John Textor é afastado do comando da SAF Botafogo
Após suspeitas de ilegalidades em assinatura de Contrato de Compra e Venda, empresário é afastado do comando do club por decisão do Tribunal Arbitral
Nesta quinta-feira (23), John Charles Textor foi afastado do comando da SAF do Botafogo, após uma decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O empresário norte-americano acusa a Ares Management, alegando que a gestora global de investimentos alternativos, por meio de seus advogados, forneceu aos árbitros informações enganosas e imprecisas, induzindo-os ao erro. Textor declara respeitar o procedimento do tribunal e ainda acredita que pode retornar à chefia do clube carioca.
Acusações entre Textor e Ares
Após o fundo emprestar dinheiro para o empresário adquirir o clube Olympique Lyonnais, mas sem nunca ter recebido o valor de volta, Textor e a Ares Management estão em conflito desde 2025. O estadunidense, como forma de garantir o empréstimo, forneceu ações da SAF do Botafogo, possibilitando que a empresa tomasse decisões de gestão em sua holding de clubes, chamada Eagle Football Holdings.
Durante a decisão dos três árbitros do painel, foi afirmado que as ações mais recentes de John Textor teriam o potencial de causar danos irreparáveis à comunidade de torcedores e a todos os acionistas do clube do Rio de Janeiro. Ainda nesta quinta-feira (23), em contraponto, o americano acusou os advogados da gestora de investimentos de esconderem um documento do Tribunal Arbitral.
Ver essa foto no Instagram
John Textor posando com a camisa do Botafogo (Foto: reprodução/Instagram/@john_textor)
Ilegalidades e supostas informações ocultadas
Um Contrato de Compra e Venda assinado por John em janeiro deste ano, que transferiu a participação societária da Eagle na SAF Botafogo para uma empresa nas Ilhas Cayman, é uma das medidas apontadas pelo tribunal contra ele. Contudo, o empresário expressa a indefinição do contrato, alegando que, para a validação do acordo, seria necessária a aprovação da Ares, a credora principal da Eagle Football Holdings. Além disso, afirma que houve uma fraude no tribunal, em que os advogados do fundo deturparam o documento, apresentando de forma enganosa um anexo de um e-mail e omitindo outro com a explicação.
Tendo apenas o documento em que assina pelas três partes (Eagle Bidco, Eagle Football Group nas Ilhas Cayman e SAF Botafogo) apresentado, segundo Textor, um e-mail enviado por ele em 16 de abril para a administradora judicial da Eagle, Cork Gully — no qual ele nega que a ação de levar a SAF para a Eagle Cayman tenha sido uma artimanha para afastar da subsidiária as ações da Ares —, não foi apresentado.
Em declaração, a empresa Eagle manifestou, ao lado do Tribunal Arbitral, que, sem a observação das formalidades legais, descumprindo as normas e abrangendo todas as pontas de maneira irregular, o Sr. Textor assinou o Contrato de Compra e Venda (SPA, na sigla em inglês). Uma crítica à decisão foi publicada nesta sexta-feira (24) pela SAF do Botafogo, informando que, na ausência de John Textor, a função de diretor-geral da empresa será exercida pelo ex-presidente do clube social, Durcesio Mello.
