Reynaldo Gianecchini vive saxofonista em longa-metragem ítalo-brasileiro “Diminuta”
Roteiro extremamente sensível impressiona ao abordar temas densos, de forma delicada, suave e inspiradora, destacando o papel essencial da música e da arte
Um homem tentando reconstruir sua vida a partir de seu amor pela música é a base da história contada em “Diminuta”, filme de Bruno Saglia, rodado entre a região do Vêneto, na Itália e a Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. Uma coprodução Brasil-Itália, estreou em São Paulo no último dia 2/12, tendo Reynaldo Gianecchini na pele do músico saxofonista Cristiano.
Um respiro em meio à violência
“Diminuta” chega na contramão daquilo que ultimamente tem se apresentado no cinema brasileiro: as narrativas violentas. Contudo, não é um filme que foge à realidade dura da vida, pois apresenta momentos de perdas, responsáveis por dores profundas, além de momentos de resiliência, os quais exigem força, foco e fé para ocorrer o reencontro consigo mesmo, como o personagem principal interpretado por Reynaldo Gianecchini, o Cristiano, que busca a cura de suas emoções através da música e da arte, demonstrando o poder gigante que ambas têm para efetuar esse feito.
Um menino, influenciado pelo avô que o criou, cresce cercado pela música numa pequena cidade do Vêneto, na Itália. Após o falecimento deste avô, o garoto se muda com um tio para o Sul do Brasil. Após se casar e construir família, acaba deixando o amor pelo saxofone para trás. Porém, quando as coisas começam a dar errado, ele decide voltar à Itália e ir atrás de sua grande paixão.
Em entrevista exclusiva ao Lorena Magazine, Giane afirma que a arte salva:
Giuli Figueira: É um filme muito sensível, que toca no nosso íntimo, fala de resiliência, de perdas, principalmente um mergulho em si. O seu personagem Cristiano mergulha em si, que é o que o artista faz todos os dias, mergulhar em si, no seu caso, ator. Como que foi essa experiência para você, Giane?
Giane: “Eu acho lindo esse tema, porque a arte salva. Parece muito poética demais, mas eu acho de verdade que a arte salva, a arte tem esse poder, todas as formas de arte tocam no lugar do sagrado da gente, do sensível e nos coloca em contato com lugares dentro da gente que fazem a gente se transforma de uma certa forma…o filme é um pouco isso também, sobre o reencontro desse personagem com a música; desde criança, que ele abandonou e depois a música resgata a essência dele de volta, para ele sentir de novo o prazer de viver. É bonito isso!”
A produtora Erica Bernardini define “Diminuta” como “um filme que fala de raízes, de música e de pertencimento — uma viagem emocional entre a memória e o sonho.
E completa: “Quando começamos a desenvolver Diminuta, queríamos propor um respiro. Hoje estamos cercados por narrativas muito duras, violentas, e sentimos falta de um filme que falasse de afeto, memória e reencontro consigo mesmo. A ideia sempre foi emocionar sem pesar, tocar as pessoas de forma delicada”.
Reencontro entre Brasil e Itália
Uma parte do longa foi rodada em Vêneto, região do Norte da Itália e contou com a participação especial de Giancarlo Giannini, lenda do cinema italiano, indicado ao Oscar por Pasqualino Sete Belezas.
Foi um momento muito especial para Giane, que recentemente obteve sua nacionalidade italiana:
“A Itália sempre me chama, eu tenho uma relação louca com a Itália, assim, eu realmente tenho as minhas raízes lá, fui viver um pouquinho lá, tirei a minha cidadania agora, aprendi melhor o italiano; então pra mim é um prazer gigante assim, estar sempre em contato com essa cultura, fazer esse intercâmbio, essa coprodução Brasil-Itália, eu acho demais, é um prazer, tomara que role muitas coisas da gente junto, são duas potências de nações, com duas culturas muito fortes, mas que se comunicam, a gente tem muito deles, eles muito da gente, é muito bonito de ver esse intercâmbio da cultura italiana com a brasileira.
O longa conta, ainda, com as atrizes Deborah Evelyn e Daniela Escobar e pode ser encontrado no catálogo do Reag Belas Artes à la Carte, um streaming de filmes pensado para quem ama cinema de verdade, com títulos contemporâneos, clássicos, cults, obras de grandes diretores, superpremiados e principalmente aqueles que merecem ser revistos e que tocam o coração dos cinéfilos.
