Larissa Manoela sai da zona de conforto e vive sua primeira personagem adulta
“Traição Entre Amigas”, filme protagonizado pela atriz, rompe com imagem adolescente e chega carregado de amadurecimento e transformação pessoal e profissional
Longa do premiado diretor brasileiro Bruno Barreto, inspirado no primeiro livro da escritora best-seller Thalita Rebouças, tem narrativa que discute laços, escolhas e limites, trazendo desafios para a “antiga” atriz mirim Larissa Manoela, a qual, pela primeira vez, viveu uma mulher adulta na telona. O filme estreia amanhã (11/12), em todos os cinemas.
Virada de chave e novos desafios
Chegou o momento em que Larissa Manoela se despediu dos filmes sobre os conflitos adolescentes e encarou Penélope, sua primeira personagem adulta no longa “Traição Entre Amigas”. Ao lado da atriz Giovanna Rispoli, que interpreta Luiza, melhor amiga de Penélope, as atrizes saíram completamente de suas zonas de conforto para viverem duas melhores amigas, desde a infância, que mudam radicalmente os planos de suas vidas depois de um episódio de traição.
Penélope (Larissa Manoela) e Luiza (Giovanna Rispoli) sempre foram inseparáveis, até que uma escolha errada coloca a amizade à prova e muda o rumo de suas vidas. Entre mágoas, romances e reflexões, elas descobrem que amadurecer é bem mais complicado do que parece. Enquanto Penélope tenta a sorte como atriz em Nova York, Luiza mergulha no universo da música. E no meio de tantas mudanças, elas vão descobrir que toda amizade tem amor, promessas e segredos, mas que também tem os seus limites.
Em entrevista exclusiva ao Lorena Magazine, Larissa e Giovanna comentaram sobre a transformação pessoal e profissional que esse longa provocou na carreira delas e que ele chegou no momento certo, em que elas estão maduras e prontas para contar esse tipo de história:
Giuli Figueira: Com as personagens Penélope (Larissa) e Luiza (Giovanna), vocês saíram completamente da zona de conforto dos perfis que vocês estavam acostumadas a trabalhar, em um filme que fala sobre amadurecimento e transformação pessoal. Com o processo do filme, a construção das personagens, a troca com os atores, as filmagens, onde a Larissa e a Giovanna amadureceram no pessoal e no profissional?
Larissa Manoela: Eu completo 20 anos de carreira esse ano, a gente tem muito tempo de atriz mirim; é uma longa caminhada, dá muito orgulho de olhar pra trás e ver tudo que a gente fez e aonde a gente tá chegando hoje (…) é muito lindo ver essa nossa evolução pessoal e profissional. Um filme que tá livre de julgamento, a gente tá pra debater, pra fazer as pessoas pensarem, pra abordar temas muito importantes, então ele veio num momento muito especial, onde a gente se encontra também madura, pronta pra contar essas histórias.
Giovanna Rispoli: A Luiza e a Penélope, elas trazem pra gente realmente essa virada de chave na nossa carreira e também como mulheres né, a gente se enxergar num lugar tão vulnerável, tão humano; pra mim, foi muito importante viver a Luiza, exatamente no momento em que eu vivi.
Trailer de “Traição Entre Amigas” (Vídeo: reprodução/YouTube/@imagemfilmes)
Uma parte da história da personagem Penélope se passa em Nova York e, por conta disso, Larissa teve de interpretar falando inglês. Apesar de concordar com Rodrigo Santoro que interpretar numa língua estrangeira é um processo desafiador e complexo e de duvidar que seria capaz, gostou do resultado apresentado na telona:
Giuli Figueira: Larissa, a Penélope é uma garota que se questiona sobre desejos, fronteiras afetivas, vulnerabilidade, vertentes com nuances muito complexas de serem trabalhadas. Rodrigo Santoro, ele comentou, que interpretar numa língua estrangeira é um processo muito mais desafiador e complexo do que na língua nativa, porque você não consegue trazer a mesma emoção. Você concorda com isso e como que foi o seu processo?
