50 mulheres acima de 50 anos que transformam experiência em sucesso

Tracee Ellis Ross, Whoopi Goldberg, Jennifer Garner e outras 197 empreendedoras, criadoras e inovadoras provam que a idade é vantagem competitiva

12 ago, 2026
Tracee Ellis Ross e Jennifer Garner | Reprodução/Instagram/@traceeellisross/@jennifer.garner
Tracee Ellis Ross e Jennifer Garner | Reprodução/Instagram/@traceeellisross/@jennifer.garner

A Forbes lançou a sexta (50) edição anual da lista 50 Over 50 em 2026, reunindo 200 mulheres empreendedoras, criadoras e inovadoras com mais de 50 anos que transformam experiência em sucesso profissional. A seleção, dividida em categorias de Impacto, Investimento, Inovação e Lifestyle, desafia um dado que circulou amplamente: segundo pesquisa da L’Oréal, 70% das mulheres sentem que se tornam mais invisíveis à medida que envelhecem.

A lista reúne um grupo de 200 rostos com histórias únicas de reinvenção, persistência diante de obstáculos e um compromisso em deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraram. A seleção é dividida em quatro categorias principais: Impacto, Investimento, Inovação e Lifestyle.

Para essas mulheres, porém, a idade não é limite. É ferramenta. Tracee Ellis Ross, que atua desde os 20 anos, estreou na Broadway aos 53 em “Every Brilliant Thing”, uma peça construída sobre 40 páginas de monólogo e improvisações constantes com a audiência. Sobre as marcas do tempo, ela reflete:

“Para mim, eram evidências de vida. Eram evidências de sabedoria”, disse Tracee Ellis Ross.

A atriz também fundou a Pattern Beauty em 2019, marca focada em cabelos texturizados e crespos que hoje está presente em Sephora, Ulta e Macy’s. O foco reflete um dado concreto: cerca de 73% de toda a população global tem cabelo texturizado, segundo dados da empresa.

Tracy Palandjian, cofundadora da Social Finance, traz outra perspectiva sobre envelhecer:

“Cresci na cultura chinesa, onde envelhecer é algo que você abraça, que você almeja.”

Palandjian captou mais de US$ 500 milhões de investidores que buscam unir retorno financeiro e impacto social. Iniciativas da empresa incluem refinanciamento de hipotecas predatórias e uma parceria com a Anthropic em inovação em IA.

Liderança corporativa redefinida

No varejo e na indústria química, mulheres acima de 50 ocupam hoje postos de comando. Latriece Watkins se tornou presidente e CEO da Sam’s Club em 2026, após quase três décadas no Walmart começando como estagiária de finanças imobiliárias. Sam’s Club é um negócio de US$ 96 bilhões movido a clubes de compras. No mesmo período, Karen Carter assumiu a CEO da Dow em julho de 2026, tornando-se a primeira mulher a liderar a empresa desde sua fundação em 1897. Carter iniciou sua trajetória na Dow como estagiária em 1994 e supervisiona operações de um grupo avaliado em US$ 40 bilhões.


Latriece Watkins (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)


Jennifer Garner tocou o sino de abertura da Bolsa de Valores de Nova York em fevereiro de 2026 no IPO da Once Upon A Farm, empresa de papinhas orgânicas que cofundou em 2017. A oferta pública arrecadou US$ 724 milhões, com ações disparando 17% no primeiro dia. Garner permanece como maior acionista individual com 7%, posição avaliada em cerca de US$ 50 milhões.

Jennifer ‘Vern’ Long lidera o World Coffee Research desde 2019, iniciativa que uniu mais de 200 empresas de 30 países e 11 governos para desenvolver variedades de café resistentes. A abordagem entrelaça os ganhos da experiência com inovação agrícola:

“Ter mais de 50 anos me traz a confiança que vem com a experiência de já ter visto que os limões da vida não rendem apenas limonadas, mas, quem sabe, uma bela torta de limão.”

