Exclusivo: Normando exalta a estética amazônica no Rio Fashion Week

Grife paraense Normando apresenta coleção inspirada no cotidiano amazônico e encanta público no Pier Mauá com alfaiataria fluida e elementos da cultura

16 abr, 2026
Normando é o segundo desfile da noite de quarta-feira (15) | Reprodução/Media Room/Agência Fotosite/Ze Takahashi/@agfotosite
Normando é o segundo desfile da noite de quarta-feira (15) | Reprodução/Media Room/Agência Fotosite/Ze Takahashi/@agfotosite

A marca paraense Normando transforma a passarela do Pier Mauá em um cenário de sofisticação com a coleção “Natureza Morta”. Sob o comando de Marco Normando, a grife apresentou 35 looks que fundem a alfaiataria clássica com a força da matéria viva. O desfile contou com o styling de Guilherme Alef e nomes icônicos no casting, como Carol Ribeiro e Marcelle Bittar.

A proposta vai além do visual, explorando o conceito de que a natureza sempre retoma seu lugar. O texto curatorial da coleção sugere que as peças não são apenas roupas, mas registros de um ciclo orgânico em movimento. Com isso, a Normando estabelece um diálogo profundo entre a tradição artesanal paraense e o design de luxo contemporâneo.

A fluidez das águas na alfaiataria moderna

A construção das peças destaca-se pelo uso de materiais nobres como lã, seda, algodão pima e o inovador látex amazônico. Elementos carregados de história, como o matapi (armadilha de pesca indígena) inspiraram geometrias que remetem ao Art Déco nativista. A fluidez da coleção evoca o ritmo das águas, transformando utilitários em formas puras de arte.


Desfile da Normando (Foto: reprodução/Media Room/Agência Fotosite/Ze Takahashi/@agfotosite)


Nesta temporada, as folhas de açaizeiro e as plantas Tambatajá e Tajá aparecem em texturas de camisaria e vestidos. Essas formas orgânicas são trabalhadas para serem, ao mesmo tempo, volume e abrigo sobre o corpo. O equilíbrio entre o rigor do corte e a mística das raízes demonstra a maturidade da marca em ressignificar elementos cotidianos do Norte.

Sustentabilidade e o tempo na passarela do Pier

O compromisso com a produção ética transparece no uso do látex, que ressurge como uma indumentária com memória e resistência. A coleção também trouxe a “banana preta” de Ferreira Gullar, simbolizando que a decomposição é apenas uma fase da vida. Essa abordagem honesta sobre o tempo reflete a filosofia da marca de que a moda deve testemunhar processos biológicos.


Backstage e desfile da Normando (Vídeo: reprodução/Instagram/@complexo.com)


Além do látex, o bronze oxidado em tons de verdigris foi utilizado para representar a ação da umidade sobre a matéria. O uso da semente de jarina como substituta ao marfim animal reforça o pilar sustentável da dupla Marco Normando e Emidio Contente. No Pier Mauá, a floresta não foi apenas decoração, mas uma força ativa que reagiu e tomou seu espaço na moda.

O encerramento do desfile da Normando no Rio Fashion Week consagra a marca como uma das vozes mais autênticas da moda nacional contemporânea. Ao unir técnica apurada, respeito ambiental e uma estética visualmente impactante, Marco Normando prova que a regionalidade possui um apelo universal. O evento termina com a certeza de que a beleza e a decomposição são faces da mesma moeda em uma passarela que celebra a vida em constante transformação.

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