Peppino Di Capri: músico italiano morre aos 86 anos e eterniza legado

Cantor fiocu conhecido mundialmente após o lançamento da música “Champagne”, em 1973; músico chegou a abrir show dos Beatles nos anos 60

11 jul, 2026
Peppino Di Capri | Reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official
Peppino Di Capri | Reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official

O mundo da música perdeu um de seus maiores expoentes: o músico italiano Peppino Di Capri faleceu neste sábado (11), aos 86 anos. O cantor já estava afastado dos palcos para cuidar da saúde. A família preferiu não divulgar a causa exata do falecimento.

O funeral será realizado em sua amada ilha, na Villa Castiglione. Ele deixa os filhos Igor, fruto de seu primeiro casamento, e Edoardo e Daria, com Giuliana Gagliardi. A cerimônia será realizada neste domingo (12) à tarde, na antiga Catedral de Santo Stefano, na Piazzetta, em Capri.

Quem foi Peppino Di Capri

Peppino Di Capri, pseudônimo de Giuseppe Faiella, nasceu em Capri em 27 de julho de 1939. O piano era seu destino desde a infância: com apenas quatro anos, já tocava para os soldados americanos estacionados na ilha durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi esse contato inicial com sons estrangeiros que moldou sua identidade artística, tornando-o um dos pioneiros capazes de entrelaçar a herança melódica napolitana com o rock americano, o twist e o pop internacional.

À frente de sua banda, os Rockers, ele personificou a imagem de uma Itália que emergia para a modernidade na década de 1960 e esteve entre os raríssimos artistas italianos escolhidos para abrir os shows dos Beatles em sua turnê italiana de 1965.


Peppino Di Capri no Festival de Sanremo, em 1973 (Foto: reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official)


Polêmica com Beatles

Di Capri, então com 26 anos e já muito famoso, foi o artista escolhido para abrir os três shows dos Beatles em Milão, Gênova e Roma com sua banda, os Rockers. Uma honra que lhe rendeu para sempre o título de “o quinto Beatle”.

Embora tudo corresse bem no palco, nos bastidores o tratamento reservado a Peppino e sua banda era gélido. Durante toda a turnê, John, Paul, George e Ringo nunca falaram com ele. Como ele mesmo relatou, viajaram no mesmo avião e ficaram no mesmo hotel em Roma (ele em uma suíte, eles com um andar inteiro reservado), mas os seguranças mantinham todos à distância.

A maior concessão só veio no último dia, quando o empresário da banda finalmente permitiu que se aproximassem para uma foto juntos, porém, com a sensação de quem faria um favor a contragosto.

Festival de Sanremo

Sanremo foi o ápice de sua carreira. Ele se apresentou no palco do Festival quinze vezes, levando para casa duas vitórias: em 1973 com “Un grande amore e niente più” e em 1976 com “Non lo faccio più”. Em 2023, o Ariston Theatre o homenageou com o Prêmio de Reconhecimento pela Carreira, coroando mais de sessenta anos de música.

Mas é com “Champagne”, lançado em 1973, que seu nome ficará para sempre ligado. Mais do que uma canção, era um ritual compartilhado: a música de fundo para casamentos, brindes, festas e nostalgia, uma canção que atravessou gerações para se tornar um dos emblemas da música italiana em todo o mundo.


Ouça “Champagne” (Áudio: reprodução/Spotify/Peppino Di Capri)


Elegância e discrição

Homem reservado, distante do glamour do show business, preferia apresentar-se simplesmente como músico. Sempre afirmou nunca ter seguido as tendências do momento, mas sim a música que sentia ser sua; e atribuiu seu sucesso justamente à sua capacidade de nunca se trair, permanecendo fiel ao seu estilo mesmo com a transformação do cenário musical ao seu redor.

Em um cenário musical frequentemente dominado pelo excesso, Di Capri representava exatamente o oposto. Nunca exagerado, nunca envolvido em escândalos, ele construiu sua reputação por meio de trabalho árduo, consistência e a qualidade de suas performances.

Até mesmo sua presença de palco transmitia uma ideia diferente de entretenimento: o piano no centro do palco, vestimentas impecáveis, um sorriso comedido e uma interpretação vocal que jamais era gritada. Ele era o modelo do cantor italiano, capaz de combinar técnica musical, refinamento e apelo popular imediato.


Peppino Di Capri homenageado no Festival de Sanremo em 2023 (Vídeo: reprodução/YouTube/Rai)


Homenagem em filme

Em 2025, a emissora italiana RAI celebrou sua história com a cinebiografia “Champagne – Peppino di Capri”, dirigida por Cinzia TH Torrini. O filme, estrelado por Francesco Del Gaudio, reconta os anos de formação do cantor, seu sucesso, seus casos amorosos e sua consagração artística, trazendo de volta os holofotes para um dos artistas mais importantes da música italiana.

O próprio Peppino di Capri colaborou na trilha sonora do filme, juntamente com seu filho Edoardo.


Registro das gravações do filme “Champagne – Peppino di Capri” (Foto: reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official)


Vida pessoal

Sua vida privada foi marcada por dois grandes amores. Em 1961, casou-se com Roberta Stoppa, a inspiração para o sucesso que leva seu nome, com quem teve um filho, Igor. Após o fim desse casamento, casou-se com Giuliana Gagliardi, com quem se uniu em matrimônio em 1978 e que se tornou a mãe de seus outros dois filhos, Edoardo e Dario.

A morte de Giuliana em 2019, após mais de quarenta anos juntos, foi uma das feridas mais profundas para ele.

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