Inovação e impacto global

Em tecnologia, Ritu Narayan cofundou a Zum em 2015, startup que usa inteligência artificial para gerenciar transporte escolar. A receita da companhia atingiu US$ 333 milhões em 2025, um salto de 35% em relação ao ano anterior, e atende a 5.000 escolas pagantes em todo o país, segundo dados da Forbes.


Ritu Narayan cofundou a Zum (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)


Novas tecnologias e prêmios de inovação global também têm rosto feminino acima de 50. Anousheh Ansari, CEO da XPRIZE Foundation, lançou três dos maiores prêmios da história: US$ 100 milhões para Remoção de Carbono, US$ 101 milhões para Longevidade e US$ 119 milhões para Escassez de Água. Primeira mulher de origem iraniana a ir ao espaço em 2006 a bordo da Soyuz TMA-9, Ansari supervisiona competições que, de acordo com a fundação, já ajudaram a catalisar mais de US$ 31 bilhões em investimentos socioeconômicos subsequentes.

No entretenimento, Whoopi Goldberg, vencedora do EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony), cofundou a AWSN (All Women’s Sports Network), primeira rede de televisão global dedicada 100% aos esportos femininos. O projeto amadureceu por quase 15 anos antes do lançamento em 2024. A AWSN chega a mais de 1 bilhão de dispositivos espalhados por 65 países, e transmite competições de gigantes como UEFA, FIBA e Athletes Unlimited. Goldberg estreou um revival de peça teatral de 1984 no meio de 2026.

Demi Moore também vive novo ciclo profissional. Após mais de 40 anos em cinema, recebeu sua primeira indicação ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo filme “A Substância”, experiência que reacendeu a demanda crítica por seu trabalho. Em 2026, mantém ritmo com papel ampliado na segunda temporada de “Landman” na Paramount+.

Jennifer Yuh Nelson, nascida na Coreia do Sul e imigrante aos 4 anos, tornou-se primeira mulher a liderar sozinha a direção de longa de animação de estúdio. “Kung Fu Panda 2” (2011) arrecadou US$ 665 milhões; “Kung Fu Panda 3” ultrapassou US$ 520 milhões. Nelson ganhou prêmios Emmy como diretora supervisora de “Love, Death & Robots” na Netflix.


Jennifer Yuh Nelson (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Paul Archuleta)


Em jornalismo investigativo, Julie K. Brown, repórter do Miami Herald, expôs crimes de Jeffrey Epstein entre 2017 e 2018, trabalho que lhe rendeu citação especial do Prêmio Pulitzer em 2026. Margaret Wickens Pearce, cartógrafa da Nação Indígena Citizen Potawatomi, recebeu bolsa da MacArthur Foundation em 2025 após publicar relatório sobre financiamento de universidades com terras confiscadas de nações tribais.

Christina Maslach desenvolveu o Inventário de Burnout de Maslach na década de 1970, ferramenta que se tornou uma das mais utilizadas globalmente para medir síndrome de burnout em ambientes de trabalho.

Na exploração espacial, Charlie Blackwell-Thompson foi a primeira mulher a atuar como diretora de voo da NASA em 2016. É responsável pelo planejamento e gestão de operações de contagem regressiva do programa Artemis. Em abril de 2026, autorizou a decolagem da tripulação da Artemis II com uma mensagem que captura o espírito da lista:

“Nesta missão histórica, vocês levam consigo as esperanças e os sonhos de uma nova geração.”

Ruth Porat, que se tornou presidente e CIO da Alphabet e Google em 2023, supervisiona venture capital e portfólio de investimentos do grupo avaliado em mais de US$ 2 trilhões. Anteriormente, foi CFO da Alphabet por quase uma década.

“Estar conectada a seres humanos é o grande trabalho da minha vida. É o meu propósito. É o que mais me traz alegria.”

A lista reúne histórias de persistência diante de obstáculos tradicionais, cada uma redefinindo o que significa liderança, inovação e impacto num setor, e fora dele.

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