Larissa Manoela: Com certeza, acho que não foi à toa que ele falou isso. Atuar em outra língua me deu aquele frio na barriga, inclusive tive que ter muita coragem, porque eu cheguei a duvidar que eu seria capaz. Vendo na tela o resultado, fiquei muito impressionada. Recebi um apoio gigantesco do próprio Bruno Barreto, que é o nosso diretor, que traz muita experiência gringa, tive suporte de professor de inglês, da atriz que contracenou junto lá em Nova York, na nossa vida de Penélope e Yana (Nathalia Garcia).
Ao serem questionadas se perdoariam uma traição, Giovanna disse se tratar de uma questão muito subjetiva e que dependeria do contexto e do grau da traição; já Larissa frisou que o filme fala de uma traição para além da amizade; fala de uma traição para consigo mesmo.
Um Bruno Barreto mais maduro e transformado
Bruno nasceu em uma família que respira cinema. Filho dos produtores Lucy e Luiz Carlos Barreto e irmão de Paula Barreto, que assina a produção de “Traição Entre Amigas”, convive com as câmeras desde criança. Aos 20 anos, dirigiu um enorme sucesso do cinema brasileiro, o longa “Dona Flor e Seus Dois Maridos”.
Em exclusiva ao Lorena Magazine, Bruno, de forma bem-humorada, falou de seu amadurecimento e relatou que aos 70 anos de idade se sente como uma mulher de 40 anos, pois a mulher é um ser muito mais evoluído e complexo que amadurece mais cedo; falou, ainda, que os homens demoram a amadurecer e alguns nem chegam a isso.
Giuli Figueira: É o seu 23º longa-metragem. A gente não pode desvincular esse ranking do assunto que perpassa todo o “Traição Entre Amigas”, que é o amadurecimento e a transformação pessoal. Que Bruno a gente vai encontrar no filme?
Bruno Barreto: Por incrível que pareça, um Bruno mais maduro e transformado. Eu só amadureci depois dos 50 anos. Certos homens nunca amadurecem. A minha maturidade de hoje, eu to com 70, é igual a de uma mulher que tem 40 ou 30. A mulher é um ser muito mais evoluído, amadurece mais cedo, então, eu acho que foi o momento certo pra eu contar essa história; se eu fosse mais jovem, eu talvez não tivesse contado essa história com tanta complexidade e com tanta curiosidade também.

Bruno Barreto na pré-estreia de “Traição Entre Amigas” (Foto: reprodução/divulgação)
Bruno comentou, também, que por se tratar de um roteiro atípico, teve bastante receio de o público efetuar julgamentos e preferir uma história versus a outra, já que, após a traição, ambas seguem realidades distintas.
Giuli Figueira: Bruno, você teve bastante receio do público julgar as diferentes histórias que acabam traçando dentro do filme, primordialmente após a traição e aí você disse que foi difícil encontrar um equilíbrio, mas que você conseguiu.
Bruno Barreto: Esse filme, ele tem uma armadilha narrativa atípica, completamente atípica, porque o conflito principal acaba se dissolve no final do primeiro ato, na primeira meia hora; os personagens se separam e eles não interagem mais, então, fica uma narrativa paralela, fica indo de uma para outra. E como que você sustenta, porque dramaturgia é conflito, então, como você sustenta essa história sem ficar chato e sem ficar “seguir a vida dela é mais interessante que seguir a vida da outra”. Eu to começando a ver que isso funcionou agora, vendo a reação das pessoas ao filme. Eu nunca fiz um filme com uma estrutura narrativa tão difícil e tão atípica, que ela quebra as regras de qualquer cartilha de roteiro.
O filme estreia dia 11 de dezembro, em todos os cinemas, em um momento muito especial para o audiovisual brasileiro, no qual Bruno, com absoluta certeza, contribuiu de forma única e significativa.
