André Matos: fãs e amigos relembram legado do cantor após 7 anos de falecimento

Músico faleceu em decorrência de um infarto agudo do miocárdio; legado no heavy metal é visto nas obras gravados com as bandas Angra e Viper

08 jun, 2026
André Matos | Reprodução/Instagram/@themaestro_andrematos
André Matos | Reprodução/Instagram/@themaestro_andrematos

Nesta segunda-feira (08), o universo do heavy metal brasileiro prestou uma homenagem especial ao cantor e ex-vocalista do grupo Angra, André Matos. O músico faleceu há exatos sete anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio.

À época, André foi cremado, desejo manifestado em vida para a família. O prefeito da cidade de São Paulo, na ocasião, Bruno Covas, decretou a data de falecimento do cantor como Dia Municipal do Metal.

Homenagem

O guitarrista e formador do Angra, Rafael Bittencourt, fez uma postagem em seu perfil do Instagram para homenagear seu antigo colega de banda. Ele faz uma reflexão sobre ciclo de sete anos, sobre encerramentos e renovações.

“Não sei ao certo o que isso significa neste momento. Mas, neste ano, conseguimos finalmente realizar uma homenagem à altura de Andre, integrando sua presença à apresentação da reunião do Angra, que aconteceu em abril. Talvez isso queira dizer alguma coisa”.

O guitarrista encerra seu texto relembrando o legado de seu amigo. “Seguimos com André em memória viva, através de sua obra, de sua música e do Angra”.


Homenagem de Rafael Bittencourt para André Matos (Foto: reprodução/Instagram/@rbittencourton)


Formação e início de carreira

André era um músico versátil. Iniciou seus estudos de piano aos sete anos de idade e teve formação em Regência Orquestral, habilitação em Canto Lírico e em Piano Erudito.

Sua primeira banda foi o Viper, com 13 anos, gravando os álbuns “The Killera Sword” (versão demo), em 1985, “Soldiers of Sunrise”, em 1987, e “Theatre of Fate”, em 1989. Foram estes dois últimos álbuns que elevaram o Viper à fama internacional, sendo lançados na Europa e no Japão.

“Theater of Fate” foi o álbum que consolidou o estilo da banda, misturando heavy metal com música clássica. Foi neste disco que ele compôs sua primeira música autoral, “Moonlight”.

Ingresso no Angra

Em 1991, André saiu da banda, pois não estava conseguindo conciliar seus estudos na faculdade com a carreira. No curso de Artes na Faculdade Santa Marcelina, ele conheceu Rafael Bittencourt. Conhecedor da saída de Matos do Viper para focar nos estudos musicais, Bittencourt o convidou para participar de sua nova banda.

A ideia de Rafael era mesclar heavy metal com música erudita, algo que André já tinha feito com o Viper. Além disso, Bittencourt também queria inserir brasilidade nas músicas. Matos assumiu o piano, a princípio, e, posteriormente, os vocais. Assim nasceu o Angra.


 

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Projeção de imagem de André Matos no Angra Reunion, ocorrido em abril (Vídeo: reprodução/Instagram/@angraofficial)


Sucesso e turbulências

André liderou a banda de 1991 a 2000, período em que estabeleceu o power metal brasileiro no cenário mundial. Sua trajetória no grupo inclui demos, três álbuns de estúdio fundamentais, turnês internacionais e uma saída conturbada no ano 2000.

“Reaching Horizons”, de 1992, é a primeira demo da banda, que chamou a atenção do mercado internacional. O álbum de estreia do grupo foi “Angels Cry”, de 1993, que contou com a regravação da canção clássica icônica “Wuthering Heights”, de Kate Bush. O terceiro disco foi “Holy Land”, de 1996, trabalho que incorporou ritmos brasileiros, percussões e música renascentista, solidificando o status do Angra mundialmente.

Os momentos de glória da banda, porém, se chocavam com os episódios internos de desentendimentos entre os integrantes. Relatos dos músicos apontam que havia um distanciamento gradual. O vocalista passou a ter dificuldades de comunicação com os colegas e, por vezes, ausentava-se para seu sítio sem aviso, tornando a rotina de ensaios e a composição do sucessor do álbum Fireworks (1998).

A ruptura culminou com a saída do próprio Andre Matos, acompanhada pelos músicos de apoio Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria). Eles decidiram seguir novos rumos e fundaram juntos a banda Shaman.


Angra cantando “Wuthering Heights”, em 1994, em programa na antiga Rede Mulher (Vídeo: reprodução/Instagram/@marcus_raime)


Shaman e carreira solo

A banda lançou seu primeiro álbum, “Ritual”, em 2002. O disco possibilitou que a banda assinasse contratos com diversos selos no exterior, como o JVC, no Japão. A música de maior sucesso da banda, “Fairt Tale”, composta por Matos, chegou a ser incluída na trilha sonora da novela “O beijo do vampiro”, da rede Globo.

“Reason” foi o segundo disco do grupo, lançado em 2005. Porém, novamente, problemas internos prejudicaram o seguimento da formação original da banda. Em uma carta emitida para o fã-clube oficial, em 10 de outubro de 2006, o baterista Ricardo Confessori alegou “perda da unidade dentro da banda”.

Como resultado do desmembramento, Confessori manteve os direitos sobre o nome “Shaman”, enquanto Matos seguiu para formar sua própria banda de carreira solo junto a outros ex-membros. Em 2025, em entrevista para o canal do YouTube “IbagensCast”, o baterista contou como se reconciliou com André.

O músico gravou três álbuns em carreira solo: “Time to be free” (2007), “Mentalize” (2009) e “The turn of the light” (2012). Além disso, ele fez uma participação especial pelos 25 anos do lançamento do primeiro álbum do Viper e, em 2018, retorna com a formação clássica do Shaman, realizando uma série de apresentações com ingressos totalmente esgotados.

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