Priscilla abandona pressão pelo sucesso e fala sobre novo trabalho produzido pelo marido: ‘Não quero mais essa pressão’

Aos 30 anos, após duas décadas na TV, cantora rejeita métricas de sucesso e foca em reconectar com sua própria voz

14 ago, 2026
Priscilla Alcantara | Reprodução/Instagram/@_apriscilla_
Priscilla Alcantara | Reprodução/Instagram/@_apriscilla_

Priscilla Alcantara, aos 30 anos, lança ECO, seu primeiro álbum independente, como forma de se libertar da pressão da indústria do entretenimento. Após começar a trabalhar aos 7 anos e passar duas décadas como apresentadora, cantora, atriz e em teatro musical, ela busca fazer arte sem estabelecer antecipadamente qual resultado precisaria alcançar para ser considerado bem-sucedido, de acordo com entrevista à Marie Claire.

A mudança vai além da ausência de uma gravadora. Priscilla experimentou pressões em trabalhos anteriores e quis criar um disco sem as métricas que tradicionalmente definem sucesso. O objetivo é aproximar-se da própria voz, transformando-a menos em produto e mais em expressão pessoal.

A liberdade de não ser produto

A cantora é clara sobre o conflito que enfrentou ao longo de sua carreira. “O meu ‘eu’ artista sempre entrou em conflito com o jogo da indústria. Você tem que ter maturidade para poder jogar porque, no fim das contas, você é um produto e vai ter que tratar sua arte também como um produto”, afirmou em entrevista.

Mas dessa vez quer se proteger. “Eu não quero isso. Eu quero me proteger dessa pressão e continuar acreditando naquilo que eu fiz”, declarou. O álbum representa uma tentativa consciente de criar distância entre a crítica externa e sua percepção sobre o trabalho. Priscilla acompanhava intensamente as reações anteriores, e cada comentário parecia interferir em sua relação com a música. Desta vez, pretende permanecer mais próxima dos fãs de forma pessoal, sem ignorar completamente o feedback, mas filtrando-o.

A estratégia envolve também repensar o que significa fazer música. “Preciso de um lugar de liberdade, sentir como é fazer arte sem a expectativa de ter ‘x’ streaming nas 24 horas para ver se eu recebo investimento. Agora, só quero a oportunidade de espalhar o meu talento através da música e não esperar que as pessoas gostem”, afirmou Priscilla.


Priscilla Alcantara lançou ECO (Áudio: reprodução/Spotify/PRISCILLA)


Empresária de si mesma

A independência não significa ausência de responsabilidade. Priscilla é agora empresária de seu próprio escritório, administrando seus negócios e pagando a equipe que trabalha com ela. Antes, estava mais distante da engrenagem financeira; agora, entende que autonomia exige decisões concretas. Existem contas a pagar e um projeto precisa se sustentar, mas a diferença está em não permitir que essas necessidades sejam o ponto de partida de cada decisão artística.

O processo criativo de ECO levou três anos e não foi marcado por dificuldade de encontrar conceito. “Esse álbum foi fácil porque ele foi a minha zona de conforto. O conceito é a música sustentando ela mesma. É a autonomia que eu dei para a minha própria música”, explicou. O disco surgiu quando Priscilla deixou de tentar encaixar a música em uma ideia maior e permitiu que as próprias canções sustentassem o trabalho.

Seu marido, André Laudz, participou da produção musical, enquanto Priscilla assumiu a produção vocal. Os dois decidiram não transformar o processo criativo em corrida contra relógio. Ela considerou colaborações com outros artistas, e duas foram procuradas, mas os encontros não avançaram. Priscilla interpretou isso como sinal de que o disco deveria permanecer mais íntimo, uma história entre ela e sua voz.

A parte mais desafiadora não foi escolher as faixas, mas sustentar a mentalidade após 20 anos na indústria que ensinou a olhar para números e repercussões. A mudança não aconteceu de uma hora para outra. Foi um trabalho mental diário, lembrando-se constantemente do motivo de estar no estúdio.

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