Neymar pisa no gramado e acende esperança na Seleção Brasileira
Atacante treina em campo pela primeira vez em três semanas e faz trabalhos com bola, mas segue fora do duelo contra o Haiti na sexta-feira, em Filadélfia
Neymar voltou ao gramado nesta terça-feira (16), no CT Columbia Park, em Morristown (EUA), e participou pela primeira vez de atividade com o grupo da Seleção Brasileira desde que chegou à delegação, em 27 de maio. Tudo porque uma lesão muscular de grau dois na panturrilha direita o tirou da estreia contra Marrocos e ainda impede sua liberação total pela comissão técnica de Carlo Ancelotti.
Evolução com cautela
Neymar se apresentou à delegação brasileira em 27 de maio, em Teresópolis, e desde então ficou restrito ao departamento de fisioterapia, sem pisar no gramado. A lesão muscular de grau dois na panturrilha direita exigiu um protocolo rigoroso, com foco total na cicatrização antes de qualquer atividade de campo. Lesões desse grau têm um tempo mínimo de recuperação que não pode ser ignorado, especialmente em uma Copa do Mundo.
Um exame realizado na segunda-feira (15) trouxe boas notícias: o tecido muscular apresentou sinais claros de cicatrização. Ainda assim, a comissão técnica optou por não acelerar o processo. A lógica é direta: um retrocesso com a Copa em andamento seria muito mais prejudicial do que aguardar mais alguns dias com segurança total.
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Neymar voltou a treinar no campo e mostrou aquela habilidade com a bola (Vídeo: reprodução/Instagram/@neymarjrsiteoficial)
Nesta terça (16), Neymar subiu ao gramado sem chuteiras e realizou corridas leves e exercícios controlados ao lado dos companheiros, participando da parte final do treino matinal. De acordo com informações da CBF, o atacante também fez seus primeiros trabalhos com bola desde o início do tratamento, um sinal animador para toda a comissão técnica. Apesar disso, o departamento médico mantém a postura de que a transição deve ser gradativa, sem pular etapas.
O protocolo adotado pelo staff médico prevê uma progressão cuidadosa: primeiro exercícios sem impacto, depois corridas leves, em seguida trabalhos com bola em baixa intensidade e, só então, atividades coletivas de maior exigência. Cada etapa depende da resposta do corpo do atleta e dos exames de monitoramento realizados regularmente. Não há atalhos quando se trata de uma lesão muscular que, se mal gerenciada, pode evoluir para um quadro mais grave.
Haiti fora do horizonte
Apesar da evolução, a presença de Neymar no próximo compromisso da Seleção é descartada. O Brasil enfrenta o Haiti na sexta-feira (19), em Filadélfia, pela segunda rodada do Grupo E. O jogo é decisivo: a equipe de Ancelotti tropeçou na estreia e arrancou apenas um empate por 1 a 1 diante de Marrocos, resultado que aumentou a pressão sobre o restante da fase de grupos.
Neymar não atua desde 17 de maio, ainda pelo Santos, no Campeonato Brasileiro. São quase trinta dias sem ritmo de jogo, tempo suficiente para que qualquer atleta de alto rendimento precise de readaptação intensa antes de ser lançado em uma partida de Copa do Mundo. A comissão técnica avalia esse fator com o mesmo peso que a própria lesão. Ter a panturrilha curada não basta se o corpo como um todo não está preparado para 90 minutos de competição de altíssimo nível.
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Douglas Santos projeta o retorno do camisa 10 à Seleção após recuperação (Vídeo: reprodução/Instagram/@tntsportsbr)
A CBF não confirmou prazo de retorno. O silêncio institucional reflete a postura adotada internamente: não criar expectativas que possam ser frustradas pela realidade clínica. O cenário mais otimista dentro da delegação aponta para uma possível participação na terceira rodada da fase de grupos ou, no caso mais conservador, nas oitavas de final, se o Brasil avançar como esperado.
Torcida e clima no grupo
Dentro do elenco, a esperança pelo retorno de Neymar é expressada abertamente. O lateral Douglas Santos resumiu o sentimento coletivo em entrevista antes do treino desta terça: “Estamos orando”. As palavras simples traduzem tanto o carinho dos companheiros quanto a consciência do grupo sobre o que representa ter o camisa 10 em campo no maior torneio de futebol do planeta.
A terça-feira também teve outro elemento especial em Morristown: a visita das famílias dos jogadores, organizada pela própria CBF. Bruna Biancardi chegou com a filha do casal para acompanhar as atividades, garantindo um clima mais leve e descontraído à delegação, uma válvula de escape importante antes de mais uma semana intensa, com jogo decisivo na próxima sexta (19).
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Bruna Biancardi, esposa do jogador, e familiares foram prestigiar a atividade desta terça-feira (Vídeo: reprodução/Instagram/@bellexcosta)
Ver Neymar correndo no gramado, mesmo em ritmo controlado, foi suficiente para elevar o astral do grupo. Com o empate na estreia ainda pesando, a Seleção precisa de cada sinal positivo para entrar em campo contra o Haiti com confiança. Até a liberação completa do camisa 10, cada sessão de treino será monitorada de perto, e a comissão técnica seguirá colocando a integridade física do atleta acima de qualquer pressão externa.
