Gabriel Paulista supera lesões e vira um dos mais utilizados pelo Corinthians em 2026
Zagueiro falou sobre readaptação ao Brasil após mais de uma década na Europa, dores constantes, controle de carga nos treinamentos
Peça-chave do Corinthians sob o comando de Fernando Diniz, Gabriel Paulista se tornou o quinto jogador mais utilizado pelo clube em 2026, com 3.624 minutos em campo. Aos 35 anos, o zagueiro soma 39 partidas na temporada, número que não alcançava desde 2019/20, quando ainda atuava pelo Valencia, na Espanha.
Os números ganham ainda mais importância diante do processo de readaptação ao futebol brasileiro. Depois de mais de uma década na Europa, Gabriel precisou lidar com uma rotina diferente de viagens, calendário e recuperação física. As dores e o desgaste provocados pela sequência de jogos, porém, não impediram o defensor de se firmar entre os titulares.
Positividade diante das dificuldades
A maratona de partidas fez Gabriel Paulista precisar administrar dores e cansaço ao longo da temporada. O zagueiro reconhece que, em algumas ocasiões, precisou atuar no sacrifício para manter a sequência.
“Tem partidas que jogamos no sacrifício. Às vezes, a gente joga numa quinta e, depois, num domingo. Na sequência, é um jogo fora de casa e não temos tempo para recuperar. Nisso, acabamos jogando no sacrifício. Quando entramos em campo, esquecemos as dores, esquecemos tudo, mas acontece de sentir mais o cansaço físico ou algumas dores que nos impedem de ter um desempenho melhor. Faz parte da loucura de jogos um atrás do outro”, afirmou em entrevista exclusiva ao ge.
Nascido em São Paulo, Gabriel Paulista foi revelado pelo Vitória em 2010, onde disputou mais de 100 partidas. Três anos depois, deixou o Brasil para iniciar uma trajetória de mais de uma década no futebol europeu.
No continente, defendeu Villarreal, Arsenal, Valencia — clube pelo qual mais atuou na carreira —, Atlético de Madrid e Besiktas. O retorno ao futebol brasileiro aconteceu em janeiro deste ano, justamente para realizar um sonho pessoal.
Gabriel Paulista fez mais 200 jogos com a camisa do Valencia (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Aitor Alcalde)
O sonho de defender o Corinthians
Procurado pelo Corinthians em janeiro, Gabriel rescindiu seu contrato com o Besiktas para acertar com o clube paulista. Anunciado no dia 11, assinou vínculo até o fim de 2027 e foi apresentado oficialmente no CT Joaquim Grava no dia seguinte.
Corintiano desde a infância, o zagueiro revelou que a escolha também teve um significado familiar. Gabriel decidiu vestir a camisa do clube do coração como forma de homenagear o irmão, que morreu e foi quem o influenciou a torcer pelo Corinthians.
“Queria muito que uma pessoa estivesse aqui, meu irmão, que me influenciou a ser torcedor do Corinthians. Ele nos deixou. Ele tentou ser jogador de futebol e não conseguiu. Eu realizei o sonho dele. Estou aqui para continuar realizando os sonhos dele. Ele é torcedor do Corinthians, era parte dos Gaviões. Tudo isso me fortaleceu mais em poder estar aqui e vestir este manto sagrado”, declarou na apresentação.
Gabriel estreou pelo Corinthians em 15 de janeiro, na derrota por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino, pelo Campeonato Paulista. Pouco depois, passou a vestir a camisa 3, que estava disponível após a saída de Félix Torres por empréstimo.
O primeiro título veio em fevereiro. Gabriel marcou o primeiro gol da vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo, pela Supercopa Rei, e ajudou o Corinthians a conquistar a taça. Foi também seu primeiro gol pelo clube.
Adaptação à rotina brasileira
Pouco mais de oito meses depois da chegada ao CT Joaquim Grava, Gabriel já soma 39 partidas pelo Corinthians. A marca não era alcançada pelo defensor desde a temporada 2019/20, quando defendia o Valencia.
O retorno ao futebol brasileiro, no entanto, exigiu cuidados especiais. A diferença na duração das viagens e o menor intervalo entre as partidas aumentaram a demanda física sobre o jogador, que passou a trabalhar com o estafe do Corinthians para controlar o desgaste.
“Senti bastante a parte física e conversei com o estafe do Corinthians para me ajudar de alguma maneira. Foi mais em questão de adaptação. O campo é diferente e tem essa loucura de viagem que na Europa não tem. Lá, são viagens mais curtas e um tempo maior de descanso. Aqui, você não tem tanto tempo, não fica em casa”, explicou.
A estrutura oferecida pelo clube também foi importante no processo. Alimentação, descanso e controle de carga passaram a fazer parte da rotina do zagueiro para que pudesse suportar a sequência de jogos.
“Na Europa tive uma fase em que não conseguia ter dois ou três jogos de sequência, sempre tinha algum problema físico. Aqui no Brasil estou conseguindo ter essa sequência boa. Estou feliz!”, completou.
Gabriel Paulista é um dos pilares defensivos do time do Corinthians (Foto: reprodução/Getty Iamges Embed/Alexandre Schneider)
Controle de carga não impede sequência
Apesar da sequência como titular, Gabriel Paulista não participa de todas as atividades do Corinthians. O clube tem adotado controle de carga para administrar o desgaste do zagueiro, especialmente diante do calendário apertado.
Recentemente, uma pancada no quadril o tirou da partida contra o Cruzeiro e também de alguns treinamentos. O problema, porém, não comprometeu sua sequência ao lado de Gustavo Henrique.
“Não foi uma lesão, não foi algo complicado. Joguei contra o Rosario, o Coritiba e o Santos sem problema algum. Como falei, cansaço e dores vamos sentir, mas nada que vai nos tirar dos jogos”, afirmou.
O zagueiro, no entanto, será desfalque contra a Chapecoense, neste domingo, às 19h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Gabriel recebeu o terceiro cartão amarelo na partida contra o Santos e cumprirá suspensão automática no duelo pelo Campeonato Brasileiro.
