Defesa de Deolane acusa polícia de falta de capacidade técnica para extrair dados de celulares
Advogados argumentam que Ministério Público não está capacitado para acessar aparelhos e que defesa precisa de acesso total ao acervo para montar estratégia
A defesa de Deolane Bezerra entrou com pedido na Justiça para acompanhar a extração de dados de celulares na Operação Vérnix. Segundo os advogados, a Polícia Científica de Presidente Venceslau não tem capacidade técnica para realizar a atividade e não dispõe de banco de dados para armazenar os arquivos. Com isso, a defesa pede prorrogação de prazos processuais.
O impasse técnico
A Polícia Científica de Presidente Venceslau informou que não realiza mais a atividade de extração de dados. O órgão também não dispõe de um banco de dados adequado para armazenar os arquivos-fontes dos dispositivos que serão averiguados.
“não dispõe dos dados destruídos do aparelho e não mais realiza a atividade”, informou a Polícia Científica de Presidente Venceslau
“não tem um banco de dados para armazenar os arquivos-fontes dos dispositivos que serão averiguados”, completou o órgão
Com essas limitações técnicas, as buscas e análises necessárias ficaram paralisadas. A transferência dos aparelhos para o Núcleo de Perícias Criminalísticas de Presidente Prudente deveria ser o próximo passo, mas o pedido ainda não recebeu autorização da Justiça. A decisão agora depende do tribunal.
Caso Deolane (Vídeo: reprodução/YouTube/@peteraqui)
Argumentação da defesa
Os advogados de Deolane e de outros investigados alegam que o prazo para apresentação da defesa deveria ser ampliado. O argumento central é que não tiveram acesso à totalidade do conteúdo que fará parte da investigação.
Na argumentação apresentada no último sábado (15/8), os advogados sustentaram um princípio processual fundamental:
“não compete à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Juízo realizar seleção prévia do conteúdo que considerem relevante. Cabe à defesa conhecer a totalidade do acervo e definir quais elementos são úteis à sua estratégia”
Sob essa perspectiva, a falta de acesso aos dados compromete diretamente a possibilidade de construção de uma defesa adequada.
Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio de 2026 na Operação Vérnix. Ela é acusada de lavagem de dinheiro e associação com facção criminosa. Conforme determinação da Justiça, valor não divulgado de seus bens foram bloqueados.
O pedido da defesa aguarda análise do tribunal. A decisão sobre a prorrogação de prazos processuais e a transferência da perícia para o órgão tecnicamente capacitado segue pendente.
