BRB sabia de irregularidades e comprou R$ 12 bilhões em créditos podres do Banco Master

Documento interno do banco revela que equipe técnica já apontava irregularidades em abril de 2025; contratos não tinham averbação

31 mar, 2026
Fachada de agência do BRB | 
Reprodução/Instagram/@infomoney
Fachada de agência do BRB | Reprodução/Instagram/@infomoney

Segundo um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB), que foi produzido por um grupo de trabalho do próprio banco, aponta que a instituição tinha conhecimento de que parte das carteiras de crédito consignado que comprou do Banco Master não tinham lastro, ou seja, os empréstimos não existiam de fato. A descoberta sobre as irregularidades na compra de R$ 12 bilhões em crédito ocorreu em abril de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

A compra de créditos podres e o conhecimento interno

Durante as negociações da compra, o BRB analisou 1,9 milhão de contratos de 615 mil clientes e identificou que algumas das operações não tinham averbação verificável, o que significa que não havia registros que comprovassem que os descontos em folhas estavam autorizados.


Fachada do banco master

Fachada Banco Master (Foto: reprodução/Instagram/@infomoney)


O documento produzido pelo banco afirma que o Banco Master informou que esses contratos foram adquiridos por uma “associação” e que não eram passíveis de verificação. Mas, na realidade, esses contratos eram “podres”, ou seja, não tinham o reconhecimento necessário para que esses descontos fossem efetuados nos contracheques dos tomadores dos empréstimos.

Ademais, as informações no documento apontaram que o Master tinha o controle sobre as operações de créditos em planilhas eletrônicas sem padronização, o que tornava a análise de cada contrato difícil. Outras inconsistências também foram identificadas, como cálculos inconsistentes e parcelas vencidas sem atualizações de juros e multas.

Plano de socorro frustrado e a liquidação do Banco Master

Em 2025, o Banco Master apresentou um plano de recomposição de liquidez ao Banco Central, e a compra de créditos pelo BRB fazia parte desse plano. De acordo com o plano, o BRB se comprometeu a comprar até R$400 milhões mensais em créditos originados pelo Master, em condições de mercado. A proposta foi feita semanas após o BC ter recusado a compra pelo BRB.

O plano de recuperação fracassou e a situação do Banco Master continuou a se agravar até a sua liquidação em 18 de novembro de 2025. Quando a instituição foi liquidada, ela tinha apenas R$4,8 milhões em caixa livre, ante um fluxo de vencimento imediato de CDBs de R$ 48,6 milhões. 


Reportagem sobre a cronologia dos acontecimentos envolvento o BRB (Vídeo: reprodução/Youtube/CNN Brasil)


As operações entre o Banco Regional de Brasília e o Banco Master estão sob investigação da Polícia Federal (PF), que apura a compra de R$12 bilhões em créditos podres. Enquanto isso, o caso do Banco Master segue em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

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