Correios atrasam mais de 3 bilhões em pagamento a fornecedores, empregados e em tributos

Falta de pagamentos é parte da política de atrasos no cumprimento de compromissos. Entre as dívidas, está o débito de R$ 1,4 bilhão com a Previdência

12 fev, 2026
Dívida dos Correios é de quase 4 R$ bilhões | Reprodução/Instagram/@prefa_corbelia
Dívida dos Correios é de quase 4 R$ bilhões | Reprodução/Instagram/@prefa_corbelia

Os Correios ainda não pagaram cerca de R$ 3,7 bilhões em obrigações com fornecedores; com o fundo de pensão, o Postalis; com o Postal Saúde – plano de saúde dos funcionários, e em tributos federais. O levantamento é do G1, com acesso a um documento de análise da situação da empresa que contém as informações. Os Correios vêm, nos últimos anos, sofrendo de seguidas crises econômico-financeiras com impacto direto no desempenho da empresa. Por conta disso, a estatal anunciou vários planos de recuperação e, em junho, houve a criação de um Comitê Executivo de Contingência – vinculado à presidência da instituição – para lidar diretamente com a crise. 

Comitê decidiu atrasar pagamentos propositalmente 

Uma das decisões tomadas pelo comitê foi a criação de uma política de postergação, ou seja, atrasar propositalmente o pagamento de obrigações por conta de um fluxo de caixa afetado pela redução de receitas nos últimos anos. A medida visa tentar preservar a liquidez e trazer reequilíbrio ao fluxo de caixa da empresa, que acumula séries trimestrais em prejuízo. “A combinação entre a redução da receita e o aumento dos gastos acentuou o desequilíbrio financeiro”, alega a empresa. 

No geral, foram adiadas as seguintes obrigações:

INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão;

Fornecedores: R$ 732 milhões;

Postal Saúde: R$ 545 milhões;

Tributos PIS/COFINS: R$ 457 milhões

Remessa Conforme: R$ 346 milhões;

Postalis: R$ 135 milhões.

A estatal justifica que o adiamento é em razão de um fluxo de caixa negativo. Entre janeiro e setembro de 2025 entraram R$ 16,94 bilhões nas contas e havia uma obrigação de pagar R$ 20,65 bilhões, produzindo déficit de quase R$ 4 bilhões. “Caso os pagamentos tivessem sido realizados nas respectivas datas de vencimentos, os desembolsos teriam alcançado R$ 19,71 bilhões. Nesse cenário, o resultado seria um déficit operacional estimado em R$ 2,77 bilhões, superior à capacidade de cobertura com os recursos disponíveis no período”, afirmou a estatal.

Os Correios adicionaram, ainda, que parte do problema financeiro vem também do acúmulo de dívidas de 2024 que foram empurradas ao longo dos meses e geraram um efeito bola de neve, deixando dívidas ainda maiores para 2025. “A expressiva redução das saídas reflete, sobretudo, os efeitos das postergações de pagamentos e as limitações na captação de recursos em dezembro de 2024, que resultou em volume inferior ao originalmente estimado, comprometendo parcialmente a cobertura dos compromissos assumidos para o início do exercício”, explica trecho do documento. 

A empresa estima diminuir o prejuízo contábil de 2025. Apesar do 3º trimestre ter fechado com um prejuízo de R$ 6 bilhões, um documento da Diretoria Econômica-Financeira (DIEFI) mostra um prejuízo de R$ 5,8 bilhões para todo o ano de 2025. 


 

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Correios decidiu atrasar propositalmente pagamentos (Foto: reprodução/Instagram/@portalg1)


A empresa estima diminuir o prejuízo contábil de 2025. Apesar do 3º trimestre ter fechado com um prejuízo de R$ 6 bilhões, um documento da Diretoria Econômica-Financeira (DIEFI) mostra um prejuízo de R$ 5,8 bilhões para todo o ano de 2025. 

Dívida aumentou nos últimos meses 

Em julho, outro documento também divulgado pelo G1 trazia o valor da dívida atrasada em, até então, R$ 2,75 bilhões. De lá para cá, atrasos como os do pagamento de PIS/COFINS mais que dobraram e o débito com o INSS Patronal, tributo obrigatório para financiamento da aposentadoria dos trabalhadores, quase duplicou em um trimestre. Em quase oito meses, a dívida dos Correios aumentou em R$ 1 bilhão, chegando a quase 4 bilhões de reais e os principais afetados foram com: 

INSS Patronal: R$ 696 milhões a mais (eram R$ 741 milhões);

Tributos PIS/COFINS: R$ 249 milhões a mais (R$ 208 milhões);

Postal Saúde: R$ 182 milhões a mais (eram R$ 363 milhões);

Fornecedores: R$ 80 milhões a mais (eram R$ 652 milhões);

Remessa Conforme: R$ 75 milhões a mais (eram R$ 271 milhões).

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