Espiritualidade e força feminina: veja os destaques do Grupo Especial no Carnaval 2026 em SP

Entre figurinos brilhantes e problemas técnicos o primeiro dia de desfiles foi carregado de representatividade; apresentações continuam pelo fim de semana

14 fev, 2026
Barroca Zona Sul durante o desfile alegórico de 2026 | Reprodução/Instagram/@ligacarnavalsp/Felipe Araujo
Barroca Zona Sul durante o desfile alegórico de 2026 | Reprodução/Instagram/@ligacarnavalsp/Felipe Araujo

O carnaval em São Paulo começou a todo vapor. Durante à noite de sexta-feira (13), sete escolas de samba desfilaram pela avenida Anhembi com direito a enredos que destacavam a natureza, espiritualidade, trabalho e a força feminina. Dragões da Real, Acadêmicos de Tatuapé e Vai-Vai ganharam à noite ao lado de Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul, Colorado do Brás e Mocidade Unida da Mooca.

No segundo dia de desfiles, que acontece entre sábado (14) e domingo (15), as apresentações incluem a Império de Casa Verde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre, Estrela do Terceiro Milênio, Tom Maior, Camisa Verde e Branco e a famosa Gaviões da Fiel.

Geledés e bruxaria

Abrindo o primeiro dia de desfiles de Carnaval, a Mocidade Unida da Mooca homenageou o instituto Geledés com um enredo que enalteceu as mulheres negras. A escola destacou-se quando, por um momento, a bateria saudou o público e alguns integrantes se ajoelharam levantando o punho, fazendo com que a escola precisasse apertar o passo, sem estourar o tempo limite.

Exaltando as mulheres ao longo da história, o desfile incluía Sueli Carneiro, Nilza Araci, Conceição Evaristo e Erika Hilton.

A segunda escola da vez foi a Colorado do Brás, que trouxe para a sexta-feira 13 o enredo “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem no Colorado”. Haviam bruxas com caldeirões, “fogueiras”, corujas e curandeiras indígenas, começando em um tom de terror que foi ficando mais leve e colorido até o final, com direito ao carro “A Convenção das Bruxas” juntando Úrsula (A Pequena Sereia), Bruxa do 71, Cuca e até a atriz Fabi Bang, a Glinda do musical “Wicked”.


Gravação completa da apresentação da Colorado do Brás (Vídeo: reprodução/YouTube/@avozdequemfaz)


Indígenas, orixás e cinema

Com um tema indígena fazendo uma viagem pelo universo da Amazônia, a Dragões da Real exaltou mulheres guerreiras Icamiabas e ainda trouxe o maior dragão que a escola construiu com 9 metros de altura. Com problemas técnicos e efeitos especiais, a escola de samba representou a floresta amazônica e suas entidades.


Carro alegórico da Dragões da Real (Foto: reprodução/Instagram/@grandes_carnavais)


Já a Barroca Zona Sul que fechou o primeiro dia, a homenagem da vez foi para Oxum, orixá das águas doces, que associada á fertilidade, ao amor e a beleza, prometeu “banhar” o Anhembi de axé. Com religiosidade, identidade cultura e impacto visual a escola buscava escapar do rebaixamento que teve ano passado.

E trazendo o cinema para o desfile, a escola Vai-Vai trouxe o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, homenageando o cinema Vera Cruz e as pessoas de São Bernardo do Campo. Entre os carros e integrantes, a escola também falou da luta sindical e terminou exaltando a paisagem da cidade.

Vencedores na pista

Vice-campeã do ano passado, a Acadêmicos de Tatuapé contou a história da agricultura e as lutas sociais pela terra. Começando pela semente, a fauna e flora brasileira, o desfile se encheu de cores vivas, sem medo de mostrar o desmatamento e as pragas, vilões da agricultura.

E com o enredo “Escrito nas Estrelas”, a vencedora de 2025, Rosas de Ouro acabou entrando com 0,5 ponto a menos pela punição de não entregar as pastas técnicas no prazo. E pra terminar, atrasou o desfile em mais de meia hora para limpeza da pista após um vazamento de óleo.

Recontando a relação entre as civilizações antigas e a astrologia, a Rosas entregou um lindo desfile com fantasias e iluminação, com participação de Márcia Sensitiva e um integrante vestido de Walter Mercado. Junto aos problemas técnicos, um dos membros chegou a passar mal antes da entrada e a comissão de frente acabou ficando sem um dos 12 signos.

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