Maison Margiela transforma desfile em Xangai em experiência imersiva
Entre arquivo, performance e expansão estratégica na China, a coleção Inverno 2026 marca um novo capítulo da maison ao aproximar passado e presente
Nesta quarta-feira (01), a Maison Margiela encerrou a Semana de Moda de Xangai ao apresentar a coleção Inverno 2026. Em um momento simbólico que marca o primeiro desfile da grife fora de Paris, desde sua fundação em 1988, e intensifica a estratégia da maison de ampliar seu alcance global. Margiela reposiciona a narrativa da grife para Xangai com uma série de exposições que vão estar ocorrendo ao longo do mês de abril.
Sob a direção do designer Glenn Martens, a coleção desfilada vem com códigos da casa revisitados com uma alta-costura artesanal e prêt-à-porter. O desfile ambientado em um labirinto de contêineres marítimos gigantes, com um tom provocador e irônico, a marca explorou a ideia do anonimato, criatividade e inovação, pontos que estarão no centro nesta etapa da grife.
Desfile e arquivo: passado e presente em diálogo
Desde sua entrada no mercado chinês em 2019, a Maison Margiela vem procurando formas de expandir sua presença física e cultural, que até então conta com 26 unidades no país. O desfile de Inverno 2026 faz parte dessa estratégia e ocorre em conjunto com o projeto chamado de “Maison Margiela/folders”. A escolha não é por acaso, já que a China é vista como um importante mercado consumidor de moda e, principalmente, alta-costura.
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Detalhes sobre o “Maison Margiela/folders” (Foto: reprodução/Instagram/@maisonmargiela)
Durante o mês de abril, terão ativações presenciais nas cidades chinesas, começando por Xangai com a “Artisanal: Creative Laboratory Exhibition”, em cartaz de 2 a 6, que conta com 58 looks da casa dos anos de 1989 até 2005, em uma revisitação da história e da identidade da marca. Depois, a “Anonymity: Our History of Masks Exhibition” em Pequim, de 7 a 12, que vai apresentar 46 máscaras novas e de arquivo, mostrando a relação íntima da grife com o anonimato da linguagem utilizada por meio das máscaras.
As exposições continuam em Chengdu, de 9 a 13, com a “Tabi: Collectors”, que reúne 9 colecionadores de Tabi e inclui também um café Maison Margiela para exposição de peças raras. E, por último, nos dias 11 e 12, acontecerá a “Bianchetto: Atelier Experience” na cidade de Shenzhen, que vai celebrar a tinta branca, convidando os visitantes a levar uma peça de roupa do próprio guarda-roupa para transformá-la utilizando a técnica Bianchetto, que significa “um pouco de branco em italiano”, algo que era a obsessão de Martin Margiela.
Entre animato e expansão global
Mesmo com essa abertura, a Margiela ainda mantém elementos centrais de sua identidade. O anonimato, que é característica histórica da marca e continua sendo explorado como conceito, tanto no desfile como nas exposições realizadas, discute a recusa do estrelato em um mercado cada vez mais pautado por celebridades e visibilidade.
A busca por anonimato está intrinsecamente no DNA da grife, isso desde seu fundador Martin Margiela, que se recusava a ser fotografado. Para ele, a moda deveria ser algo pequeno e artesanal. Margiela cobria os rostos das modelos com máscaras em seus desfiles, algo que foi observado na coleção de Inverno 2026. Com meias-calças na cabeça, toucas e máscaras, o elenco do desfile escondia sua identidade para dar destaque às roupas com trabalhos manuais em evidência, à alfaiataria com camadas ultrafinas de jersey, vestidos de noite e robes.
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Desfile Inverno 2026 da Maison Margiela (Vídeo: reprodução/Instagram/@voguerunway)
O desfile exalava criatividade, principalmente quando os materiais ganharam um certo protagonismo. Um dos destaques foi um vestido feito em algodão encerado, com aparência desgastada e som marcante ao movimento. O estilista também demonstrou domínio técnico ao apresentar tecidos com cortes precisos e drapeados muito bem elaborados,
Na moda masculina, a proposta seguiu com o mesmo tom criativo: um smoking reinterpretado de forma desconstruída, casacos de couro reversíveis em manta de retalhos, todas as peças com os códigos da casa e o apelo contemporâneo.
Outro ponto da história da Maison Margiela com o anonimato são os próprios designers criativos que já passaram pela marca: Matthieu Blazy, John Galliano e atualmente Glenn Martens, que prezavam por uma vida longe dos holofotes principais, reforçando o desejo de apenas as criações brilharem.
