpe consistia em uma propaganda enganosa que utilizava a imagem do médico para convencer consumidores a adquirir um produto que prometia uma perda de peso rápida, sem a necessidade de dieta ou exercícios físicos, além de afirmar ser 100% natural.

A imagem e a voz de Drauzio Varella foram retiradas de contexto a partir de um conteúdo disponível no YouTube, no canal de Fátima Bernardes, e posteriormente modificadas com o uso de inteligência artificial. Os golpistas também utilizaram imagens de Simone Mendes, Jojo Todynho, Gkay e Maiara, da dupla sertaneja Maiara & Maraisa. A estratégia era associar a imagem das celebridades ao produto para aumentar a credibilidade da propaganda e incentivar sua compra.

Além disso, foi identificado que o suplemento anunciado não possuía registro ou autorização regular junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os riscos da inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial trouxe novas possibilidades para a criação e a manipulação de conteúdos digitais, entre elas o deepfake. O termo, popularizado a partir de 2017, é utilizado para definir conteúdos produzidos ou alterados artificialmente para reproduzir rostos, vozes e movimentos de pessoas, criando situações que nunca aconteceram.

Com o passar dos anos, essa tecnologia ultrapassou o campo do entretenimento e passou a ser utilizada também em práticas criminosas, tornando celebridades e usuários comuns potenciais alvos de golpes e fraudes digitais.

Na prática, o deepfake é produzido a partir do treinamento de sistemas de inteligência artificial com uma grande quantidade de imagens, vídeos ou áudios de determinada pessoa. Com esses materiais, a tecnologia consegue identificar padrões e reproduzir características como o formato e os movimentos do rosto, as expressões faciais, a voz, a maneira de falar, os movimentos da boca, os gestos e outros comportamentos.

Diante desse cenário, os riscos associados ao uso indevido dessa tecnologia aumentam, visto que pessoas mal-intencionadas podem utilizar deepfakes em golpes financeiros, propagandas falsas, fraudes de identidade, disseminação de desinformação, produção de conteúdo sexual falso, chantagem e extorsão. À medida que a tecnologia evolui, os conteúdos manipulados podem se tornar cada vez mais convincentes, dificultando a identificação de materiais falsos por parte da população.


Três adolescentes olham para as telas de seus smartphones na vila de Saint-Jean-d’Aulps.
(Foto: reprodução/Getty Images Embed/Matt Cardy)


Para se proteger desse tipo de golpe, é importante desconfiar de pedidos inesperados feitos por meio de mensagens, vídeos ou áudios que solicitem dinheiro, senhas, transferências ou outros dados pessoais.

Também é recomendado verificar a origem do conteúdo e confirmar, por meio de canais oficiais e seguros, se a informação ou o pedido é verdadeiro. Em casos envolvendo familiares, amigos, empresas ou figuras públicas, uma alternativa é entrar em contato diretamente com a pessoa ou instituição por outro meio de comunicação antes de tomar qualquer decisão.

Além disso, é fundamental ter cuidado com a exposição de informações pessoais na internet, incluindo fotografias, vídeos e áudios. Esses materiais podem ser utilizados como base para a criação de conteúdos manipulados por inteligência artificial. Por isso, adotar hábitos de segurança digital e verificar informações antes de compartilhá-las são medidas importantes para reduzir os riscos de cair em golpes envolvendo deepfakes.

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